Renda fixa e renda variável. Ações, títulos públicos, CDBs, poupança, debêntures, fundos. Tributação, liquidez, suitability, remuneração, marcação a mercado. Impossível falar sobre diferentes tipos de investimentos sem entrar em detalhes sobre uma série enorme de outros conceitos, que estão ligados ao tema.
Tanto para atuar no mercado financeiro quanto para ir bem nas provas e conseguir suas certificações financeiras, você precisa dominar esses assuntos, já que estou falando aqui dos aspectos mais básicos desse mercado. Eles vão aparecer todo dia na sua carreira, e em basicamente todos os exames que você prestar.
Entendeu o peso desse conteúdo? Então, vem comigo para descobrir em detalhes as respostas para todas essas perguntas:
- O que é investimento?
- Quais são os tipos de investimento?
- Quais são os tipos de investimentos de renda fixa?
- Quais são os tipos de investimentos de renda variável?
- Qual é o melhor tipo de investimento hoje?
- Quais são os melhores tipos de investimentos para iniciantes?
- Como escolher um tipo de investimento?
- É seguro fazer um investimento?
Bora?
O que é investimento?
Um investimento é quando você aplica uma quantia de dinheiro em algum produto financeiro, com a expectativa de obter, no futuro, um retorno a partir dessa aplicação.
Esse retorno pode surgir de formas diferentes. Na renda fixa, por exemplo, ele vem dos juros pagos sobre o valor aplicado. Na renda variável (em uma ação, vamos supor), pode estar relacionado à valorização do produto financeiro. Tudo depende de qual ativo ou título foi escolhido, já que as formas de remuneração variam de um para o outro.
Outro ponto que caracteriza os investimentos é o grau de risco, que também muda a depender da aplicação. De um lado, temos os títulos de renda fixa que, em geral, são mais seguros, embora alguns possam apresentar oscilações maiores. Do outro, temos a renda variável, onde essas oscilações são mais frequentes e certos ativos podem ser bastante arriscados.
Para entender melhor essa dinâmica mais específica, vale a gente entrar em detalhes sobre essas duas classes de investimento.
Quais são os tipos de investimento?
Os investimentos são divididos, principalmente, entre renda fixa e renda variável: na renda fixa, a forma de remuneração é conhecida desde a aplicação, enquanto, na renda variável, o retorno não é definido previamente e depende do desempenho dos ativos.
Essa, no entanto, é uma definição bastante simples para as duas classes e, no mercado financeiro, é claro que você precisa ir muito além dela. Então, vem comigo entender em detalhes a definição de cada uma.
Renda fixa
A renda fixa reúne investimentos em que as regras de remuneração são conhecidas no momento da aplicação. Isso não quer dizer que sempre seja possível saber exatamente quanto será recebido no futuro, mas sim que já se conhece a forma usada para calcular esse retorno.
Em boa parte dos títulos de renda fixa, a lógica é bem parecida com a de uma dívida: quem investe disponibiliza recursos para um emissor, que pode ser um governo, banco ou empresa, e recebe uma remuneração por isso. É daí que vêm os juros pagos pelo investimento.
Essa remuneração, por sua vez, pode ser definida de três formas:
- Prefixada: a taxa de juros é definida no momento da aplicação e não é alterada ao longo do tempo;
- Pós-fixada: o rendimento acompanha um indicador, como a Selic ou o CDI, e varia de acordo com ele;
- Híbrida: combina uma taxa fixa com a variação de um indicador, como ocorre em investimentos que pagam IPCA + uma determinada taxa ao ano.
Por ter regras de remuneração conhecidas e, em muitos casos, apresentar menor volatilidade do que a renda variável, a renda fixa costuma ter alternativas compatíveis com perfis mais conservadores (embora não se limite apenas a esse perfil, é claro, já que mesmo investidores com maior tolerância ao risco podem buscar aplicações do tipo para ter uma base de proteção no portfólio).
