Quem trabalha com investimentos tem basicamente todo o seu esforço voltado para uma parte bem importante dessa função: o investidor. Com o objetivo de oferecer a essas pessoas as aplicações mais adequadas, precisamos conhecer bem seus pormenores. Ou seja: precisamos saber que tipos de investidores esses clientes são. E como descobrir isso? Por meio de uma análise de perfil de investidor!

Preparado para aprender um pouco mais sobre esse assunto? Então, vamos lá!

O que são tipos de investidores?

O tipo de investidor tem a ver com o investidor em si. Ou seja, se é uma pessoa física ou jurídica. Essa classificação também considera se alguém é profissional, individual, qualificado ou não-residente. Como assim? Eu te explico!

Quais são os tipos de investidores?

Ok, você entendeu que cada cliente pode ser um tipo de investidor diferente dos demais. Mas que tipos são esses? Olha só:

Investidor Individual

Segundo a B3, quem não investe a partir de uma instituição, é um investidor individual. Ou seja, se o seu cliente não nutrir aplicações de forma profissional, então é nesta categoria que ele se enquadra.

De forma geral, também pode-se dizer que a definição se refere a alguém com conhecimento mais limitado sobre o mercado e seu funcionamento – justamente pelo seu caráter não-profissional.

Investidor Profissional

Um investidor profissional é aquele que, segundo a CVM, tem investimentos superiores a 10 milhões de reais – e que tenham essa condição oficializada por escrito. Ainda, podem ser pessoas físicas ou jurídicas.

Inclusive, se um investidor individual tiver esse patrimônio, ele pode ser considerado, também, como profissional – mesmo que não trabalhe com investimentos.

Dentro dessa categoria, temos também mais algumas empresas e profissionais inclusos:

  • Fundos de Investimentos;
  • Companhias seguradoras;
  • Sociedades de capitalização;
  • Clubes de investimentos, desde que sejam geridos por alguém autorizado pela CVM;
  • Agentes autônomos de carteira, analistas, administradores e consultores de valores mobiliários autorizados;
  • Todas as instituições que forem autorizadas a funcionar pelo Banco Central.

No que diz respeito à tributação, não há nenhuma grande vantagem em ser um investidor profissional. Porém, a esses profissionais e empresas estão disponíveis algumas opções de investimento mais complexas que não podem ser contratadas por outros investidores.

Investidor Qualificado

Também de acordo com a CVM, é um investidor qualificado aquele que tiver pelo menos 1 milhão de reais aplicados, seja essa pessoa física ou jurídica. Assim como um Investidor Profissional, este também deve ter uma declaração por escrito dessa condição.

Há uma exceção sobre essa regra do 1 milhão. Ou seja, mesmo que não tenham esse patrimônio, pessoas com as certificações CGA, CEA, CFP e CNPI também podem ser chamados de Investidores Qualificados.

Investidor Não-residente

Os investidores que residam no exterior, mas que tenham patrimônio investido no Brasil são os que chamamos de Não-residentes. Aqui, também se enquadram pessoas físicas e jurídicas.

Essas pessoas podem investir normalmente, tal qual qualquer residente do nosso país – desde que o façam por meio de uma instituição autorizada pelo Banco Central.

O que é perfil de investidor?

Imagine que você é um consultor de investimentos e tem vários clientes. Naturalmente, os objetivos de cada um serão diferentes dos demais. Enquanto uns, talvez, desejam a sua ajuda para arriscar grandes apostas na Bolsa de Valores, outros podem ser iniciantes no assunto e querem segurança acima de tudo.

Nomeamos esses diferentes comportamentos como “perfil de investidor”. Como cada pessoa terá condições próprias na hora de investir – patrimônio atual, objetivos, renda mensal etc. – também terá suas decisões orientadas por esses detalhes.

Em outras palavras, também posso resumir o perfil de investidor como a tolerância ao risco de determinado cliente, se eles darão passos arriscados, ou preferem ser mais comedidos.

Quais os perfis de investidores?

