Entender quais são as melhores ações para iniciantes não é uma tarefa simples, já que é praticamente impossível dizer que determinado ativo é, definitivamente e permanentemente, melhor do que os demais. 

O que acontece é que cada ação precisa ser analisada a partir de uma perspectiva que envolve riscos, prazos, objetivos e condições de mercado diferentes específicos, então uma comparação só faz sentido quando esses fatores entram na análise.

Uma empresa emissora pode ter resultados excelentes e, ainda assim, não fazer sentido em determinada estratégia ou momento. Outra pode pertencer a um setor considerado estável, mas estar endividada ou negociada a um preço pouco atrativo. 

Por isso, mais importante do que procurar uma resposta pronta é entender as particularidades de cada investimento e saber quais informações analisar.

É esse raciocínio que vamos seguir por aqui, começando pelo básico e avançando até os critérios usados para avaliar ações, montar uma carteira e escolher onde investir. Bora comigo entender:

  • Como começar a investir do zero;
  • Qual é o melhor investimento hoje para iniciantes;
  • Qual a melhor ação para começar a investir;
  • Este é um bom momento para começar a investir em ações;
  • Como montar uma carteira de ações para iniciantes;
  • Qual a melhor plataforma de investimento para iniciantes;
  • O que saber antes de começar a investir.

Bora?

Como começar a investir do zero?

Para começar a investir, não é preciso conhecer todos os produtos do mercado financeiro, mas é preciso, sim, saber quanto risco pode ser assumido, por quanto tempo o dinheiro pode ficar aplicado e quais produtos fazem sentido para cada objetivo.

Tudo isso interfere na escolha de títulos e ativos e, abaixo, eu explico o porquê.

Entenda o perfil de investidor

Antes de escolher um investimento, é importante entender quanto risco a pessoa está disposta e tem condições financeiras de assumir. E para isso temos o perfil de investidor, também chamado de teste de suitability (guarde esse termo na memória, ele vai aparecer em muitas provas de certificações financeiras).

Para chegar nessa classificação, entram na análise fatores como objetivos, prazo, situação financeira, necessidade futura de recursos, conhecimento sobre investimentos e tolerância ao risco. 

Os três perfis mais comuns são conservador, moderado e arrojado, mas algumas instituições adotam classificações adicionais, como o agressivo. Olha só:

Perfil

Como costuma se comportar

Conservador

Prioriza segurança, preservação do patrimônio e liquidez. Tem baixa tolerância a perdas e oscilações e, por isso, tende a concentrar uma parcela maior da carteira em produtos de menor risco.

Moderado

Aceita alguma oscilação em busca de retornos maiores, mas ainda mantém uma preocupação importante com a preservação do patrimônio. Pode combinar renda fixa e renda variável em proporções compatíveis com seus objetivos.

Arrojado

Tem maior tolerância às oscilações e aceita assumir riscos mais elevados em busca de retorno. Normalmente consegue lidar melhor com períodos de queda e pode destinar uma parcela maior da carteira à renda variável.

Agressivo

Quando a instituição separa esse perfil do arrojado, representa o maior nível de tolerância ao risco. Pode aceitar perdas e oscilações mais intensas e utilizar produtos e estratégias mais complexos.

Importante: não pense que essa classificação é uma regra rígida para todos os ativos da carteira. Ser arrojado não quer dizer colocar todo o patrimônio em ações, por exemplo, assim como ser conservador não significa necessariamente manter 100% do dinheiro em títulos de renda fixa.

Uma pessoa arrojada pode manter parte relevante do patrimônio em renda fixa para diversificar a carteira, preservar recursos destinados a objetivos específicos ou manter uma reserva com maior liquidez. Da mesma forma, mesmo uma pessoa conservadora que conhece bem o mercado pode decidir destinar uma pequena parcela do patrimônio às ações, desde que compreenda e aceite os riscos envolvidos.

O perfil serve, portanto, mais como uma orientação para a construção do portfólio como um todo.

Defina o objetivo e o prazo

O dinheiro que será necessário daqui a seis meses não deve ser tratado da mesma maneira que aquele destinado à aposentadoria daqui a 30 anos. O prazo disponível muda quanto risco pode ser assumido, quanta liquidez será necessária e quanto tempo existe para lidar com eventuais oscilações.