Agora, vale dizer que, embora a segurança seja uma de suas características mais marcantes, a renda fixa não é sinônimo de ausência de risco. Entre os principais estão o risco de crédito, que é a possibilidade de o emissor não cumprir seus pagamentos; o risco de mercado, relacionado às oscilações no preço do título diante de mudanças nas condições do mercado; e o risco de liquidez, que aparece quando há dificuldade para vender ou resgatar o investimento por um preço adequado.
Renda variável
Na renda variável, não existe uma regra de remuneração previamente definida como ocorre na renda fixa. O retorno depende do desempenho dos ativos e das condições do mercado, por isso não é possível saber antecipadamente quanto o investimento vai render, ou se é que vai render algo.
Aqui, a rentabilidade pode vir principalmente da valorização do ativo e, dependendo do investimento, de rendimentos distribuídos ao longo do tempo.
Como os preços podem oscilar de forma mais intensa, a renda variável costuma estar mais associada a perfis moderados e arrojados, desde que os produtos sejam compatíveis com a capacidade e a disposição da pessoa investidora para assumir riscos.
Ainda assim, a classificação do perfil não deve ser feita apenas com base na categoria do investimento, já que prazo, objetivos e situação financeira também entram na análise de suitability.
Falando em risco, o risco de mercado costuma ganhar bastante destaque nessa categoria, já que pode alterar rapidamente os preços de um ativo. Afinal, ele inclui:
- Mudanças nas expectativas sobre juros;
- Câmbio;
- Política;
- Economia;
- Resultados das empresas;
- Condições de determinado setor podem alterar rapidamente os preços dos ativos.
Também existe o risco de liquidez, que indica a dificuldade que uma pessoa investidora pode ter para negociar um ativo pelo preço esperado.
É por esses pormenores que a renda variável oferece possibilidade de ganhos geralmente mais atrativas que a renda fixa, ao passo que também traz consigo um potencial maior de risco. Afinal, ao contrário do que se passa com a renda fixa, não há uma taxa contratada que determine previamente como o capital será remunerado.
Quais são os tipos de investimentos de renda fixa?
Os principais títulos que pertencem à classe da renda fixa são:
- Poupança;
- Tesouro Direto;
- CDB;
- LCI e LCA;
- CRI e CRA;
- LC;
- Debêntures;
- LF.
A seguir, você entende melhor cada um deles.
Poupança
A poupança é uma aplicação clássica oferecida pelos bancos, bastante popular entre os brasileiros por conta de sua simplicidade, facilidade de resgate e isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.
Em termos de rentabilidade, a dinâmica da caderneta é a seguinte:
- Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR);
- Quando a Selic é igual ou inferior a 8,5%, passa a render 70% da Selic + TR.
Lembrando que a Taxa Referencial está, em geral, zerada, ou bastante próxima de zero.
E tem ainda uma outra particularidade: a remuneração é creditada na chamada data de aniversário do depósito, que é a data da aplicação. Se o dinheiro for retirado antes desse marco, toda a rentabilidade referente àquele período é perdida.
A poupança é um investimento e é impossível não citá-la aqui, no entanto, você provavelmente vai se deparar com muita gente por aí que questiona até que ponto ela é uma boa alternativa para investir dinheiro.
O motivo é simples de entender: sua rentabilidade é bem baixa em comparação com outros títulos de renda fixa, que são tão seguros quanto a caderneta.
Tesouro Direto
O Tesouro Direto é o programa que permite a pessoas físicas investir em títulos públicos federais. Ao comprar um desses títulos, a pessoa investidora está, em termos bem simples, emprestando dinheiro ao Governo Federal.
