O Open Banking tem dado o que falar nas últimas semanas. E não é à toa: o sistema promete revolucionar a indústria financeira no país. 

Na prática, o Open Banking vem para trazer mais opções de produtos e serviços financeiros. Lembra de quando o Pix surgiu? O burburinho tem sido o mesmo. Dessa vez, o objetivo maior do sistema, porém, é diferente. Com ele, o cliente tem total autonomia sobre seus dados financeiros e quando (e com quem) vai compartilhá-los.

Entendeu a ideia geral? Agora, eu vou te explicar todos os detalhes sobre essa novidade.

O que é, exatamente, o Open Banking?

O Open Banking não é um aplicativo ou algo do tipo. É, na verdade, um conjunto de regras e tecnologias. Estas, por sua vez, se referem ao compartilhamento de dados e serviços entre clientes e instituições financeiras.

As regras, portanto, priorizam o consentimento do usuário. Como assim? Com o Open Banking, as empresas são obrigadas a compartilhar as informações do cliente para outra instituição se ele solicitar e autorizar esse compartilhamento.

Depois de autorizado, esse compartilhamento é válido por 12 meses. Após o fim desse período, é necessário que o cliente consinta novamente com o processo.

Como vai funcionar? 

Como o Open Banking ainda está em processo de implementação, os detalhes exatos ainda não são conhecidos. Muito provavelmente a autorização do uso de dados será feita por meio de reconhecimento facial ou senha do cliente. Essa, aliás, é uma recomendação do Banco Central.

Inclusive, se tem Banco Central na história, você já sabe: é seguro. Não precisa ter receio de utilizar o Open Banking.

Mesmo assim, já posso compartilhar uma ideia geral do sistema. Vejamos um exemplo. Quando você tem conta em um banco, mas deseja pedir um empréstimo em outro, o processo é difícil. Isso porque o banco do qual você deseja o empréstimo não tem nenhuma informação sobre você.

Com o Open Banking, basta solicitar ao seu banco atual que compartilhe seus dados com o outro banco. 

Naturalmente, essa “liberdade” não é válida só para empréstimos. Em outras palavras, posso até dizer que o sistema permite que o cliente monte seu “próprio banco”. Ou seja, ele pode ter uma conta corrente em um, e investimentos em outra corretora. Também pode ter seu cartão de crédito em uma terceira instituição, se desejar.

O que muda com o Open Banking?

Até aqui, você descobriu que o Open Banking vai te dar controle sobre seus dados e liberdade para escolher onde contratar serviços. Certo? Agora, é hora de entender como isso afeta os bancos.

A maior mudança que será vista nos próximos meses é uma priorização da experiência do cliente. Já que agora nós temos a autonomia de contratar serviços em qualquer instituição, é claro que cada uma delas vai tentar ao máximo dar motivos para o público escolher.

Portanto, para o futuro, você pode esperar a criação de novos serviços pelas instituições financeiras. Além disso, melhores condições e taxas reduzidas provavelmente serão alguns dos meios utilizados para atrair clientes.

Quais instituições financeiras fazem parte do sistema?

Apenas instituições financeiras regularizadas pelo Banco Central podem participar. Além disso, algumas são obrigadas a fazer parte do sistema. 

Essa obrigação é válida para aquelas instituições classificadas como S1 e S2. Ou seja, que apresentem, respectivamente, porte igual ou superior a 10% do PIB, ou que estejam entre 1% e 10% do PIB. Exemplo dessas categorias são o Banco do Brasil, o Bradesco, a Caixa Econômica, o Itaú, o Santander, o BNDES, o Citibank e o Credit Suisse. 

O Picpay, o Mercado Pago e o Nubank, por sua vez, podem escolher se farão parte do Open Banking ou não. Aliás, nós acreditamos que estes vão optar por aderir. Tendência, né? 

Quando o Open Banking vai ser implementado?

15 de julho de 2021: essa é a data na qual o serviço vai estar disponível. A primeira fase de implementação, inclusive, começou ainda no dia 1º de fevereiro. E por falar em fases, a organização é a seguinte:

  • Fase 1 (início em 01/02/2021): compartilhamento de prateleiras de produtos, serviços e taxas entre as instituições financeiras. Tudo isso é feito sob supervisão do Banco Central;
  • Fase 2 (início em 15/07/2021): as empresas já estarão aptas a fazer o compartilhamento de dados, desde que haja consentimento do cliente;
  • Fase 3 (início 30/08/2021): início dos serviços de transação de pagamento e possibilidade de compartilhamento do histórico de dados financeiros dos clientes;
  • Fase 4 (início 15/12/2021): possibilidade de compartilhamento de outras modalidades de dados. Por exemplo, operações de câmbio, serviços de credenciamento, seguros, entre outros.

Curtiu o Open Banking?

Uma grande novidade, não acha? Com certeza vai ser um marco no mercado financeiro em 2021. Já tem ideia de como vai aproveitar o novo sistema proposto pelo Open Banking?