O CDB continua sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda, com alíquotas de 22,5% a 15%. Dependendo do prazo de resgate, também pode haver cobrança de IOF. E ainda temos regras de declaração, mudanças relacionadas ao FGC e algumas alternativas de renda fixa que são isentas de IR.

Um CDB pode oferecer 110%, 120% ou até 130% do CDI. Mas deixa eu te perguntar uma coisa: você sabe calcular quanto desse rendimento realmente sobra depois dos impostos? Porque, se você está estudando para uma certificação financeira, já deve ter percebido que saber a rentabilidade bruta é só uma parte do raciocínio, e eu não quero ver você perder ponto na prova por confundir uma alíquota, viu?

Parece bastante coisa? Eu vou te explicar tudo com calma, inclusive com exemplos de cálculo, para você entender de onde vêm os números e não precisar decorar respostas. Olha só o que vamos ver por aqui:

  • Qual é a tributação do CDB;
  • Qual é a tabela de IR para CDB;
  • Quais são as novas regras para CDBs;
  • Como calcular o Imposto de Renda do CDB;
  • Se CDB tem IOF;
  • Como a tributação do CDB é recolhida;
  • Como declarar CDB no Imposto de Renda;
  • O que acontece se não declarar CDB no IR;
  • Quais são os investimentos isentos de Imposto de Renda.

Pronto para entender tudo sobre o IR no CDB? Vamos lá!

Qual é a tributação do CDB? 

Os CDBs podem sofrer a incidência de dois tipos de tributo no momento do resgate:

  • Imposto de Renda (IR): é cobrado sobre o rendimento do CDB, e não sobre todo o dinheiro investido. A alíquota depende do tempo que o dinheiro ficou aplicado, então, quanto maior o prazo, menor o percentual de imposto.
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): só é cobrado sobre os rendimentos se o CDB for resgatado antes de completar 30 dias de aplicação. A alíquota diminui a cada dia e chega a zero no 30º dia.

E tem uma facilidade aqui: tanto o IR quanto o IOF são retidos na fonte. Ou seja, quando houver imposto a pagar, a própria instituição responsável faz o desconto, e você recebe o valor do resgate já com os tributos descontados.

CDB é isento de Imposto de Renda?

Não, o CDB não é um investimento isento de Imposto de Renda.

Portanto, toda pessoa investidora que aplica em Certificados de Depósito Bancário está sujeito a esse tributo, sem exceção. O que varia é a alíquota, que diminui conforme o tempo de aplicação.

Lembrando que o IR aqui incide apenas sobre os rendimentos obtidos com o investimento. O valor inicialmente aplicado não sofre tributação, apenas os ganhos gerados ao longo do tempo.

Qual é a tabela de IR para CDB? 

A tabela de IR que vale para CDBs e outros títulos de renda fixa é a seguinte:

Prazo da aplicação

Alíquota do IR

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15%

A regra é bem simples: quanto mais tempo você mantém a aplicação, menor é o percentual de imposto cobrado sobre os rendimentos (e não sobre o valor total investido).

CDB terá imposto único de 17,5%? 

Não. Em 2026, o CDB continua sujeito à tabela regressiva do Imposto de Renda, com alíquotas entre 22,5% e 15%. A cobrança de uma alíquota única de 17,5% até chegou a ser proposta pelo governo, mas a mudança não entrou em vigor.

A título de informação, essa proposta fazia parte da Medida Provisória nº 1.303/2025, que pretendia alterar a tributação de diferentes investimentos financeiros. A ideia era substituir as quatro alíquotas da tabela regressiva por um percentual único, independentemente do prazo da aplicação.

Só que a MP perdeu a validade em outubro de 2025, sem ser aprovada pelo Congresso Nacional. Por isso, as regras anteriores foram mantidas.

Quais são as novas regras para CDBs?

Em 2026, as principais mudanças relacionadas aos CDBs vieram das novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que passaram a exigir mais cuidado dos bancos na captação de recursos. As alterações estão previstas principalmente na Resolução CMN nº 5.295/2026, em vigor desde junho.