No que diz respeito ao perfil de investidor, temos três categorias principais. Ao analisar um cliente, portanto, ele terá que ser enquadrado em uma dessas três classificações:

Conservador

Este é o investidor que tem menos tolerância ao risco. Em geral, são pessoas que estão investindo pela primeira vez, e ainda não conhecem muito bem esse mercado. Ademais, podem estar passando por algum momento específico e mais difícil em suas vidas, o que naturalmente torna essa tolerância menor.

Um conservador normalmente opta por aplicações de renda fixa, nas quais o lucro previsto é uma certeza e as chances de perder algum dinheiro são mínimas. Além disso, também realizam aportes de menor valor.

Moderado

Um investidor moderado comumente tem um histórico de boas experiências com aplicações de renda fixa. Nesse momento de sua jornada no mercado financeiro, está se sentindo mais seguro para arriscar alguns passos maiores. 

Seja por compreender melhor o mercado, ou por dispor de condições financeiras para investimentos mais ousados, esse cliente agora já não está tão apegado à segurança quanto estaria se ainda fosse um conservador. Por outro lado, um investidor moderado também é aquele que entendeu a importância de diversificar a sua carteira, aplicando o seu dinheiro em mais de um título.

Na maior parte dos casos, um cliente tem seu perfil alterado para “moderado” quando decide fazer pequenos investimentos em renda variável. Mesmo que essa pessoa comece aos poucos, com aportes mínimos, o perfil já está passível de sofrer essa evolução.

Arrojado

Aqui, temos um investidor experiente e com patrimônio suficiente para arriscar aplicações maiores e de maior risco. Esse cliente, ao contrário dos demais, não terá a segurança como prioridade – a possibilidade de lucro será mais importante.

Não obstante, também é alguém cuja cartela de investimentos é inegavelmente variada, com aplicações que orbitam não só a renda fixa, mas também a renda variável.

Qual a diferença entre tipo de investidor e perfil de investidor?

À primeira vista, os dois termos parecem bem semelhantes. Contudo, é preciso lembrar que o tipo de investidor diz respeito ao investidor em si – se é pessoa física, jurídica, qualificado, profissional ou não-residente.

Já o perfil de investidor tem a ver com as ações desse investidor, e a sua tolerância ao risco. É, em outras palavras, um termo relacionado à forma como cada investidor se comporta na hora de aplicar o seu patrimônio.

Como descobrir o perfil de investidor?

Quando trabalhamos orientando pessoas em relação a como investir seus patrimônios, não podemos pular a etapa de descobrir qual é o seu perfil de investidor – inclusive, essa análise é obrigatória por lei.

Para encontrar o perfil de investidor de um cliente, algumas perguntas podem ser utilizadas para encontrar a resposta, tais como:

  • Qual o seu grau de conhecimento sobre o mercado financeiro?
  • Qual sua renda mensal atual?
  • Quanto da sua renda atual é gasta no pagamento de dívidas?
  • Qual o seu principal objetivo ao investir?
  • Em quanto tempo você deseja ter retorno com os seus investimentos?
  • Quanto dinheiro você pode investir mensalmente?
  • Você tem uma reserva de emergência?
  • Você tem pessoas dependentes da sua renda em sua família?
  • Como você se sente em relação aos riscos que uma aplicação pode ter?

A forma como essas perguntas são formuladas podem mudar, é claro. Contudo, é extremamente importante que esse questionário considere o momento atual do cliente, seu grau de conhecimento, sua renda e seus objetivos. Além de perguntas técnicas, ainda é aconselhável desenvolver algumas questões relacionadas à personalidade.

Por que é importante investir de acordo com o perfil de investimentos?

Nós, profissionais do mercado financeiro, devemos sempre trabalhar em prol da satisfação de nossos clientes. Por isso, devemos sempre orientá-los a investir de acordo com seus perfis para que estes obtenham resultados que estão dentro de suas expectativas.

Ao nos basearmos em um perfil, damos ao cliente a chance de desenvolver um planejamento financeiro que faça sentido. Ademais, essas pessoas assumem apenas os riscos que toleram e desfrutam de rendimentos que estão dentro de suas expectativas, sem surpresas – caso assim o desejem.