Em troca, vai receber uma remuneração, que varia conforme o título escolhido. Veja quais são os principais:
- Tesouro Selic: acompanha a taxa Selic e apresenta menor sensibilidade às oscilações de mercado. É bastante líquido e, por isso, é muito utilizado para objetivos de curto prazo e reserva de emergência;
- Tesouro Prefixado: oferece uma taxa definida no momento da compra, ou seja, a pessoa investidora sabe exatamente quanto vai receber no futuro, caso mantenha o título até o vencimento;
- Tesouro IPCA+: combina a variação do IPCA com uma taxa fixa, para oferecer uma rentabilidade acima da inflação quando levado até o vencimento nas condições contratadas;
- Tesouro RendA+: também tem rentabilidade vinculada ao IPCA mais uma taxa fixa, mas foi estruturado para gerar pagamentos mensais durante 20 anos após a data de conversão;
- Tesouro Educa+: segue uma lógica semelhante, mas foi criado para gerar pagamentos mensais durante cinco anos, já que o foco é ajudar com despesas relacionadas à educação.
Temos aqui as principais alternativas de quem está começando a investir, mas ainda não quer se arriscar muito, já que todos esses títulos têm uma dinâmica relativamente simples de funcionamento.
Ainda assim, eles têm alguns pontos de atenção, e o principal é a marcação a mercado. Essa marcação diz respeito ao preço que o título está sendo negociado em determinado momento. Esse valor pode subir ou cair ao longo do tempo, principalmente conforme mudam as taxas de juros do mercado.
Por isso, se a pessoa investidora precisar vender um título do Tesouro antes do vencimento, pode receber mais ou menos do que esperava naquele momento, dependendo do preço do papel no dia da venda.
Se mantiver o título até o vencimento, recebe a rentabilidade contratada na compra, respeitadas as condições de cada título.
CDB
Sigla para Certificado de Depósito Bancário, os CDBs são títulos emitidos por bancos para captar recursos. Quem compra um CDB está basicamente emprestando dinheiro à instituição financeira e, em troca, recebe o valor acrescido de juros.
Os pós-fixados são os CDBs mais populares no mercado, bastante conhecidos pela remuneração expressa como um percentual do CDI. É daí que vêm ofertas como 100%, 110% ou 120% do CDI, que se popularizaram ainda mais com bancos digitais e suas contas remuneradas (chamadas também de “caixinhas”).
Se um CDB paga 100% do CDI ao ano, por exemplo, o dinheiro vai anualmente render aquilo que o CDI está valendo. Se for 110% do CDI, então rende o equivalente a 1,1 vez a variação do CDI no período e por aí vai.
Também existem CDBs prefixados e híbridos. Nos prefixados, a taxa é definida na aplicação, assim como nos títulos públicos. Já os híbridos combinam um indicador, como o IPCA, com uma taxa fixa. No entanto, são bem menos comuns que os demais.
Outro ponto importante aqui é a liquidez. Alguns CDBs têm liquidez diária, o que permite solicitar o resgate antes do vencimento conforme as condições do produto. Outros só devolvem o dinheiro na data final ou estabelecem períodos de carência ou momentos específicos para o resgate.
Quanto ao risco, o grau varia de um para o outro, embora sejam títulos de renda fixa — e o principal deles é o risco de crédito, que é basicamente um risco atrelado ao banco que emitiu o CDB. Se uma instituição é percebida como menos sólida pelo mercado, provavelmente vai oferecer uma taxa de remuneração mais alta para atrair os investidores e compensar o risco mais alto.
Por fim, e não menos importante, CDBs contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que reembolsa os investidores em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição em caso de falência do banco emissor.
LCI e LCA
A Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos emitidos por instituições financeiras e relacionados, respectivamente, ao financiamento dos setores imobiliário e do agronegócio.
Sua rentabilidade também pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida e, assim como nos CDBs, é comum encontrar LCIs e LCAs pós-fixadas que oferecem determinado percentual do CDI.
Uma das principais características desses produtos é a isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos para pessoas físicas, já que elas servem para financiar setores considerados como essenciais na nossa economia.