Mas o que mudou, afinal? Olha só:

  • Cobrança adicional mais cedo: antes, os bancos podiam captar um volume maior de dinheiro protegido pelo FGC antes de ter que pagar uma contribuição extra ao Fundo. Agora, esse limite de referência caiu de 75% para 60%. Ou seja, a cobrança pode começar mais cedo.
  • Contribuição adicional maior: os bancos que ultrapassam determinados limites de captação precisam pagar mais ao FGC. A ideia é desestimular que as instituições assumam riscos excessivos contando com a proteção oferecida pelo Fundo.
  • Mais recursos em títulos públicos: em determinadas situações, os bancos precisam manter parte do dinheiro captado em títulos públicos federais, considerados investimentos de baixo risco. Assim, nem todo o valor recebido por meio de CDBs e outros produtos cobertos pelo FGC pode ser direcionado livremente para operações de crédito.

Falando agora do que tudo isso tem a ver com os CDBs que encontramos no mercado, saiba que aqueles bancos que dependem muito desse tipo de captação podem enfrentar custos maiores agora, o que pode influenciar as taxas oferecidas aos investidores. 

É por isso que aqueles CDBs com remunerações muito acima da média, como 140% do CDI, podem se tornar bem menos frequentes. Mas atenção: não existe uma proibição geral de oferecer CDBs com essas taxas, ok?

Para a pessoa investidora, a proteção do FGC continua com os limites conhecidos: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, respeitado o teto de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada quatro anos.

Antes de prosseguirmos, vale lembrar que, em termos de tributação, a tabela regressiva do IR para CDBs continua valendo, pois a proposta de alíquota única de 17,5% não foi aprovada. Por outro lado, a tributação mínima de altas rendas, em vigor a partir de 2026, pode considerar os rendimentos de CDBs no cálculo para pessoas com renda anual superior a R$ 600 mil.

Como calcular o Imposto de Renda do CDB?

Para calcular o Imposto de Renda do CDB, você precisa identificar quanto o investimento rendeu e aplicar a alíquota correspondente ao prazo da aplicação. Lembre-se de que o imposto incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre todo o valor investido.

O cálculo é feito a partir desta fórmula:

Imposto de Renda = rendimento bruto × alíquota do IR

Eu sei, eu sei: muito mais fácil de entender com um exemplo, né? A seguir, te mostro um!

Exemplo de cálculo do rendimento líquido

Suponha que você tenha resgatado uma aplicação de R$ 5.000,00 em um CDB que paga 130% do CDI após três anos. Considerando uma taxa média do CDI de 10% ao ano, a rentabilidade bruta seria de 13% ao ano (130% de 10%).

Com esses dados, o cálculo da rentabilidade bruta seria:

R$ 5.000,00 x (1 + 13%)³ = R$ 7.214,48

Portanto, o lucro bruto seria de R$ 2.214,48. Sobre esse valor, seria descontado R$ 332,17 de Imposto de Renda, com alíquota de 15% para resgates após mais de 720 dias. Descontado o IR, a rentabilidade líquida seria de R$ 1.882,31, e o valor total resgatado seria de R$ 6.882,31.

Viu como é fácil?

Vale ressaltar que o cálculo do Imposto de Renda no CDB é feito automaticamente pela plataforma de investimentos, que retém o tributo na fonte no momento do resgate. Assim, o investidor nem sequer precisa se preocupar com esse cálculo.

Como calcular o IR em resgates parciais?

Nos resgates parciais de CDB, você vai calcular o IR apenas sobre a parte dos rendimentos incluída no valor que você retirou. Afinal, uma parte do dinheiro resgatado corresponde ao valor que você investiu originalmente, e essa parcela não sofre tributação.

Para entender melhor, olha só este exemplo:

  • Valor investido: R$ 10.000;
  • Saldo atual do CDB: R$ 12.000;
  • Rendimento acumulado: R$ 2.000;
  • Valor do resgate parcial: R$ 6.000;
  • Prazo da aplicação: 400 dias, com alíquota de IR de 17,5%.

Nesse caso, o rendimento representa R$ 2.000 dos R$ 12.000 acumulados, ou seja, aproximadamente 16,67% do saldo.

Como você vai resgatar R$ 6.000, essa mesma proporção será usada para identificar a parte tributável da retirada:

  • Rendimento incluído no resgate: R$ 1.000;
  • IR sobre esse rendimento: R$ 1.000 × 17,5% = R$ 175;
  • Valor líquido recebido: R$ 6.000 − R$ 175 = R$ 5.825.

