Cada vez mais as pessoas se conscientizam que devem investir uma parte de sua renda, visto que, quando falamos de investimento existem várias classificações. Uma delas é a diferença entre Títulos Públicos e Títulos Privados e qual você deve optar para sua carteira.

Antes de começar é importante saber que tanto os Títulos Públicos como os Privados podem ser comercializados no Mercado Primário ou no Mercado Secundário.

Títulos Públicos

Os Títulos Públicos são papéis emitidos pelo Tesouro Nacional e possuem como finalidade principal auxiliar no pagamento de gastos do governo.

De forma simples é através destes que o governo financia a dívida pública. Para investir você precisa apenas ter conta em uma corretora de valores (como escolher) e estar cadastrado no site do tesouro direto.

Vale lembrar que tesouro direto não é o nome do investimento e sim o meio de comprar títulos públicos. Outra coisa muito importante é que você pode investir com apenas R$ 30,00.

Uma característica que torna o investimento em Títulos Públicos interessantes é a recompra garantida pelo Tesouro. O mesmo, no entanto, não garante o rendimento de títulos quando vendidos antes da data do vencimento.

O preço dos Títulos Públicos podem oscilar de acordo com as condições de mercado e as variações da taxa de juros, mas se você mantiver o investimento até o vencimento terá a garantia de 100% da rentabilidade contratada.

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Em outras palavras isso significa que o investidor nunca terá prejuízo se aguardar a data do vencimento dos papéis. Por isso é extremamente importante que você tenha lido meu artigo sobre a análise de perfil do investidor e o prazo de investimento. Você precisa saber no momento da compra se pode aguardar até o vencimento do título.

Além disso, esse tipo de título possui menor risco de crédito.

Tipos de Títulos Públicos

Existem diversos tipos de títulos públicos e eles diferem basicamente pelo prazo e pelo tipo de remuneração que oferecem.

O Brasil já teve vários tipos de títulos. Mas com a estabilidade econômica os títulos públicos federais passaram a se parecer mais com os emitidos no resto do mundo como os Bonds Americanos, por exemplo. Somente para relembrar quanto ao tipo de remuneração temos três tipos de títulos públicos:

  • Pré-Fixados
  • Pós-Fixados
  • Misto (taxa pré-fixada mais correção pelo índice de inflação)

Para facilitar o seu entendimento da diferença entre títulos públicos e títulos privados vou aprofundar um pouco mais.

Títulos Públicos Pré-fixados

Entre os pré-fixados, a LTN (Tesouro Pré-Fixado) vale R$ 1 mil na data de vencimento. Assim, o rendimento (lucro) é definido pelo preço de compra menos o valor da compra e taxas. O tesouro pré-fixado não permite o resgate periódico dos juros antes do vencimento do título.

O segundo tipo de título público pré-fixado são as NTN-F (Tesouro Pré Fixado com juros semestrais) que também valem R$ 1 mil. Mas diferentemente do LTN, pagam juros em parcelas (chamadas de cupons) a cada seis meses de R$ 48,80. Valor este que corresponde ao rendimento de R$ 1 mil sob uma taxa de 10% ao ano (convencionada pela Tesouro).

Quando chegar a data de vencimento do Tesouro Pré Fixado com juros semestrais, o investidor receberá última parcela dos juros mais R$ 1 mil. Os títulos do tipoTesouro Pré Fixado com juros semestrais têm prazos de vencimento mais longos, em relação ao tesouro pré-fixado normal.

Esses títulos pré-fixados são recomendados para pessoas que apostam na estabilidade e ou queda da inflação e das taxas de juros do País. Também são recomendados a investidores que preferem a segurança de saber já no momento da compra a rentabilidade nominal (total) do título na data do vencimento, quando o Tesouro tem de pagá-lo.

Para os investidores que podem precisar de dinheiro antes do vencimento ou que preferem reaplicar os juros em outros investimentos, o ideal é a aquisição doTesouro Pré Fixado com juros semestrais, por conta do pagamento dos juros semestrais.

Por exemplo, se um título foi comprado em janeiro e tem vencimento em primeiro de janeiro do ano seguinte, a uma taxa de 10% ao ano, o preço dele é de R$ 1 mil descontados 10% pelo período até o vencimento. Assim, esse título foi comprado em janeiro por R$ 909,09. Suponha que, em março, o Banco Central dobre a taxa de juros. Com isso, os títulos do Tesouro passarão a ser reajustados com uma valorização de 20% ao ano, e não mais de 10% como três meses antes.