Além disso, LCIs e LCAs estão entre os produtos cobertos pelo FGC, respeitados os limites da garantia.
Já a liquidez, por sua vez, varia bastante conforme a emissão e existem regras de prazo mínimo, então nem sempre será possível resgatar o dinheiro quando quiser.
CRI e CRA
Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA) são títulos de renda fixa emitidos por companhias securitizadoras e lastreados em recebíveis dos setores imobiliário e do agronegócio, respectivamente. Também são isentos de IR.
Você pode estar agora pensando que eles se assemelham às LCIs e LCAs e, de fato, há vários pontos em comum. No entanto, aqui existe uma diferença importante entre esses títulos: os CRI e CRAs não contam com a garantia do FGC.
Como o risco está relacionado à estrutura da operação e aos créditos que servem de lastro para a emissão, é sempre necessária uma análise mais cuidadosa antes da aplicação.
A remuneração, por sua vez, pode assumir diferentes formatos, como uma taxa prefixada, um percentual de determinado indicador ou uma combinação entre índice de inflação e taxa fixa. Falando agora da liquidez, ela pode ser bem mais baixa do que em outros títulos de renda fixa, já que CRIs e CRAs costumam ter prazos mais longos.
LC
A Letra de Câmbio (LC) é um título emitido por sociedades de crédito, financiamento e investimento, conhecidas como financeiras, também com o objetivo de captar recursos
Seu funcionamento lembra bastante o de um CDB: a pessoa investidora “empresta” dinheiro para a instituição emissora e, em troca, recebe uma remuneração. A principal diferença está justamente em quem emite cada papel, pois enquanto o CDB é emitido por bancos, a LC é emitida por financeiras.
A rentabilidade pode ser prefixada ou pós-fixada, e as condições de prazo e liquidez dependem de cada emissão. Como há risco de crédito da instituição emissora, a solidez da financeira também deve entrar na análise, já que o grau de risco varia bastante de um título para o outro.
As LCs estão entre os investimentos cobertos pelo FGC, desde que respeitados os limites e demais condições da garantia.
Debêntures
As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. Ao comprar uma debênture, a pessoa investidora está emprestando recursos diretamente à companhia, que assume o compromisso de remunerar esse capital e devolver os recursos conforme as condições estabelecidas na emissão.
Aqui, como não temos a cobertura do FGC, aumenta o risco de crédito para os investidores. Por isso, a análise de uma debênture precisa considerar fatores como:
- Situação financeira da companhia;
- Nível de endividamento;
- Garantias da emissão;
- Prazo;
- Remuneração oferecida.
Uma empresa ou emissão considerada mais arriscada pode oferecer taxas maiores justamente para compensar o risco assumido.
Além disso, algumas debêntures têm baixa liquidez no mercado secundário (aquele onde investidores negociam títulos entre si), o que pode dificultar uma saída antes do vencimento. E, caso sejam negociadas antecipadamente, os preços podem oscilar por marcação a mercado.
Ou seja, embora continuem sendo investimentos de renda fixa, as debêntures já são produtos mais complexos e costumam exigir uma análise maior do que alternativas mais simples da categoria, especialmente para quem ainda não tem familiaridade com o risco de crédito e com a avaliação de emissores.
LF
As Letras Financeiras são emitidas por instituições financeiras também, com o objetivo de captar recursos por períodos mais longos.
Elas funcionam como uma dívida: a pessoa investidora disponibiliza o capital à instituição e recebe uma remuneração de acordo com as condições da emissão. Como o médio e o longo prazo são o foco aqui, a liquidez é bem mais restrita.
Também há um valor nominal unitário mínimo definido pela regulamentação, o que torna o produto menos acessível do que aplicações de renda fixa que permitem começar com poucos reais.
Outro ponto importante é o risco. As Letras Financeiras não contam com a garantia ordinária do FGC, então a capacidade de pagamento da instituição emissora ganha ainda mais peso na análise.