Percebeu? Você não paga IR sobre os R$ 6.000 inteiros, mas somente sobre os R$ 1.000 de rendimento que fazem parte desse resgate.

CDB tem IOF? 

Sim, caso um CDB seja resgatado em menos de 30 dias depois da aplicação, a pessoa investidora também fica sujeito à cobrança de IOF sobre seus rendimentos. 

Assim como o IR, o IOF também é um imposto regressivo, retido na fonte e cobrado apenas sobre os rendimentos. Ele começa em 96% no primeiro dia da aplicação e vai reduzindo até zerar, no 30° dia.

Esse imposto busca desestimular resgates de curtíssimo prazo, evitando que os bancos enfrentem problemas operacionais em decorrência da redução da liquidez.

Tabela regressiva do IOF 

O IOF que incide sobre os CDBs é calculado de acordo com uma tabela regressiva de 30 dias:

Tempo de aplicação (dia)

Alíquota de IOF

Tempo de aplicação (dia)

Alíquota de IOF

Tempo de aplicação (dia)

Alíquota de IOF

1

96%

11

63%

21

30%

2

93%

12

60%

22

26%

3

90%

13

56%

23

23%

4

86%

14

53%

24

20%

5

83%

15

50%

25

16%

6

80%

16

46%

26

13%

7

76%

17

43%

27

10%

8

73%

18

40%

28

6%

9

70%

19

36%

29

3%

10

66%

20

33%

30

0%

Como a tributação do CDB é recolhida? 

Os tributos do CDB são retidos na fonte, ou seja, o próprio banco desconta os impostos no momento do resgate ou do pagamento dos juros. Isso facilita para o investidor, pois o valor depositado na conta já está líquido dos tributos devidos.

O banco emissor do CDB calcula e aplica a alíquota do Imposto de Renda conforme a tabela regressiva, considerando o prazo de permanência do investimento. Caso o resgate ocorra antes de 30 dias, também há incidência do IOF, cuja alíquota diminui progressivamente até zerar após esse período. Os valores de IR e IOF são recolhidos e repassados diretamente à Receita Federal.

Os valores retidos podem ser consultados no informe de rendimentos fornecido pela instituição financeira, onde constam todos os valores descontados e declarados à Receita Federal.

Mas atenção: apesar de o investidor não precisar se preocupar com o cálculo ou recolhimento do imposto, o CDB ainda deve ser declarado no Imposto de Renda. A seguir, explico como fazer isso.

Como declarar CDB no Imposto de Renda? 

Depende: um CDB que não foi resgatado precisa ser declarado na ficha “Bens e Direitos”. Um CDB resgatado, por outro lado, vai na aba “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.

A seguir, você encontra o passo a passo de cada uma dessas possibilidades.

 

CDB que não foi resgatado

O passo a passo para declarar CDBs ainda não resgatados no Imposto de Renda é o seguinte:

  1. Acesse o programa de declaração do IR;
  2. Clique na aba “Bens e Direitos” e clique para adicionar um novo bem;
  3. Selecione o grupo “04 – Aplicações e Investimentos”;
  4. Escolha o código “02 – Títulos públicos e privados sujeitos à tributação”;
  5. Informe a localização como “105 – Brasil”;
  6. Insira o CNPJ da instituição financeira onde fez o investimento (banco ou corretora);
  7. Em “Discriminação”, informe o nome do emissor e os detalhes do CDB;
  8. Preencha os saldos da aplicação conforme informado no seu Informe de Rendimentos.

Lembre-se: os CDBs mantidos na sua carteira são parte do seu patrimônio e, por isso, devem ser informados na declaração do IR, mesmo que o IR seja retido na fonte. Esse procedimento serve para registrar que esses títulos estavam sob sua posse no último dia do ano.

CDB resgatado ou vencido

Ao acessar o programa de declaração do Imposto de Renda, siga os passos abaixo:

  1. Acesse a aba “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”;
  2. Clique em “Novo” e selecione o código “06 - Rendimentos de aplicações financeiras”;
  3. Escolha o Tipo de Beneficiário (titular ou dependente, se houver);
  4. Informe seu CPF, o CNPJ da Fonte Pagadora e o Nome da Fonte Pagadora (instituição financeira onde investiu);
  5. Consulte o Informe de Rendimentos e preencha o campo “Valor” com o rendimento líquido do CDB;

Atenção: para cada CDB (seja ele resgatado ou mantido), é preciso preencher uma nova ficha em “Bens e Direitos” com as informações do informe de rendimentos do banco ou corretora.

