Você é uma pessoa mais consumidora, poupadora ou investidora? Não sabe responder? Então faça esse teste rápido:
1 – Quando sobra dinheiro no fim do mês, você:
a) Compra algo que estava de olho há um tempo.
b) Guarda na poupança ou deixa parado na conta.
c) Investe, mesmo que seja um valor pequeno.
2 – Ao ver uma promoção tentadora, você:
a) Aproveita na hora — afinal, é uma oportunidade!
b) Pensa um pouco, mas às vezes acaba comprando.
c) Só compra se realmente estava planejado.
3 – Quando pensa no futuro financeiro, você:
a) Sente que ainda vai resolver isso “mais pra frente”.
b) Quer se sentir mais seguro, mas não sabe por onde começar.
c) Já tem metas e acompanha seus resultados.
4 – Sobre correr riscos com dinheiro, você:
a) Prefere evitar totalmente. Risco é sinônimo de perda.
b) Fica curioso, mas inseguro.
c) Entende que o risco faz parte e busca equilibrar.
Dá uma olhada no resultado:
- Maioria A: você tende a ser consumidor — vive o presente e gosta de aproveitar o momento;
- Maioria B: você é poupador — preza pela segurança, mas talvez precise dar o próximo passo;
- Maioria C: você tem perfil investidor — busca fazer o dinheiro trabalhar por você.
Seja qual for o seu resultado, não se preocupe tanto com a resposta: o fascinante da psicologia é que uma pessoa pode ter mais de um perfil ao mesmo tempo — não somos seres lineares.
Inclusive, é sobre este exato assunto que tratam as finanças comportamentais: definição de perfis e os vieses cognitivos mais comuns em cada um deles. Inclusive, conhecê-los te dá o poder de aprender a reconhecer seus padrões e a evitá-los sempre que possível.
A ideia te agrada? Então, siga comigo para entender:
- O que são finanças comportamentais;
- Quais são as finanças comportamentais;
- Quais são os 3 tipos de finanças;
- Quais são os 4 tipos de comportamentos financeiros;
- Quais são os viés comportamentais.
Vamos lá?
O que são finanças comportamentais?
As finanças comportamentais são o campo de estudo que busca entender como emoções, vieses mentais e fatores psicológicos influenciam as decisões financeiras das pessoas. Aqui, partimos do pressuposto de que nem sempre o ser humano vai ser perfeitamente racional, mesmo quando o objetivo de suas ações é o mesmo que o de outras pessoas — maximizar lucros.
É essa mistura de economia, finanças e psicologia que torna esse campo tão interessante. Afinal, explica porque, muitas vezes, tomamos decisões que não são exatamente racionais, como gastar mais do que ganhamos, manter investimentos ruins ou reagir em massa às notícias do mercado.
Quais são as finanças comportamentais?
Quando o termo “finanças comportamentais” vêm assim, no plural, é porque se referem às diferentes áreas de aplicação ou vertentes desse campo de estudo:
- O estudo dos vieses cognitivos em decisões financeiras, como ancoragem, aversão à perda e efeito manada;
- A economia comportamental aplicada aos mercados financeiros, ou seja, como esses vieses afetam investidores, preços de ativos e comportamento coletivo;
- A educação financeira e design de produtos que consideram o comportamento humano real (em vez de pressupor racionalidade completa).
Ou seja: as finanças comportamentais abrangem tanto a teoria dos vieses como sua aplicação prática na economia, nos investimentos e no âmbito financeiro em geral.
Quais são os 3 tipos de finanças?
Em um âmbito mais amplo, as finanças costumam ser classificadas em três tipos distintos, como uma forma de diferenciar os focos de estudo e aplicação:
- Finanças pessoais: lidam com decisões financeiras individuais ou familiares, como poupar, investir, gastar, fazer dívidas e por aí vai;
- Finanças corporativas (ou empresariais): tratam da forma como empresas captam recursos, investem, administram seus ativos e financiamentos;
- Finanças públicas: dizem respeito à gestão de recursos dos governos — orçamento, receitas, despesas, dívida pública e política fiscal, por exemplo.
Com essas categorias, fica mais fácil organizar os diferentes campos de atuação de finanças, muito embora os princípios de racionalidade ou comportamento também possam se aplicar em cada uma delas, cada uma à sua maneira.
Quais são os 4 tipos de comportamentos financeiros?
Embora existam diversos modelos, há quatro grandes perfis ou tipos de comportamento financeiro que ajudam a entender como as pessoas se comportam com seu dinheiro. Olha só:
- Comportamento impulsivo/consumista: é quando você gasta sem planejamento, reage ao consumo imediato e pensa pouco no futuro. Esse comportamento tende a trazer problemas bem conhecidos — endividamento e aperto financeiro;
- Comportamento conservador/avesso ao risco: busca segurança e evita perdas a todo custo. Tende a manter investimentos de baixo risco e, por isso, pode perder oportunidades de retorno;
- Comportamento especulativo/arriscado: é sobre quem busca ganhos altos, está disposto a arriscar e muitas vezes reage a modismos ou ao “efeito manada”. Pode tanto ganhar muito quanto sofrer perdas substanciais;
- Comportamento equilibrado: é aquela pessoa que planeja gastos, poupa com regularidade, investe com diversificação, pensa no longo prazo. Não é alguém isento de vieses, mas tende a ter melhores resultados gerais.
Esses tipos têm várias funções: ajudam a identificar padrões de atitudes em relação ao dinheiro e investimentos, e ainda servem para educar financeiramente ou ajustar produtos financeiros conforme o perfil de cada pessoa.