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Desta forma o valor de mercado do mesmo título em março, passou a ser R$ 1 mil descontados 20% de juros compostos ao ano pelo período até o vencimento (nesse caso, nove meses), o que equivale a R$ 872,20. Fique tranquilo que falaremos mais sobre precificação dos títulos mais a frente.

No exemplo hipotético acima, se a taxa de juros não tivesse sido alterada e os títulos do Tesouro continuassem a ser corrigidos pela taxa de 10% ao ano, em março, o mesmo título valeria R$ 931,01. Na apuração do ganho em títulos pré-fixados acontece não em relação ao preço final – que será sempre R$ 1 mil – mas sim em relação ao preço de compra.

No cenário A com taxa de 10% ao ano, um título prefixado daria retorno de R$ 68,99 nos nove meses restantes até o seu vencimento (março a janeiro). Já no cenário B, com taxa de 20% ao ano, o título comprado em março daria retorno de R$ 127,8 no mesmo período, já que foi comprado por um preço mais baixo.

É importante salientar que o valor final dos títulos pré-fixados na data do vencimento sempre será o mesmo: R$ 1 mil. Assim, o retorno do investimento será R$ 1 mil menos o valor da compra e taxas, independente da variação da taxa de juros.

Títulos Públicos Pós-fixados

As LFTs (renomeadas para Tesouro SELIC) são incomuns no mercado financeiro mundial e estão relacionados com a falta de confiança de investidores no Brasil. É claro que isso se deve ao histórico inflacionário e dos níveis de taxa de juros em um passado não muito distante. Investir no Tesouro SELIC  é interessante para quem está interessado em se precaver de uma possível volatilidade na taxa de juros.

Apesar de atrelada a taxa SELOC, o valor do Tesouro SELIC pode ser negociado acima ou abaixo desse percentual de acordo com a demanda deste papel. 

Quando a demanda é muito alta, o tesouro pode ofertar uma remuneração menor do que a da SELIC pelo título.

Também é verdade que no caso da recompra antes do vencimento, o tesouro pode pagar juros menores do que o título acumulou por suas regras no período, a depender da demanda.

Isso significa que um investidor pode até perder dinheiro caso o tenha de vender em momento de baixa acentuada. Isso costuma acontecer contudo, somente quando o investidor ficou por muito pouco tempo com o título (dois ou três meses) e teve que vender antes da data de vencimento.

O Tesouro paga remuneração correspondente A taxa SELIC diária acumulada ao longo do período apenas quando do vencimento do papel. Ou seja, a perda é possível apenas quando a saída é anterior ao vencimento.

Títulos Públicos Mistos

O último tipo de títulos públicos que trataremos neste artigo sobre diferença entre títulos públicos e títulos privados são os mistos.

O valor dos papéis do tipo NTN-B (Tesouro IPCA) têm correção atrelada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado e divulgado pelo IBGE, e seu valor muda de acordo com a variação do índice. De forma semelhante ao tesouro pré-fixado os títulos mistos também oferecem cupom semestral de juros no NTN-B Principal ou Tesouro IPCA + Juros Semestrais.

Esses papéis são bastante procurados por fundos de pensão, seus principais compradores. O motivo disso é porque estes títulos mantêm o poder de compra dos recursos investidos no longo prazo. São indicados também para investidores buscando aplicar para a aposentadoria.

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Finalizado os tipos de títulos públicos, partimos aos títulos privados para que fique clara a diferença entre títulos públicos e títulos privados.

Títulos Privados

Os Títulos Privados são emitidos por Instituições Financeiras e empresas. Assim como os títulos públicos estes podem ser pré-fixados ou pós fixados. Dentre os títulos privados mais conhecidos são:

  • CDBs
  • CRIs
  • CRAs
  • LCIs
  • LCAs
  • LCs
  • DPGEs
  • Debêntures
  • Commercial papers

Estes títulos possuem um risco maior que os Títulos Públicos. Afinal, não precisa pensar muito para saber que é mais fácil uma empresa quebrar do que um país quebrar. Mas isso não quer dizer que eles não são seguros afinal, existem empresas bem confiáveis, e muitos títulos privados possuem condições mais atraentes do que os títulos públicos.

Seu maior benefício é a sua rentabilidade. Enquanto os Títulos Públicos têm o objetivo de manter o seu poder de compra, os Títulos Privados têm o objetivo de aumentar o seu poder de compra.