Alguns objetivos ajudam a visualizar essa diferença:

  • Curto prazo: reserva para uma viagem, entrada de um carro, pagamento de um curso ou uma compra planejada para os próximos meses. Aqui, preservar o dinheiro e conseguir acessá-lo na data necessária costuma ter bastante importância;
  • Médio prazo: entrada de um imóvel, abertura de um negócio ou outro projeto previsto para os próximos anos. Existe mais tempo disponível, mas ainda assim é preciso controlar o risco de chegar à data planejada com menos dinheiro do que o necessário;
  • Longo prazo: aposentadoria, independência financeira ou formação de patrimônio. Como o horizonte é maior, existe mais espaço para considerar ativos sujeitos a oscilações ao longo do caminho, desde que sejam compatíveis com o perfil e a estratégia.

O problema de ignorar o prazo aparece justamente quando o investimento não está disponível ou vale menos no momento em que o dinheiro é necessário.

Pense em alguém que separou R$ 30 mil para dar entrada em um carro daqui a oito meses e decidiu colocar todo o valor em ações. Se o mercado cair 20% perto da data da compra, essa pessoa terá duas opções pouco interessantes: adiar o objetivo ou vender as ações e sair com um prejuízo grande para lidar.

Também pode acontecer o contrário. Um produto pode não oscilar tanto, mas ter vencimento ou carência incompatível com o objetivo. Nesse caso, o problema não está necessariamente na rentabilidade ou no risco de perda, mas no fato de o dinheiro não estar disponível quando deveria.

É por isso que objetivo e prazo vêm sempre antes da escolha do produto. 

Conheça risco, retorno e liquidez

Risco, retorno e liquidez são três características básicas para comparar investimentos, mas elas precisam ser analisadas em conjunto. Olhar apenas para quanto um produto pode render deixa de fora boa parte das informações necessárias para entender se ele realmente faz sentido.

Vamos às definições?

  • Risco: é a possibilidade de o resultado ser diferente do esperado. E não existe apenas um tipo. Há o risco de mercado, quando o preço do ativo oscila; o risco de crédito, quando o emissor pode não cumprir suas obrigações; e o risco de liquidez, quando é difícil vender ou resgatar o investimento pelo valor esperado. Cada produto combina esses riscos de uma maneira diferente;
  • Retorno: é o ganho proporcionado pelo investimento. Ele pode ser conhecido por uma regra previamente definida, como acontece na renda fixa, ou depender da valorização do ativo e dos resultados de uma empresa, como ocorre com as ações. Também é importante diferenciar retorno bruto de líquido, já que impostos, taxas e outros custos podem reduzir o valor que efetivamente fica com a pessoa investidora;
  • Liquidez: indica a facilidade de transformar o investimento novamente em dinheiro. Alguns produtos permitem resgate em pouco tempo, enquanto outros exigem esperar uma data específica ou encontrar alguém disposto a comprá-los no mercado. 

É aqui que começam os trade-offs. Um produto pode oferecer uma remuneração maior justamente porque exige deixar o dinheiro aplicado por mais tempo. Outro pode oferecer possibilidade de retornos maiores, mas expor o patrimônio a oscilações bem mais fortes.

Até investimentos da mesma classe podem ser muito diferentes. Um CDB com liquidez diária emitido por um grande banco e uma debênture de longo prazo emitida por uma empresa são ambos de renda fixa, mas apresentam estruturas de liquidez, risco de crédito e proteção completamente diferentes.

Comece pelo que você consegue entender

Para quem está começando do zero, faz sentido partir de produtos cuja dinâmica seja mais fácil de acompanhar. Na renda fixa, o Tesouro Direto e determinados CDBs costumam cumprir bem esse papel, porque é relativamente simples identificar quem recebeu o dinheiro, como a remuneração é calculada, quando o recurso pode ser resgatado e quais riscos existem.

No Tesouro Selic, por exemplo, o dinheiro é aplicado em um título público cuja rentabilidade acompanha a taxa Selic. Já em um CDB, o recurso é emprestado a uma instituição financeira em troca de uma remuneração definida pelas condições do título. Antes de investir, é possível verificar tudo o que importa: prazo, liquidez, rentabilidade e emissor.

