A taxa referencial (TR) é o exemplo perfeito de conceito que já ouvimos falar (e muito!), mas não entendemos por completo. Ela foi criada em 1990 e é bastante conhecida de quem investe há tempos na caderneta de poupança, ou trabalha de carteira assinada. Se você, futuro profissional da carreira bancária, ainda não sabe do que se trata, é hora de aprender.

O que é taxa referencial (TR)?

A TR foi criada para ser uma taxa de juros. Em suma, a intenção é que ela fosse um parâmetro para os juros praticados no Brasil naquela época, em 1990. Achou parecida com a Selic? Pois é, o objetivo era bem semelhante, sim.

Atualmente, entretanto, ela é um indicador de atualização monetária de algumas aplicações financeiras e operações de crédito. Em termos mais simples, vem para corrigir os valores ao longo do tempo – como um parâmetro do índice de inflação.

A taxa referencial se divide em duas categorias:

TR Diária

A TR Diária é uma fatia divulgada pelo Banco Central que corresponde ao valor mensal. Assim, a soma de todas as TRs diárias resultam na TR mensal, que veremos a seguir.

Dessa forma, se o investidor solicitar o resgate do título antes de completar um mês cheio, o reajuste vai ser feito com base na taxa referencial desta data.

TR Mensal

Essa taxa, por sua vez, é utilizada no rendimento do dinheiro após aplicado por um mês cheio. Esse mês, aliás, possui aproximadamente 23 dias.

Como é definida a TR?

Todos os dias a taxa referencial é calculada pelo Banco Central. Para chegar até ela, é preciso encontrar o valor da Taxa Básica Financeira (TBF).

Até 2018, esse cálculo se baseava na média ponderada dos juros pagos por CDBs prefixados das maiores instituições financeiras do país. Entretanto, em fevereiro deste já citado ano, o BC passou a se basear nas taxas de juros das Letras do Tesouro Nacional.

Na prática, isso não altera nada para o investidor.

Por que a TR está zerada?

Desde outubro de 2017, a taxa referencial tem estado zerada. O motivo disso é que ela está indiretamente atrelada à remuneração de títulos públicos. Por consequência, ela sofre o impacto do mercado de juros. 

Em 2015 os juros básicos da economia subiram. Porém, desde então, a Selic apenas caiu. Como a TR é calculada após a aplicação de um redutor, a queda dos juros já poderia ter feito ela ficar negativa. Contudo, o Banco Central já definiu que a taxa referencial jamais pode ficar negativa. Por essa razão, então, ela segue zerada. 

Até o momento, não há muitos motivos para esperar que a taxa referencial suba nos próximos anos.

Como a taxa referencial impacta investimentos e financiamentos?

Investimentos sempre são impactadas por taxas e juros. No caso da taxa referencial, não seria diferente. Mesmo com a presença de outros indicadores econômicos, a TR é muito forte no que diz respeito a algumas das aplicações mais populares entre os brasileiros. Vamos, portanto, entender a influência dela em alguns investimentos.

FGTS

Em 1960, o FGTS existe para garantir uma reserva financeira aos brasileiros. Quem é regido pela CLT sabe: todo mês, 8% do salário é depositado em uma conta. Esse valor, por sua vez, só pode ser resgatado em algumas ocasiões, como para a compra de um imóvel, ou demissão sem justa causa.

Enquanto permanece na conta, esse recurso é remunerado. A rentabilidade, no caso, é de 3% ao ano, mais a variação da TR. Assim, se a taxa referencial sobe, há uma diferença no valor do FGTS também.

Financiamento imobiliário

Em muitos contratos, o saldo devedor é ajustado conforme a TR. Assim, além dos juros, o montante que ainda falta pagar também sobe de acordo com a taxa.

É claro, nem todos os contratos seguem esse modelo. Alguns, inclusive, fazem uso do Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) ou até o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Poupança

Se a taxa referencial sobe ou desce, ela impacta a caderneta de poupança. Até o momento, a remuneração da poupança muda de acordo com os juros básicos da economia. 

Ou seja, a poupança mensalmente paga 0,5% a mais do que a variação da TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Entretanto, independente da Selic estar alta ou não, a TR vai entrar na conta.

Títulos de capitalização

Teoricamente falando, um título de capitalização não é considerado investimento. Contudo, os bancos o oferecem como uma aplicação financeira. 

Se um valor fica depositado até sua data de vencimento, a taxa referencial tem papel em sua atualização. Na maioria das vezes, eles não pagam juros ou qualquer outra remuneração além disso, por isso o valor da TR é tão importante aqui.

Há quem acredite que um título de capitalização rende mais que a poupança. Esse, porém, é um grande equívoco. Como vimos, a poupança sempre oferece juros além da atualização.

Títulos públicos

Antigamente, havia títulos públicos que rendiam de acordo com a taxa referencial. À época, até podia ser uma opção atraente, porém, hoje já não é mais. Tanto que, inclusive, esses títulos foram descontinuados.

Hoje em dia, porém, o Tesouro Direto oferta opções melhores, como Tesouro IPCA, Selic e prefixado.

Conclusão

Agora que você já sabe como a taxa referencial funciona, tem mais um indicador para ficar de olho. Como disse, não há expectativa de alta para os próximos anos. Mesmo assim, o cenário financeiro continua oscilando e requer sua total atenção.

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