Você vai ver: alguns conceitos vão se repetir ao longo de toda a sua carreira financeira. O ágio e o deságio, é claro, são dois deles.

Toda vez que você for adquirir um título do Tesouro Selic e entrar no painel de compra e venda do site da sua corretora de valores ou mesmo do Tesouro Direto, você vai encontrar uma taxa de compra e uma taxa de venda, onde é aplicado o Ágio, Deságio e Formas de Negociação dos TPF.

O que é ágio e deságio?

Apesar de estar lá o tempo todo, muita gente não entende o que elas são exatamente. Agora, porém, você vai entender:

Ágio

A taxa de ágio significa que o produto está com um valor maior do que aquele que é normalmente negociado no mercado. 

Assim, você pode entender que o ágio é como um pedágio. Ou seja, é uma cobrança adicional que deixa o rendimento um pouco menos rentável.

Deságio

O deságio, como é possível presumir, é o seu oposto. Isso significa, portanto, que o produto está com um preço abaixo do normal. Por isso, quem compra o investimento com deságio, por exemplo, é quem recebe o pedágio. Na prática, um dinheiro a mais.

Outra maneira de se lembrar desses conceitos é assim: o ágio favorece o vendedor, enquanto o deságio é vantajoso para quem compra o produto.

O que é ágio e deságio em títulos públicos?

Os conceitos de ágio e deságio podem afetar títulos públicos de diferentes formas. Olha só:

Tesouro Selic

O Tesouro Selic pode ser negociado tanto em ágio, quanto em deságio. No primeiro, uma taxa negativa aparecerá na hora da compra. No segundo, pelo contrário, a taxa será positiva. Há, ainda, a chance de nenhum dos dois estarem lá, quando a taxa está zerada.

Essas taxas, quando existem, levam em consideração o valor da Selic. Ou seja, são obtidas por meio da multiplicação da cotação pelo Valor Nominal Atualizado da Selic.

Tesouro IPCA

No caso do Tesouro IPCA, o ágio e o deságio são considerados apenas quando o investidor vende o título antes do prazo combinado.

Funciona assim: ao vender o título, o valor dele estará atrelado ao mercado atual. Portanto, apresentará ágio ou deságio em relação à taxa combinada anteriormente. Em suma, esse valor pode ser maior ou menor do que aquele que o investidor pagou no princípio.

Tesouro pré-fixado

Os títulos do Tesouro pré-fixado refletem diariamente as condições pelas quais estão sendo negociados no mercado. Os títulos com vencimento mais longo, aliás, são mais sensíveis a essas oscilações.

Como o seu preço considera o valor futuro trazido ao valor presente, o título sempre pode ser impactado pelos conceitos de ágio e deságio.

Como funciona o ágio e o deságio?

Para entender melhor esses dois conceitos, vamos à duas peculiaridades no seu funcionamento.

Valor de face

O valor de face também é conhecido como valor de resgate. Ou seja, é o dinheiro que espera-se receber de um título após o seu vencimento.

Para te ajudar a entender o que o ágio e o deságio têm a ver com o valor de face, vamos a um exemplo.

Suponhamos que um título esteja sendo negociado por R$500, mas nós sabemos que ele vale R$1000. Ou seja, ele está com deságio. Ao comprá-lo, porém, o investidor sabe que vai ter R$500 de rentabilidade. Somando estes R$500 ao valor que ele pagou pelo título (também R$500), ele chega ao valor de face do título.

Valor de mercado

Enquanto o valor de face diz respeito ao valor que um título vai custar no futuro, o valor de mercado se refere ao valor presente. Para entendermos melhor, vamos outra vez a um exemplo.

Pensemos, portanto, na situação anterior: um título cujo valor de face é de R$1000, mas seu valor de mercado atual é de R$500. Se o investidor que o comprou começar a perceber uma procura crescente por esse título, pode vendê-lo por R$600. Isso porque o título se valorizou, ou seja, teve um ágio agindo sobre o seu valor de mercado.