Isso não torna esses produtos livres de risco nem quer dizer que toda renda fixa seja simples, é claro. Debêntures, CRIs, CRAs e determinados títulos de longo prazo podem exigir uma análise bem mais detalhada de crédito, mercado e liquidez.

E se a pessoa já conhece a renda fixa e quer começar a estudar ações, a mesma lógica continua valendo: não é necessário começar pela empresa mais complexa da bolsa.

Uma companhia mais fácil de entender costuma ter um modelo de negócio claro, fontes de receita identificáveis e informações financeiras que permitam acompanhar de onde vêm seus resultados. 

Antes de comprar a ação, deveria ser possível responder perguntas como:

  • O que essa empresa vende?
  • De onde vem a maior parte da receita?
  • O negócio dá lucro?
  • A empresa gera caixa?
  • Quanto ela deve?
  • Quem são seus principais concorrentes?
  • O que pode fazer suas receitas aumentarem ou diminuírem?
  • Quais fatores representam os maiores riscos para o negócio?
  • Por que o preço da ação poderia subir ou cair?

Uma empresa conhecida também não é automaticamente uma empresa fácil de analisar. Conhecer a marca como consumidor é diferente de entender o negócio como uma companhia aberta. Bancos, empresas de commodities, holdings e negócios muito expostos à regulação, por exemplo, podem exigir conhecimentos específicos para interpretar corretamente seus números.

Qual é o melhor investimento hoje para iniciantes?

Não existe um único investimento que seja o melhor para todo iniciante, já que perfil de risco, objetivo, prazo e necessidade de liquidez continuam sendo determinantes para essa escolha.

Ainda assim, a renda fixa costuma concentrar algumas das alternativas mais simples para começar. Nessa classe, a regra usada para calcular a remuneração é conhecida desde a aplicação, o que facilita entender de onde virá o retorno.

Entre as alternativas mais conhecidas e mais simples estão:

  • Tesouro Selic: acompanha a taxa Selic, possui liquidez e apresenta pouca oscilação diária em comparação com outros títulos públicos. Por essas características, é bastante utilizado para objetivos de curto prazo e reservas de emergência;
  • CDB com liquidez diária: permite solicitar o resgate sem precisar esperar necessariamente pelo vencimento. Quando emitido por uma instituição sólida, pode reunir uma dinâmica relativamente simples de remuneração e risco;
  • LCIs e LCAs: também podem ser alternativas de renda fixa relativamente simples, mas é preciso observar prazo, liquidez, remuneração e regras específicas de cada emissão.

Importante: apesar desses exemplos, lembre-se que a renda fixa, por si só, não significa que todo título vá ser simples ou livre de risco. Uma debênture, por exemplo, exige avaliar a capacidade de pagamento da empresa emissora, as características da emissão, as garantias e a liquidez do papel. CRIs e CRAs também podem ter estruturas mais complexas.

Então, até dentro da classe normalmente associada aos iniciantes, existe bastante diferença entre um produto e outro.

Qual a melhor ação para começar a investir?

Não existe uma ação específica que seja a melhor porta de entrada para todo mundo. Se a intenção é analisar empresas com comportamento historicamente mais estável, porém, companhias grandes, consolidadas e com negócios mais previsíveis costumam ser um ponto de partida mais simples para estudo.

É nesse contexto que aparece o termo blue chip, usado para se referir a ações de companhias grandes, consolidadas, com alta liquidez e relevância no mercado. Não é que essa denominação transforme esses empresas em investimentos sem risco, ou que garanta valorização. As blue chips seguem sendo ações e, portanto, ativos de renda variável. 

A categoria serve apenas para que a pessoa investidora tenha um norte mais específico para começar a analisar possíveis boas ações para começar a investir.

Para analisar se uma ação apresenta características de maior estabilidade, vale observar:

  • Histórico de receitas e lucros: é preciso checar se a empresa consegue manter ou aumentar suas receitas e gerar lucro com alguma consistência. Resultados muito instáveis ou prejuízos recorrentes merecem uma investigação maior;
  • Geração de caixa: lucro contábil não é tudo. É importante verificar se a operação efetivamente gera caixa para sustentar o negócio, pagar dívidas e financiar investimentos;
  • Nível e perfil do endividamento: aqui, se observa quanto a empresa deve em relação à sua capacidade de pagamento, quando essas dívidas vencem e quanto custam. Dívidas elevadas ou concentradas no curto prazo podem aumentar o risco;
  • Margens da companhia: margens estáveis ou crescentes podem indicar que a empresa consegue controlar custos e preservar sua rentabilidade. Quedas recorrentes podem mostrar que o negócio está ficando menos rentável;
  • Vantagens competitivas: marcas fortes, escala, tecnologia, custos menores, contratos de longo prazo ou barreiras de entrada podem ajudar a empresa a defender sua posição diante dos concorrentes;
  • Posição dentro do setor: vale entender se a companhia é líder, uma concorrente relevante ou uma empresa pequena em um mercado dominado por outras. Também é importante observar se ela ganha ou perde participação;
  • Qualidade e histórico da administração: decisões sobre aquisições, dívidas, investimentos e uso do caixa ajudam a mostrar como a gestão administra os recursos da companhia ao longo do tempo;
  • Liquidez das ações na bolsa: quanto maior o volume de negociação, maior tende a ser a facilidade para comprar ou vender a ação sem provocar grandes diferenças de preço;
  • Sensibilidade aos ciclos econômicos: alguns negócios mantêm uma demanda relativamente estável mesmo em períodos ruins, enquanto outros dependem bastante de juros, crédito, renda, emprego ou crescimento econômico;
  • Histórico de distribuição de resultados: quando dividendos fazem parte da estratégia analisada, observe se os pagamentos são sustentados por lucros e geração de caixa e se apresentam alguma regularidade ao longo dos anos.

E ainda falta uma variável importante: o preço da ação. Encontrar uma empresa sólida não basta, porque até uma ótima companhia pode se transformar em um investimento pouco interessante se suas ações forem compradas por um preço alto demais.

É aqui que entra o valuation, uma análise que busca estimar quanto uma empresa ou uma ação pode valer. 

Existem diferentes formas de fazer isso, desde múltiplos como P/L, P/VP e EV/Ebitda até modelos mais completos, como o fluxo de caixa descontado. Nenhum desses indicadores deve ser analisado sozinho, é claro, mas ainda assim eles ajudam a comparar o preço atual com os resultados, o patrimônio, a geração de caixa e as perspectivas da companhia.

Pense, por exemplo, em uma empresa que acabou de apresentar um excelente resultado. 

Se o mercado já esperava esse desempenho e o preço da ação incorporava expectativas ainda maiores, a cotação pode até cair depois da divulgação. Da mesma forma, uma ação que caiu muito não se tornou automaticamente barata: o preço menor pode refletir uma piora real nos fundamentos da empresa.

Melhores ações para investir a curto prazo

Quando o prazo fica curto, a análise muda bastante. Afinal, ações podem sofrer oscilações relevantes em questão de dias ou até horas, e não existe nenhuma garantia de que haverá tempo suficiente para uma eventual recuperação antes da venda.

Entre os pontos que passam a exigir atenção aqui estão:

  • Liquidez: ações muito pouco negociadas podem dificultar entradas e saídas pelo preço esperado;
  • Volatilidade: é preciso entender quanto aquele ativo costuma oscilar e qual perda a operação pode suportar;
  • Calendário corporativo: divulgação de resultados, assembleias e outros eventos podem provocar movimentos relevantes;
  • Notícias sobre a companhia: mudanças de gestão, aquisições, problemas regulatórios ou revisões de projeções podem alterar rapidamente o preço;
  • Cenário econômico: juros, inflação, câmbio e dados de atividade podem atingir setores diferentes de maneiras diferentes.

Isso não quer dizer que operações curtas não existam. Há quem compre e venda ações com algumas semanas ou dias de intervalo. Inclusive, você com certeza já ouviu o termo day trade, que se refere à estratégia de comprar e vender uma ação no mesmo pregão, ou seja, no mesmo dia.

O que muda nesse tipo de prática é o grau de acompanhamento necessário. Em horizontes tão curtos, pode ser preciso:

  • Acompanhar o mercado durante o pregão; 
  • Definir previamente pontos de entrada e saída; 
  • Estabelecer limites de perda; 
  • Controlar o tamanho de cada posição; 
  • Reagir rapidamente a notícias, indicadores econômicos e movimentos bruscos de preço. 

No curto prazo, qualquer divulgação de inflação, decisão de juros ou fato relevante da empresa pode alterar a cotação em poucos minutos.