Quais são os tipos de investimentos de renda variável?
Na renda variável, os principais tipos de investimentos são:
- Ações de empresas;
- BDRs;
- Fundos de investimentos;
- Fundos imobiliários;
- ETFs.
A seguir, entenda cada um deles em detalhes.
Ações de empresas
As ações representam pequenas parcelas do capital social de uma empresa. Quando uma companhia abre seu capital e negocia ações na bolsa, quem compra esses papéis passa a ser um acionista e, portanto, proprietário de uma pequena participação naquele negócio.
O retorno aqui pode vir tanto da valorização das ações quanto da distribuição de proventos, como dividendos, embora isso dependa da ação, já que não são todas que fazem esses pagamentos ocasionais.
Por outro lado, se o preço do papel cair, a pessoa investidora pode ter prejuízo caso venda suas ações por um valor inferior ao que pagou.
E o preço, aliás, pode mudar bastante porque o mercado está constantemente revendo quanto acredita que aquela empresa vale. Olha só tudo o que pode entrar nessa conta:
- Resultados da empresa: crescimento ou queda de receita, lucro, margens e geração de caixa podem mudar as expectativas sobre o negócio;
- Endividamento: um aumento relevante das dívidas ou uma piora na capacidade de pagamento pode elevar a percepção de risco;
- Dividendos: mudanças na capacidade ou na política de distribuição de lucros podem afetar o interesse pelas ações;
- Decisões da empresa: aquisições, venda de negócios, entrada em novos mercados, troca de executivos e novos projetos podem alterar as perspectivas para os próximos anos;
- Mudanças no setor: novas regras, concorrentes ou alterações nos preços de matérias-primas podem beneficiar ou prejudicar determinadas empresas;
- Juros: taxas mais altas podem aumentar o custo das dívidas, afetar o consumo e também tornar outros investimentos mais atraentes em comparação com as ações.
Além disso, é importante lembrar que bons resultados não garantem que uma ação vá subir, afinal, estamos falando da renda variável e, nessa classe, retornos não são garantidos. O mercado trabalha muito com expectativas.
Então, se uma empresa apresentar lucro recorde, mas abaixo do que os participantes esperavam, por exemplo, ainda assim suas ações podem cair.
BDRs
BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipts, e se tratam de certificados negociados no Brasil que representam ativos emitidos no exterior. Isso mesmo: eles permitem ter exposição a empresas estrangeiras (Apple, Microsoft, Nvidia e muitas outras), sem precisar comprá-las diretamente em uma bolsa de outro país ou abrir conta em uma corretora internacional.
Note, porém, que um BDR de uma empresa norte-americana, por exemplo, não é exatamente a ação dessa companhia. A pessoa compra no Brasil um certificado que representa o ativo mantido no exterior e passa a ter os direitos econômicos correspondentes, conforme as características daquele programa.
Por isso, o desempenho de um BDR pode ser influenciado tanto pela variação do ativo que ele representa quanto pelo câmbio. Mesmo que uma ação fique praticamente estável nos Estados Unidos e que toda a negociação da pessoa investidora seja feita em reais, uma mudança relevante na cotação do dólar frente a nossa moeda pode afetar o valor de seu BDR no Brasil.
E BDR não é sinônimo apenas de ação estrangeira. Existem também, por exemplo, BDRs de ETFs e de títulos de dívida emitidos no exterior.
Fundos de investimentos
Os fundos de investimento reúnem os recursos de vários investidores (cotistas) em uma carteira administrada de acordo com uma estratégia previamente definida. Em vez de comprar cada ativo individualmente, a pessoa adquire cotas que representam uma parcela do patrimônio do fundo.
A partir daí, é o gestor quem toma as decisões de investimento dentro das regras estabelecidas para aquela carteira. Dependendo da classe, o patrimônio pode ser aplicado em títulos de renda fixa, ações, moedas estrangeiras, criptoativos e diversos outros ativos.
