Você já deve saber que todos os investimentos possuem riscos. Sempre que alguém lhe falar que um investimento não tem risco, fuja! É cilada.

A verdade é que existem investimentos de baixíssimo risco, como é o caso de Caderneta de Poupança, CDBs de grandes bancos ou mesmo os Títulos Públicos.

Como o risco está sempre presente você deve analizar o risco e liquidez em todos os investimentos.

Estes conceitos de risco e liquidez são importantes tanto para investidores de renda fixa como investidores de renda variável. Para que você compreenda melhor estes conceitos primeiro abordarei sobre os tipos de risco e em seguida sobre a liquidez de um investimento.

Mas o que é risco?

Segundo o dicionário “risco é probabilidade de insucesso de determinado empreendimento, em função de acontecimento eventual, incerto, cuja ocorrência não depende exclusivamente da vontade dos interessados”.  Bom, quando falamos de riscos possíveis a um investidor eles são separados em dois grandes grupos. Os riscos sistêmicos, e os riscos não-sistêmicos.

Riscos Sistêmicos

Os riscos sistêmicos são aqueles que afetam a economia como um todo e não podem ser controlados.

O maior exemplo de um risco sistêmico é uma grande crise econômica mundial como a famosa “Crise de 1929“. Este é um risco do qual o investidor não tem controle.

Os principais riscos não sistêmicos podem ser minimizados através da diversificação da carteira de investimentos. O mesmo não ocorre com o risco sistêmico. Mesmo um grande investidor com carteira que possua diversificação entre divisas (ativos em outros países) está sujeito ao risco sistêmico.

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Riscos Não Sistêmicos

O risco não sistêmico é possível ser minimizado através da diversificação dos investimentos. Diferente do risco sistêmico, o risco não sistêmico afeta apenas determinado investimento, empresa ou setor. Podemos citar como exemplo a ingerência de uma instituição financeira que a leve a falência. Este banco falido irá dar o calote nos investidores, o que pode ser minimizado através de uma simples diversificação entre instituições financeiras.

Um dos principais riscos não sistêmicos é o risco de liquidez (por isso risco e liquidez são um conhecimento importantíssimo na hora de investir). A liquidez é muito importante para um investimento, mas antes de falar de risco de liquidez temos que falar sobre o que é liquidez.

Liquidez

De forma simples, podemos conceituar este termo como a facilidade de tornar determinado ativo em liquidez corrente, ou seja, dinheiro. Desta forma risco e liquidez estão relacionados com a dificuldade de transformar um investimento em dinheiro.

Tendo conhecimento sobre o significado de liquidez é fácil lembrar de imediato alguns tipos de ativos mais líquidos e outros menos líquidos (também chamados de ilíquidos). Em termos de investimentos bancários podemos fazer uma análise dentro dos fundos de investimento.

Um fundo de investimento em renda fixa com liquidação em D+0 é um investimento de alta liquidez. Já um fundo de investimentos multimercado com liquidez em D+7 tem uma liquidez muito menor. É mais difícil transformar o fundo multimercado em liquidez corrente do que o investimento em renda fixa em dinheiro, por exemplo.

O patrimônio de uma empresa também é separado contabilmente em Ativo Circulante e Ativo Não Circulante. Uma classificação de risco e liquidez. Esta classificação é feita em função do prazo necessário para transformar estes ativos em dinheiro.

Com base nestes dados são extraídos indicadores. Estes indicadores ou índices são utilizados nas análises de concessão de crédito pois influenciam diretamente na capacidade de pagamento do tomador de crédito.

Uma empresa que possui grande concentração de patrimônio no Ativo Não Circulante (com longo prazo para liquidação) pode não ter recursos para honrar crédito de curto prazo como Capital de Giro.

O raciocínio inverso também é valido, empresas com grande concentração de ativos no Ativo Circulante e poucos ativos em longo prazo (Ativo Não Circulante) pode ter dificuldades em honrar créditos de longo prazo como financiamento de máquinas.

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Abaixo vão alguns investimentos de alta liquidez:

Poupança: Começamos pela caderneta de poupança pois ainda é o investimento mais popular do Brasil (infelizmente). Este tipo de investimento apresenta um dos piores retornos, sendo muitas vezes inferior a inflação. Mas quando falamos de risco e liquidez não há problemas.