Além disso, quanto menor o horizonte, menos a operação depende apenas dos fundamentos de longo prazo da companhia e mais importa entender o comportamento do preço naquele período. 

Melhores ações para investir a longo prazo

No longo prazo, a análise tende a olhar menos para o que pode acontecer com a cotação na próxima semana e mais para a capacidade da empresa de continuar gerando resultados ao longo dos anos.

Alguns critérios ganham bastante importância quando o horizonte temporal é maior:

  • Crescimento consistente de receita e lucro: mais do que crescer muito em um único ano, vale observar se a companhia consegue expandir seus resultados ao longo de períodos maiores e se esse crescimento tem uma origem sustentável;
  • Capacidade de gerar caixa: uma empresa precisa transformar suas operações em dinheiro suficiente para manter o negócio, investir, pagar dívidas e financiar seu crescimento sem depender constantemente de novos recursos;
  • Endividamento sustentável: dívidas podem fazer parte da estratégia de crescimento, mas precisam ser compatíveis com a geração de caixa. Também vale observar custo, vencimentos e evolução desse endividamento;
  • Rentabilidade do negócio: indicadores de rentabilidade ajudam a entender quanto resultado a empresa consegue gerar a partir dos recursos que utiliza. Uma companhia pode crescer em tamanho sem necessariamente se tornar mais rentável;
  • Qualidade da gestão: decisões tomadas hoje podem produzir efeitos durante muitos anos. Por isso, vale acompanhar como os administradores alocam capital, fazem aquisições, assumem dívidas e conduzem os planos de expansão;
  • Vantagens competitivas: empresas capazes de preservar participação de mercado, margens e clientes diante da concorrência tendem a ter melhores condições de sustentar seus resultados no tempo;
  • Capacidade de adaptação: tecnologias mudam, novos concorrentes aparecem e hábitos de consumo evoluem. É importante observar se a companhia consegue atualizar produtos, processos e estratégias sem comprometer o negócio;
  • Perspectivas para o setor: uma empresa pode ser bem administrada e ainda enfrentar um mercado que está encolhendo ou passando por uma transformação importante. Regulação, concorrência, tecnologia e demanda futura também entram nessa conta;
  • Preço em relação aos fundamentos: mesmo pensando em vários anos, o preço de entrada importa. É preciso avaliar se a cotação faz sentido diante dos lucros, da geração de caixa, dos riscos e do crescimento esperado para a companhia.

Alguns setores são considerados mais previsíveis. Energia elétrica, saneamento, seguros e determinados segmentos financeiros são alguns exemplos. Outros, como tecnologia, varejo ou commodities, podem responder de maneira diferente aos ciclos econômicos e ter oscilações mais relevantes.

É claro que, mesmo com essa classificação de setores, vale lembrar que um setor sólido não salva automaticamente uma empresa ruim, assim como pertencer a um setor volátil não transforma toda companhia em um mau negócio. Mudanças regulatórias, tecnológicas e de comportamento do consumidor podem alterar completamente um mercado ao longo dos anos.

É justamente por isso que uma análise de longo prazo significa estar sempre tentando entender se uma alta ou queda no preço de uma ação se trata de um momento passageiro, normal do ciclo do negócio, ou se é uma alteração mais estrutural e que merece mais atenção.

Melhores ações para investir que pagam dividendos

Companhias mais maduras e inseridas em negócios que exigem menos reinvestimento para continuar crescendo podem ter mais espaço para distribuir resultados. Por isso, empresas de setores como energia elétrica, bancos, seguros, telecomunicações e saneamento aparecem com frequência entre pagadoras de dividendos.

Mas não basta procurar o maior dividend yield, ou seja, a maior porcentagem de dividendos. É importante analisar também:

  • Histórico de pagamentos;
  • Lucros e geração de caixa que sustentam os dividendos;
  • Política de distribuição da companhia;
  • Endividamento;
  • Necessidade de investimentos no próprio negócio;
  • Regularidade dos resultados;
  • Possibilidade de pagamentos extraordinários que não devem se repetir.

A periodicidade desses pagamentos também varia. Algumas companhias têm histórico bastante regular de distribuições, enquanto outras podem pagar em momentos diferentes conforme seus resultados e deliberações societárias.