Por isso, também existem fundos com características e níveis de risco muito diferentes. Entre as principais classificações estão os fundos de renda fixa, de ações, cambiais e multimercado.
O resultado para o cotista aparece no valor da cota, que varia de acordo com o patrimônio da classe. Se os ativos da carteira se valorizam, por exemplo, isso pode elevar seu patrimônio e, consequentemente, o valor das cotas. O movimento contrário também pode acontecer, é claro.
Aqui, é preciso considerar alguns custos extras cobrados pelo fundo. Temos, por exemplo, a taxa de administração, que serve para remunerar o trabalho da gestão, e a taxa de performance, que não aparece em todos os fundos, já que é um valor pago unicamente quando determinado fundo supera um indicador de performance.
Fundos imobiliários
Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) também reúnem recursos para investir coletivamente, como em um fundo tradicional, mas o foco aqui é o mercado imobiliário.
Alguns FIIs investem principalmente em imóveis físicos, como galpões logísticos, escritórios e shopping centers, e podem obter receitas com aluguéis. Outros investem em títulos ligados ao setor imobiliário, enquanto os fundos híbridos podem combinar diferentes estratégias.
Mas veja bem, ao comprar uma cota, a pessoa passa a ter uma participação no patrimônio do fundo, e não a propriedade direta dos imóveis que fazem parte dele.
O retorno, nesses casos, pode vir das distribuições feitas pelo fundo (dividendos e Juros Sobre Capital Próprio) e também da valorização das próprias cotas. Como elas são negociadas no mercado, seu preço pode subir ou cair ao longo do tempo.
Nos fundos que possuem imóveis, fatores como vacância, inadimplência dos locatários, renegociação dos aluguéis e valorização ou desvalorização das propriedades podem afetar os resultados. Nos fundos que investem em títulos, entram também os riscos e as características desses papéis.
ETFs
Os ETFs, ou fundos de índice, são fundos criados para acompanhar o desempenho de um índice de referência. Em vez de escolher individualmente os ativos da carteira, o fundo procura, na verdade, reproduzir a composição ou a estratégia de um índice. O Ibovespa e o S&P 500 são alguns dos exemplos mais comuns.
Assim, uma única cota pode dar exposição indireta a vários ativos. Se o ETF acompanhar o Ibovespa, vamos supor, então a carteira vai ser formada para seguir esse índice, e o próprio fundo faz os ajustes necessários quando sua composição muda.
Os ETFs também não se limitam às ações brasileiras. Existem índices relacionados a renda fixa, mercados internacionais, setores específicos e outras classes de ativos, o que amplia bastante as possibilidades de exposição por meio desses fundos.
Outra diferença em relação a muitos fundos tradicionais é que as cotas dos ETFs são negociadas em bolsa ao longo do pregão, de forma semelhante às ações. Seu preço, portanto, pode oscilar durante o dia, enquanto a carteira do fundo busca acompanhar o índice escolhido.
Qual é o melhor tipo de investimento hoje?
Não existe um único investimento que possa ser considerado o melhor para todo mundo, já que a escolha sempre vai depender do perfil da pessoa investidora, dos seus objetivos e das características de cada aplicação.
Além disso, a ideia não é que alguém escolha apenas uma aplicação para aportar todo o seu patrimônio. O ideal é diversificar os investimentos, não só para fins de otimizar os retornos, mas para reforçar a segurança também, já que um título que passa por um bom momento pode compensar outro que esteja em uma fase mais desfavorável, por exemplo.