Há ainda outro detalhe importante aqui: se um investidor conservador, por exemplo, deseja fazer uma aplicação que não corresponde ao seu perfil, ele deve ser formalmente notificado dessa incompatibilidade. Essa é, aliás, mais uma obrigatoriedade legal. 

Este cliente tem, porém, a liberdade de prosseguir com a decisão de se arriscar para além de seu perfil. Todavia, deve ceder essa autorização também formalmente.

Como montar a carteira de acordo com o perfil de investidor

Independente de qual perfil de investidor você próprio detenha, ou seu cliente, eu separei aqui algumas dicas fundamentais para montar uma boa carteira de investimentos. Dá uma olhada:

Tenha uma reserva de emergência

A essa altura, todo mundo já sabe: a vida é feita de imprevistos. Não podemos, então, contar com a certeza de que, daqui um mês, estaremos na mesma situação que estamos hoje.

A reserva de emergência, portanto, existe para amparar um investidor quando algo dá errado. Logo, antes mesmo de começar a investir, é necessário – indispensável, até – ter uma boa quantia guardada. A minha recomendação é que um investidor tenha, pelo menos, o equivalente para manter o padrão de vida atual por cerca de 6 meses caso repentinamente perca a sua renda.

Conheça as alternativas disponíveis no mercado

Conhecimento é poder. Ao começar, é comum que um investidor pense em algumas poucas opções de títulos. Contudo, o mercado é vasto e há muito o que considerar. 

Como profissionais, nosso papel (um deles) será o de conscientizar os clientes sobre as oportunidades que moram nessa variedade. Ao transmitir esse conhecimento, é muito mais provável que a carteira desse cliente em questão seja mais lucrativa.

Aumente seu conhecimento sobre o mercado financeiro

Aqui, eu falo de forma geral. Desde a teoria à prática, desde os conteúdos de prova até as atualizações do dia a dia.

Todos nós sabemos que esse é um mercado complexo e em constante mutação. Por consequência, os títulos de investimento podem ser afetados de várias formas diferentes. 

Ao criar a cartela de um cliente, de acordo com o seu perfil, é importante entender profundamente os pormenores desse mercado, a fim de não cometer o erro de indicar um produto que não faz sentido para essa pessoa em questão.

Diversifique o portfólio

Um investidor inteligente não deixa todos os seus ovos em um ninho só. A diversificação tem um motivo para ser tão recomendada: quando um título vai mal, os lucros de outro podem compensar. Esse equilíbrio não traz apenas mais rentabilidade, mas também segurança.

Como eu disse, o mercado financeiro é volátil. Às vezes, algum fator prejudica determinado título, mas beneficia o outro.

O seu perfil de investidor é definitivo?

Não! Afinal, quanto mais um investidor aplica o seu patrimônio e aprende sobre esse mercado, mais tende a mudar a sua forma de investir. Por consequência, vai se sentir mais confiante e desejoso de arriscar aplicações diferentes.

Isso não significa, porém, que um investidor considerado como conservador não entende nada do assunto. Para diferentes pessoas, temos diferentes objetivos na hora de investir: pode existir, por exemplo, um conservador que tenha um bom nível de conhecimento sobre os títulos, mas atualmente deseja dar passos mais seguros.

Eu recomendo que você, como profissional, reavalie o perfil de investidor dos seus clientes periodicamente. Ademais, é aconselhável fazer essa checagem sempre que o cliente demonstrar que é necessário. A chegada de um filho ou uma perda inesperada de emprego podem ser fatores que alteram o perfil.

Como aprender mais sobre o mercado financeiro?

Os tipos de investidores e perfil de investidor são apenas dois dos assuntos que vão fazer parte da sua rotina na carreira financeira. Se a sua intenção é continuar estudando e se tornar um profissional top de linha, a gente, aqui na Top, te ajuda! Os cursos da TopInvest, por exemplo, te preparam não apenas para passar nas certificações financeiras, mas também para dominar o conhecimento sobre muitos tópicos desse universo!

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