Documentos necessários para a declaração 

Antes de mais nada, para fazer a declaração do IR é preciso ter em mãos o Informe de Rendimentos, documento enviado por sua corretora ou banco. 

Esse documento contém informações detalhadas, como o tipo de investimento, o valor aplicado e os rendimentos obtidos. Ele traz todos os dados necessários para preencher corretamente os campos na declaração.

Abaixo, está a lista de informações necessárias para declarar um CDB no IR:

  • Comprovantes de aplicação no CDB;
  • CPF, nome completo, data de nascimento e endereço;
  • Nome do banco ou corretora que faz a custódia do CDB;
  • Número da conta no banco ou corretora;
  • Valor aplicado no CDB;
  • Valor do imposto retido na fonte pelo banco ou corretora;
  • Valor dos rendimentos totais do CDB;
  • Valor resgatado e data de resgate (se houver resgate antecipado).

O que acontece se não declarar CDB no IR? 

Deixar de declarar o CDB no Imposto de Renda pode acarretar em multas, além de problemas com a Receita Federal, que podem incluir restrições financeiras. Em casos mais graves, a omissão pode ser considerada sonegação fiscal, com implicações legais.

Por isso, para evitar problemas, siga as instruções feitas acima e faça a declaração dentro do prazo. 

Se você ainda não está convencido das consequências de deixar de declarar um CDB, permita-me explicar cada uma delas em detalhes:

  • Aplicação de multas e penalidades: deixar de informar CDBs na declaração pode causar problemas com a Receita Federal, inclusive a cobrança de impostos e multas, dependendo da situação. Já para quem é obrigado a declarar e entrega o IR fora do prazo, a multa é de 1% ao mês sobre o imposto devido, limitada a 20%, com valor mínimo de R$ 165,74.
  • Inclusão na malha fina: se o CDB não for declarado corretamente, você pode ser incluído na malha fina da Receita Federal. Isso significa que sua declaração será retida para revisão, o que pode atrasar a restituição e gerar a necessidade de ajustes e correções, gerando mais dor de cabeça.
  • Aplicação de restrições financeiras e creditícias: a falta de declaração do CDB pode afetar sua reputação financeira, resultando em restrições no mercado de crédito. Bancos e financeiras podem negar empréstimos, financiamentos ou até mesmo complicar sua aprovação para futuros investimentos.
  • Prisão por sonegação fiscal: em casos extremos de omissão deliberada de informações, deixar de declarar seus investimentos pode ser considerado como indício de sonegação fiscal — ou seja, a tentativa de burlar as leis tributárias brasileiras. Isso pode levar a sanções severas, incluindo a prisão. 

Quais são os investimentos isentos de Imposto de Renda? 

As aplicações do mercado financeiro que não sofrem incidência de IR são:

  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA): são títulos emitidos por bancos para captar recursos destinados aos setores imobiliário e do agronegócio, respectivamente. Assim como os CDBs, contam com a proteção do FGC, dentro dos limites estabelecidos. Tendem a apresentar menor liquidez.
  • Certificado de Recebíveis Imobiliário (CRI) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA): são títulos emitidos por securitizadoras e ligados a valores que empresas têm a receber nos setores imobiliário e do agronegócio. Não possuem cobertura do FGC. Além disso, costumam ter prazos longos e riscos ligados à qualidade dos créditos que sustentam a operação.
  • Debêntures incentivadas: são títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura, como rodovias e geração de energia. Não contam com a proteção do FGC, por isso, é importante avaliar a capacidade de pagamento da empresa emissora, além dos prazos e da liquidez do título.

Alerta: esse conteúdo cai na prova

Por isso, guarde na memória: para calcular corretamente o rendimento líquido de um CDB, você precisa olhar para o prazo da aplicação, identificar os rendimentos e aplicar os impostos correspondentes. 

Se você está estudando para uma certificação financeira, minha dica é aproveitar os exemplos deste artigo para treinar. Mude o valor aplicado, altere o prazo de resgate e veja como a alíquota interfere no resultado. Quando você entende o cálculo, fica muito mais fácil resolver uma questão mesmo que a banca apresente números diferentes.

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