Por isso, para saber quanto uma empresa efetivamente distribui e com qual frequência, é preciso sempre consultar seu estatuto, sua política de remuneração aos acionistas, suas demonstrações financeiras e seus comunicados ao mercado. E ainda assim você precisa lembrar que um bom histórico ajuda na análise, mas não garante que os pagamentos futuros serão iguais.

Qual é o melhor investimento para quem tem pouco dinheiro?

Para quem tem pouco dinheiro e também pouca experiência no mercado de investimentos, uma possibilidade é começar com produtos de renda fixa acessíveis e usar esse período para entender melhor como juros, liquidez e tributação funcionam. 

Dependendo do perfil e do conhecimento, uma quantia menor também pode servir para começar a ter contato com ações e observar na prática como as cotações se comportam.

O ponto mais importante é manter as expectativas proporcionais. Nenhum investimento legítimo transforma rapidamente um valor pequeno em uma grande fortuna sem assumir riscos enormes. 

Por isso, promessas de retornos extraordinários, rápidos e garantidos são sinais que merecem desconfiança, e é importante que você, enquanto profissional do mercado financeiro, saiba transmitir isso aos seus clientes.

Importante: quando o valor disponível para investir é pequeno, a construção de patrimônio tende a depender muito mais da constância dos aportes e do tempo do que da busca por uma rentabilidade extraordinária. 

Por isso, em vez de uma pessoa tentar compensar um aporte baixo assumindo riscos excessivos, fazer novos aportes regularmente é um caminho muito mais seguro (e eficaz). Dessa forma, o capital investido vai aumentando com o passar do tempo e, no longo prazo, vai também ampliando o efeito dos rendimentos acumulados.

Este é um bom momento para começar a investir em ações?

Como o mercado não se movimenta inteiro na mesma direção e pelos mesmos motivos, não há como determinado momento ser classificado como “bom” ou “ruim” para todas as ações.

Uma alta nos juros pode pressionar empresas muito endividadas, por exemplo, enquanto instituições financeiras podem reagir de outra maneira. A valorização do dólar pode ajudar determinadas exportadoras e aumentar os custos de empresas dependentes de produtos importados.

Por isso, antes de classificar determinado momento como favorável ou desfavorável, é preciso acompanhar fatores como:

  • Decisões sobre a Selic;
  • Inflação e expectativas de inflação;
  • Crescimento da economia;
  • Câmbio;
  • Mercado de trabalho e renda;
  • Resultados das empresas;
  • Endividamento das companhias;
  • Preços de commodities;
  • Mudanças regulatórias;
  • Cenário internacional;
  • Eventos específicos de cada setor e empresa.

Cada setor vai sentir essas variáveis de um jeito, por isso, para te ajudar a conseguir fazer esse tipo de análise, trouxe uma tabela comparativa entre os principais setores da economia brasileira:

Setor

O que pode afetar as empresas

O que acompanhar

Bancos

Inadimplência, demanda por crédito, spreads, mudanças regulatórias e atividade econômica

Selic, concessão de crédito, inadimplência, margens financeiras e resultados

Varejo

Juros, renda disponível, emprego, inflação e endividamento das famílias

Vendas no varejo, confiança do consumidor, Selic, emprego e inflação

Construção civil

Custo do crédito, financiamento imobiliário e preço de materiais

Juros, lançamentos, vendas, distratos e custos de construção

Energia elétrica

Regulação, chuvas, preços de energia, concessões e endividamento

Reservatórios, decisões da Aneel, tarifas, dívida e investimentos

Petróleo e gás

Preço internacional do petróleo, câmbio, produção e decisões regulatórias

Brent, dólar, produção, custos e política de preços

Mineração e siderurgia

Demanda global, principalmente asiática, preço do minério e atividade industrial

Minério de ferro, economia chinesa, produção e câmbio

Agronegócio

Clima, preços internacionais, câmbio e custos de insumos

Safras, commodities agrícolas, dólar, fertilizantes e eventos climáticos

Tecnologia

Juros, crescimento esperado, concorrência e necessidade de capital

Resultados, geração de caixa, juros, crescimento de usuários e margens

Saneamento

Regulação, concessões, investimentos e tarifas

Reajustes tarifários, contratos, capex e decisões regulatórias

Seguros

Sinistralidade, juros, precificação e crescimento da carteira

Índices de sinistralidade, prêmios emitidos, resultado financeiro e Selic

Essa tabela ajuda bastante a perceber por que simplesmente dizer que “a bolsa está boa para comprar” é pouco preciso. Pode existir um cenário bastante favorável para determinado setor e, ao mesmo tempo, muito difícil para outro.