Títulos Públicos: Esta modalidade de investimento vem se tornando mais popular a cada dia devido ao crescimento das corretoras de valores que facilitam o seu acesso bem como a sua alta rentabilidade e garantia. O Governo Federal realiza a recompra de todos os títulos públicos emitidos anulando o risco de de liquidez. Com relação ao risco de crédito também já aprendemos que é o menor possível uma vez que conta com a garantia do Tesouro Nacional. Isso torna os investimentos no tesouro direto com a melhor relação entre risco e liquidez.

Agora vamos ver alguns investimentos de liquidez variável:

Ações: A Bolsa de Valores Brasileira é muito madura e com infraestrutura de fazer inveja a países desenvolvidos. A B3 é a maior bolsa de valores da América latina negociando sozinha mais do que todas as outras bolsas juntas. Uma ação é a menor fração do capital social de uma empresa. Assim como as empresas diferem no tamanho, diferem também na relação entre risco e liquidez. Existem empresas negociadas com alto número de negócios como Itaú e Petrobrás e outras com poucos negócios como Rasip e Banrisul.

Fundos de Investimentos: Assim como as ações os fundos de investimento são produtos de imensa variedade e complexidade (conheça mais sobre os tipos de fundos de investimento). Existem fundos de investimento em ações, renda fixa, multimercado, câmbio, crédito privado, etc. Por tanto cada fundo precisa de uma análise em particular.

E agora, vamos falar de um investimento com muito pouca liquidez:

Imóveis: Os imóveis costumam ser uma excelente opção de investimento para aqueles que compreendem a liquidez reduzida deste tipo de investimento. É necessário ter paciência na hora da venda do imóvel para conseguir um comprador a preço justo. Foi com base na relação ruim entre risco e liquidez que surgiram outras formas de investimento em imóveis como os Fundos Imobiliários.

Agora que já sabemos o que é liquidez vamos falar sobre o risco de liquidez

Risco de liquidez

Como vimos acima nos investimentos existem determinados tipos de ativos que sempre apresentam uma liquidez menor ou maior. Geralmente os ativos que apresentam baixa liquidez, ou risco de liquidez são ativos de alto valor unitário. Um exemplo de caso são os imóveis ou mesmo grandes máquinas industriais. 

Como evitar o risco de liquidez

O risco de liquidez como dito anteriormente pode ser evitado com a diversificação de investimentos. Veja o exemplo abaixo:

O investidor “João da Silva” possui um milhão em moeda corrente nacional para investimento em imóveis. Para realizar o investimento com o menor risco de liquidez possível, João da Silva questiona seu consultor qual seria a melhor opção. A aquisição de 10 (dez) pequenos kitinets com valor unitário de cem mil reais cada, ou uma sala comercial térrea no valor de um milhão.

O objetivo de retorno é a rentabilidade de 0,70% ao mês através da locação destes imóveis.

Qual escolha você faria? Qual das opções tem o menor risco de liquidez, os dez kitinets ou a sala comercial?

A resposta é muito simples. A melhor opção são os dez kitinets pois eles oferecem um risco de liquidez dez vezes menor, tanto na situação da locação como em uma eventual necessidade de venda dos imóveis.

O kitinet por possuir um valor unitário menor, tanto em valor de locação como de revenda tem uma facilidade muito maior de locação ou venda.

Outro ponto que conta a favor da opção pelos kitinets é que nesta opção o risco está diluído em 10 diferentes imóveis, é possível inclusive adquiri-los em locais diferentes da cidade minimizando ainda mais os demais riscos.

O que pode causar o risco de liquidez?

Bem, o risco de liquidez pode ser causado por diversos motivos. Dependendo do mercado, pode ser por não saber onde negociar tal ativo ou mesmo que ninguém se interesse por um determinado ativo.

Também podem existir diversas causas como por exemplo, queda na classificação de crédito, saídas de caixas repentinas e inesperadas ou algum outro evento que faça com que as contrapartes evitem a sua negociação.

Risco de liquidez no Tesouro Direto

Como comentei anteriormente os investimentos no Tesouro Direto não sofrem risco de liquidez.

Isso acontece porque mesmo que haja a negociação dos títulos públicos em mercado secundário você não precisa se preocupar em encontrar um comprador uma vez que o tesouro garante a recompra dos títulos.