Ágio e deságio no Tesouro Direto

Para você entender de uma vez por todas os efeitos do ágio e do deságio no Tesouro Direto, eu trouxe um exemplo mais específico. Para isso, vamos considerar o IPCA. Como você deve lembrar, esses conceitos se aplicam ao IPCA quando os títulos são vendidos antes do prazo.

Portanto, para este exemplo, vamos trabalhar com essa hipótese. Aqui, um investidor comprou um título IPCA+5% e está vendendo ele antes do prazo combinado.

IPCA a 2%

Aqui, o investidor vende o título em 2025. Nesse ano, o produto continua pagando o IPCA+5%. Contudo, a taxa de referência caiu e o governo agora vende títulos que pagam IPCA+7%.

Por essa razão, na hora da venda, estes mesmos títulos terão que ser negociados por um valor abaixo do praticado anteriormente. Do contrário, eles não serão interessantes. Ou seja, o investidor venderá os títulos com deságio.

IPCA a 7%

Nesse exemplo, a suposta venda vai acontecer em 2027. Dessa vez, o governo está emitindo títulos que pagam IPCA+2% ao ano. Como a taxa diminuiu, o título do investidor se valorizou. Assim, ele pode vendê-lo com ágio e receber um valor proporcionalmente maior ao que pagou anos atrás.

Como ágio e deságio influenciam outros investimentos?

Até aqui, entendemos como o ágio e o deságio influenciam os investimentos de títulos públicos. Contudo, esses conceitos também têm seus efeitos em demais investimentos.

Em outras aplicações de renda fixa, por exemplo, ambos agem de formas bastante semelhantes às que aprendemos até então. 

No que tange à renda variável, entretanto, a mudança pode ser mais significativa. Se uma ação está com deságio, significa que um investidor pode comprá-la por um preço menor do que ela realmente vale. No âmbito dos investimentos, chamamos isso de “oportunidade”. 

O contrário, obviamente, também existe: ações que estão mais caras do que deveriam. Dessa forma, o investidor que se interessa por renda variável precisa analisar bem o mercado para saber identificar quando o ágio e o deságio estão causando impactos em seus planos.

Quais as formas de negociação dos TPF?

Após revelarmos o ágio e o deságio, é importante falarmos sobre as formas de negociação dos Títulos Públicos Federais (TPF).

Os TPFs são os ativos de Renda Fixa encontrados em nosso mercado. Eles têm o objetivo de captar recursos financeiros para a dívida pública e do Governo Federal. Além disso, apresentam um risco muito baixo por serem ativos do governo.

Suas negociações são bem conhecidas no Mercado Financeiro. Porém, é importante relembrarmos:

Títulos Pós Fixados

  • LTN, NTN-B e NTN-B Principal;
  • Esses títulos foram “aplicados” no ano de 2.000 e valiam inicialmente R$ 1.000,00. Desde então, são apregoados com juros.

Títulos Pré Fixados

  • LTN e NTN-F;
  • Tem o valor de face estabelecido em R$ 1.000,00. São sempre negociados com deságio frente ao valor de face.

Exemplo de ágio e deságio

Agora você já conhece várias formas de vermos o ágio e o deságio na hora de comprar títulos. Contudo, esses dois conceitos podem se manifestar de inúmeras outras formas na carreira bancária, e na vida da população em geral. 

Vamos supor, por exemplo, que uma pessoa compre um produto parcelado em 12 vezes. Para que isso seja possível, a instituição financeira vai aplicar juros nessa transação. Se compararmos o valor inicial do produto com o valor final, após os juros, teremos um aumento desse valor. Ou seja, teremos um caso de ágio.

Onde aprender mais sobre ágio e deságio?

Como eu já disse, o ágio e o deságio vão se manifestar de formas diferentes ao longo da sua carreira. Aqui, tivemos uma visão geral dos principais pontos e definições desses dois conceitos. Contudo, é preciso continuar a sua jornada de estudos para mandar muito bem na sua carreira.

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