Um exemplo interessante dessa dualidade é o El Niño, fenômeno provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial e capaz de alterar os padrões de chuva em diferentes partes do Brasil. 

Por aqui, ele costuma aumentar o risco de estiagem em áreas do Norte e Nordeste e, em contrapartida, favorecer volumes maiores de chuva no Sul.

Agora, vamos trazer essa informação para as commodities agrícolas. Soja, milho, arroz, café e outras culturas dependem das condições de chuva e temperatura em diferentes fases da produção. 

Uma estiagem pode reduzir a produtividade de determinada região, enquanto chuva em excesso pode encharcar o solo, favorecer doenças, atrasar o plantio ou dificultar a colheita. No caso do arroz, a relação com a água é ainda mais evidente: mais de 80% do estoque nacional é formado por Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde predomina o cultivo irrigado.

Se um evento climático compromete uma safra importante, a expectativa de menor oferta pode pressionar o preço da commodity, mas os efeitos não param no produtor. Empresas que usam aquele produto como matéria-prima podem enfrentar custos maiores; exportadoras podem sentir mudanças nos preços internacionais e no volume disponível para venda; seguradoras podem registrar mais sinistros; e companhias de fertilizantes, máquinas e outros insumos agrícolas também podem ser afetadas pelas decisões dos produtores.

É por isso que acompanhar o mercado de ações envolve olhar além das empresas individualmente. Clima, commodities, juros, câmbio e atividade econômica podem atravessar vários setores ao mesmo tempo, mas os efeitos sobre cada companhia não serão necessariamente iguais.

Como montar uma carteira de ações para iniciantes?

A ideia principal aqui é combinar diferentes ações de maneira coerente com a estratégia e evitar que todo o resultado dependa do mesmo tipo de risco.

Um checklist básico pode incluir:

  • Definir o objetivo da carteira: crescimento patrimonial, geração de renda e preservação de capital levam a escolhas diferentes;
  • Entender o perfil de risco: a proporção destinada às ações precisa fazer sentido dentro da capacidade e da tolerância a perdas;
  • Definir o horizonte de investimento: ações podem oscilar bastante no curto prazo, então o prazo disponível faz diferença;
  • Estudar as empresas: resultados, endividamento, geração de caixa, gestão e perspectivas precisam entrar na análise;
  • Observar o preço: uma boa companhia ainda pode estar negociada a um preço pouco interessante;
  • Diversificar entre empresas e setores: possuir várias ações do mesmo setor não elimina a concentração, porque todas podem responder aos mesmos problemas;
  • Evitar concentração excessiva: uma única empresa não deveria determinar sozinha o resultado de toda a carteira;
  • Planejar os aportes: definir uma frequência ajuda a evitar que toda a posição seja construída em um único momento de mercado;
  • Acompanhar os fundamentos: depois da compra, é necessário verificar se as razões que sustentaram a análise continuam válidas;
  • Reavaliar a carteira: mudanças na empresa, no objetivo ou no próprio perfil podem exigir ajustes.

Importante: quando falo em montar uma carteira de ações, saiba que estou tratando especificamente da parcela do portfólio destinada à renda variável. Isso não quer dizer, de forma alguma, que todo o patrimônio deva estar concentrado nessa classe, ok?

Mesmo uma carteira bem diversificada, com ações de dez ou vinte empresas, distribuídas entre vários setores, continua exposta aos riscos da renda variável. Em uma queda generalizada da bolsa, por exemplo, empresas muito diferentes podem perder valor ao mesmo tempo. 

É por isso que a diversificação também precisa acontecer entre classes de ativos. 

Qual a melhor plataforma de investimento para iniciantes?

Depende dos critérios de cada um, no entanto, uma boa porta de entrada pode ser o aplicativo do próprio banco que a pessoa usa, ou uma corretora de valores, desde que a instituição esteja devidamente autorizada a oferecer os serviços correspondentes.