E mesmo entre um título privado e outro, o risco e a rentabilidade variam de foram que empresas menos conhecidas têm maior rentabilidade. Por exemplo, nas corretoras de valores é fácil encontrar CDBs remunerando 120% do CDI, enquanto em grandes bancos a remuneração dificilmente passa de 85%.

A real diferença entre os Títulos Públicos e Títulos Privados

A diferença entre Títulos Públicos e Títulos Privados é na garantia. Enquanto os Títulos Públicos são garantidos pelo Tesouro Nacional, os Títulos Privados são mais conservadores. Isso porque, são garantidos pelo FGC que é uma espécie de seguro.

Mas atenção, nem todos os Títulos Privados são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito.

Fundo Garantidor de Crédito (FGC)

o FGC não é uma instituição pública, mas sim uma entidade privada constituída como uma associação sem fins lucrativos.

Os associados do FGC são todas as Instituições Financeiras de crédito como por exemplo bancos, a Caixa Econômica Federal e demais formatos de sociedades de crédito. Inclusive, ser associado ao Fundo Garantidor de Crédito é uma condição obrigatória para o funcionamento de qualquer Instituição Financeira no Brasil. Em virtude disto, até abril de 2017 o brasil já contava com 189 instituições financeiras associadas ao FGC.

Para que o FGC possa oferecer suas garantias ele conta com contribuições mensais regulares de todas as suas instituições associadas. Instituições estas que depositam no fundo valores correspondentes ao volume de depósitos e aplicações que os próprios tiveram.

No início o FGC exigia contribuições de 0,3% ao ano do volume de depósitos de cada associado, sendo que desde 2006 o valor passou a ser 0,15% ao ano. Desta maneira o fundo garantidor de crédito conseguiu atingir cerca de 2% de todo volume de depósitos de todo o sistema financeiro nacional.

E, apesar de parecer mais uma de nossas “brasileirices”, associações como o FGC estão presentes na maioria dos países do mundo. Tanto nos países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos

A “Associação Internacional de Seguradoras de Depósitos” (IADI, em inglês) ao qual o FGC é membro, conta atualmente com 83 membros em 77 nações diferentes. Aí no meio estão grandes países como Alemanha, França, Japão, Holanda, Suíça, Reino Unido e até o FDIC, dos Estados Unidos.

Como vimos acima, o FGC tem como papel proteger os depósitos e aplicações que são feitas nos bancos e demais instituições financeiras no brasil.

Mas atenção, nem todos os investimentos são cobertos pelo FGC.

Garantias do FGC

Vejamos agora o que é garantido pelo FGC:

  • Depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio (conta corrente)
  • Depósitos de poupança
  • Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado (CDB/RDB)
  • Letras de câmbio
  • Letras imobiliárias
  • Letras hipotecárias
  • Letras de crédito imobiliário
  • Letras de crédito do agronegócio
  • Operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos após 08.03.2012 por empresa ligada

Podemos verificar que a principal diferença entre títulos públicos e títulos privados é quanto a garantia. Nos títulos públicos (negociados pelo tesouro direto) temos a garantia do tesouro nacional e nos títulos privados do FGC.

ATENÇÃO: Vale lembrar que o FGC garante um valor de até R$1.000.000,00 dividido em investimentos de no máximo R$250.000,00 por CPF e por instituição financeira.

Alguns títulos privados não são garantidos pelo FGC como as debêntures e notas promissórias. No caso destes investimentos é importante olhar os ratings das agências de classificação de risco para saber a situação da empresa antes de fazer a negociação. As debêntures por exemplo têm um risco mais elevado mas possuem uma rentabilidade bem maior.

É a velha máxima, quanto maior o risco maior a rentabilidade.  Para concluirmos este artigo sobre a diferença entre títulos públicos e títulos privados sobra a pergunta.

Qual escolher?

Sabendo a diferença entre títulos públicos e títulos privados cabe a você escolher ou distribuir o seu patrimônio da forma que achar mais conveniente. Em minha opinião o mais importante é o prazo. Em relação ao médio (acima de três anos) e longo prazo os títulos públicos são mais atrativos devido a sua segurança e o efeito dos juros compostos. Já a curto prazo o melhor são os títulos privados devido a sua rentabilidade mais elevada.

Caso você tenha o perfil conservador também aconselho distribuir a sua carteira entre os títulos públicos e privados para evitar uma concentração muito grande dos investimentos.