Voltando à adequação entre produtos e o perfil do cliente, esse processo recebe o nome de suitability. No mercado financeiro, as instituições precisam conhecer o cliente antes de recomendar determinados investimentos, considerando aspectos como:
- Tolerância ao risco: quanto a pessoa está disposta a aceitar oscilações e possíveis perdas em busca de retorno;
- Capacidade de assumir riscos: além de estar disposta a correr riscos, é preciso avaliar quanto ela pode efetivamente perder sem comprometer sua situação financeira;
- Objetivos: quem investe para formar uma reserva de emergência, por exemplo, não vai escolher os mesmos ativos que alguém que está se preparando para a aposentadoria;
- Prazo: quando o dinheiro será necessário também interfere nos riscos que podem ser assumidos e nos produtos adequados;
- Necessidade de liquidez: é preciso entender se os recursos podem ficar aplicados até determinada data ou se existe a possibilidade de precisar deles antes;
- Situação financeira e patrimônio: renda, patrimônio, despesas e necessidade futura de recursos ajudam a determinar a capacidade financeira para assumir riscos;
- Conhecimento e experiência: também entram na análise a familiaridade do cliente com produtos financeiros e sua experiência anterior com investimentos.
A partir dessas informações, a pessoa investidora pode ser enquadrada em um perfil de risco. Veja quais são:
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Perfil |
Características |
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Conservador |
Tem baixa tolerância ao risco e prioriza preservação do patrimônio, previsibilidade e liquidez, mesmo que isso limite o potencial de retorno. |
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Moderado |
Aceita algum nível de oscilação e risco em busca de retornos maiores, mas ainda mantém uma preocupação relevante com a preservação do patrimônio. |
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Arrojado |
Tem maior tolerância ao risco e aceita oscilações e possíveis perdas em busca de maior potencial de retorno. |
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Agressivo |
Quando a instituição separa essa categoria do perfil arrojado, representa o maior grau de tolerância ao risco, com maior aceitação de volatilidade e perdas em busca de retorno. |
Dica para você que deseja trabalhar no mercado financeiro: suitability, perfil de risco, liquidez e relação entre risco e retorno são conceitos básicos, ou seja, não somente vão fazer parte da sua rotina, como aparecem na maioria das provas das certificações financeiras.
É seguro fazer um investimento?
O processo de fazer um investimento é, sim, seguro, desde que feito por meio de uma instituição devidamente autorizada, e partindo do ponto de vista operacional e de infraestrutura. Isso vale tanto para corretoras sólidas quanto para bancos que oferecem plataformas de investimentos em seus aplicativos.
No caso de corretoras e distribuidoras, por exemplo, essa segurança existe porque a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mantém o cadastro dos participantes autorizados a atuar no mercado de valores mobiliários. Inclusive, a própria CVM recomenda verificar essa autorização antes de contratar uma instituição.
A B3 também possui regras e mecanismos para os participantes que operam em seus ambientes, além de programas de qualificação das corretoras.
Isso não quer dizer, porém, que qualquer investimento feito por uma instituição autorizada seja seguro no sentido de não haver possibilidade de perda.
Temos aqui duas questões diferentes: uma é saber se a operação está sendo feita por meio de uma instituição regular e dentro da infraestrutura do mercado; outra é analisar o risco do ativo escolhido. E esse risco sim pode variar bastante.
Um título público como o Tesouro Selic apresenta características de risco muito diferentes das de uma criptomoeda, por exemplo. Enquanto o primeiro tem risco de crédito associado ao Governo Federal e tende a apresentar uma volatilidade baixíssima, as criptomoedas podem sofrer oscilações muito mais intensas de preço.
Também existem vários tipos de risco entre esses extremos. Um título privado pode ter risco de crédito do emissor; uma ação pode sofrer bastante com o risco de mercado; e determinados ativos podem ter risco de liquidez, caso seja difícil vendê-los pelo preço esperado no momento desejado.
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Os tipos de investimentos se desdobram em várias subcategorias de estudo: renda fixa, renda variável, tributação, liquidez, risco, perfil de investidor e muito mais. E saiba que cada um desses conhecimentos cai na prova de várias certificações financeiras.
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