Na hora de comparar plataformas, alguns critérios ajudam na decisão:

  • Regularidade: conferir se a instituição está autorizada pelos órgãos responsáveis pelas atividades que oferece;
  • Usabilidade: uma plataforma bem organizada e fácil de navegar reduz a chance de erros na hora de consultar informações ou enviar uma ordem;
  • Produtos disponíveis: bancos e corretoras podem oferecer catálogos bastante diferentes (nas corretoras tende a ser bem mais amplo);
  • Custos: corretagem, custódia e outras tarifas podem ser cobradas, então é sempre melhor verificar com antecedência o que a plataforma estabelece;
  • Informações disponíveis: relatórios periódicos devem ser obrigatoriamente enviados aos investidores. Também vale checar como essas informações são apresentadas e se a plataforma compila todos os dados necessários sobre seus produtos;
  • Atendimento: um suporte acessível (e, de preferência,  humano) faz toda a diferença quando existe alguma dúvida ou problema operacional;
  • Ferramentas: gráficos, relatórios, simuladores e outras funcionalidades podem ser mais ou menos importantes dependendo do nível de experiência de cada pessoa. Aqui a análise é até mesmo relativa, já que a presença de gráficos, por exemplo, pode facilitar a vida de quem saber interpretá-los e dificultar para quem ainda está começando;
  • Segurança: autenticação em dois fatores, proteção de acesso e cuidados com movimentações financeiras merecem atenção e análise.

O que saber antes de começar a investir

Antes do primeiro aporte, existem alguns conceitos que, quando bem entendidos, evitam boa parte das confusões mais comuns:

  • Risco: todo investimento possui algum tipo de risco, até mesmo da renda fixa. Temos uma questão aqui de administrar esses riscos, e não de eliminá-los completamente. Ou seja, é preciso saber quais perdas podem acontecer e por quê;
  • Rentabilidade: retorno passado não garante resultado futuro, principalmente em ativos de renda variável, como é o caso das ações;
  • Liquidez: quando é alta, significa que o dinheiro aportado pode ser recuperado com mais facilidade. No entanto, lembre-se que ter liquidez não é a mesma coisa que não ter risco;
  • Prazo: alguns investimentos fazem mais sentido quando existe tempo para mantê-los, enquanto outros são destinados justamente ao curto prazo;
  • Tributação: Imposto de Renda, IOF e outras regras podem alterar o retorno líquido e variar bastante entre os produtos;
  • Custos: taxas de administração, performance, corretagem e outros encargos também podem reduzir o resultado;
  • Diversificação: distribuir o patrimônio entre diferentes riscos pode reduzir a dependência de um único ativo ou setor;
  • Marcação a mercado: determinados investimentos podem valer mais ou menos antes do vencimento, mesmo quando existe uma regra de remuneração previamente contratada;
  • Suitability: um produto precisa ser sempre analisado em conjunto com objetivos, situação financeira, conhecimento e tolerância ao risco.

E antes de começar a investir e de direcionar dinheiro para objetivos de longo prazo, existe uma tarefa que precisa ser feita: a de construir uma reserva de emergência. Imprevistos acontecem, e esse dinheiro serve justamente para cobrir situações que não estavam no planejamento sem obrigar a desmontar outros investimentos às pressas.

Idealmente, essa reserva precisa priorizar baixo risco e alta liquidez, como o Tesouro Selic e os CDBs de liquidez diária, emitidos por bancos sólidos. Quanto ao tamanho, ela deve ser suficiente para custear de 4 a 12 meses do seu padrão de vida atual, então o valor exato vai mudar de uma pessoa para a outra.

Ações, por sua vez, não cumprem bem o papel de reserva de emergência. Como o preço pode cair justamente quando o dinheiro for necessário, existe o risco de precisar vender em um momento desfavorável. A reserva precisa estar disponível para resolver o imprevisto, e não criar um problema novo quando ele aparecer.

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Saber analisar quais são as melhores ações para cada perfil, objetivo e momento é um conhecimento básico para quem pretende trabalhar no mercado financeiro. Afinal, risco, liquidez, diversificação e suitability não ficam só na teoria: esses assuntos aparecem nas provas de certificação e fazem parte da rotina profissional.

E quanto mais a carreira avança, mais importante fica entender não apenas como cada investimento funciona, para além das ações, mas também para quem ele pode ser adequado, quais riscos envolve e o que precisa ser analisado antes de uma recomendação.

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