Quais são os vieses comportamentais?
No mercado financeiro, os vieses comportamentais mudam a depender de sua categoria: se pertencem a perfis investidores, poupadores ou consumidores. Veja nesta tabela quais são os principais:
| Categoria | Vieses comportamentais |
| Vieses do investidor | Aversão à perda |
| Ancoragem | |
| Falácia do jogador (do apostador ou de Monte Carlo) | |
| Viés de confirmação | |
| Autoconfiança excessiva | |
| Lacunas de empatia | |
| Efeito de enquadramento | |
| Vieses do poupador | Viés do status quo |
| Falácia do planejamento | |
| Viés do crescimento exponencial | |
| Efeito avestruz | |
| Viés do otimismo | |
| Viés do presente | |
| Desconto hiperbólico | |
| Vieses do consumidor | Efeito adesão |
| Efeito halo | |
| Falácia dos custos irrecuperáveis | |
| Heurística do afeto | |
| Ilusão de controle | |
| Viés do ponto cego | |
| Viés de atribuição |
Tenho certeza que você vai se identificar com vários deles. Está duvidando? Continue a leitura para saber o que é cada viés e como eles afetam o seu dia a dia, muitas vezes sem que você nem sequer perceba.
Vieses do investidor
O investidor é aquela pessoa que busca fazer o dinheiro trabalhar para ela, mas atenção: nem sempre de forma totalmente racional.
É alguém que estuda, acompanha notícias, olha o desempenho dos ativos — mas, no fundo, também é movido por emoções, expectativas e comparações. Por isso, muitas de suas decisões acabam sendo influenciadas por vieses comportamentais, que distorcem a forma como ele enxerga risco, retorno e tempo.
E olha só: reconhecer esses padrões é o primeiro passo para investir com mais consciência e menos impulso.
Vamos conhecer os vieses dessa categoria?
Aversão à perda
A aversão a perda é um velho conhecido de qualquer pessoa. Inclusive, é esse viés que explica por que sentimos muito mais dor ao perder dinheiro do que prazer ao ganhar.
Esse viés faz com que muita gente segure investimentos ruins por tempo demais, só para “não ter prejuízo”. Aqui, a lógica emocional é: “se eu não vender, ainda não perdi”. Na realidade, é claro, o dinheiro continua preso em algo que não tem boas perspectivas. É o mesmo comportamento de quem insiste em um negócio que não dá certo, apenas para não admitir a perda. Conhece alguém assim?
Superar a aversão à perda exige reconhecer que perder faz parte do jogo. Bons investidores sabem que, às vezes, aceitar uma perda pequena é o preço para aproveitar uma oportunidade melhor.
Ancoragem
Imagine alguém que teve 15% de lucro em um investimento no ano passado e, agora, acha que qualquer ganho abaixo disso é ruim. A psicologia explica: esse é o viés da ancoragem.
Leva esse nome pois, no exemplo, o cérebro dessa pessoa investidora “ancorou” nos 15% e agora o toma por referência imutável, ignorando novas informações e sem considerar que o cenário econômico já não é mais o mesmo.
Passando para a teoria, a ancoragem acontece quando tomamos decisões com base em um número inicial que “gruda” na nossa mente — mesmo que esse número não tenha tanto sentido.
Para evitar cair nessa armadilha, é importante sempre olhar os dados de forma contextualizada. Um preço ou um retorno passado até pode servir como referência, mas jamais como verdade absoluta. Aqui, a racionalidade significa analisar o presente e o futuro, sem tomar o passado por regra.
Falácia do jogador, falácia do apostador ou falácia de Monte Carlo
Essa é a falácia de quem acha que sorte é tendência. Em termos financeiros, é o viés de quem acredita que uma ação vai subir somente porque já caiu demais até o momento, ou que vai cair abruptamente pois valorizou demais em pouco tempo.
Em termos mais simples, esse tipo de pensamento faz com que um investidor veja um padrão onde não existe. Afinal, o mercado não obedece lógicas emocionais ou abstratas — ele segue fatores econômicos, resultados de empresas e expectativas futuras baseadas em análises profundas, feitas por especialistas.
Como lidar? Guarde esse pensamento: o mercado financeiro não tem memória. Cada movimento de preço tem suas próprias causas, e não há uma “lei do equilíbrio” que garanta que uma sequência de perdas vai, automaticamente, se inverter.
Viés de confirmação
Um clássico em várias esferas da vida: esse viés acontece quando as pessoas procuram, interpretam e valorizam apenas informações que reforçam suas próprias crenças. Consequentemente, ignoram qualquer informação que diga o contrário.
Em um perfil investidor, costuma acontecer, por exemplo, quando uma pessoa já decidiu que certa empresa é “ótima” e só lê análises positivas sobre ela, descartando qualquer crítica.
Esse comportamento cria uma bolha de opinião. O investidor deixa de ver riscos reais e, por isso, pode tomar decisões mal informadas. Ele não está realmente analisando: está apenas tentando confirmar que está certo. O perigo disso é claro: o mercado muda o tempo todo, então se apegar a uma visão fixa pode levar a perdas grandes.
Para evitar esse viés, é importante dar ouvidos para opiniões divergentes também. Ler análises contrárias, conversar com pessoas que pensam diferente e revisar suas convicções ajudam a tomar decisões mais equilibradas.
Autoconfiança excessiva
Quando a autoconfiança é demais, o investidor tende a superestimar sua capacidade de prever o mercado ou de escolher bons ativos. É o famoso “eu sei o que estou fazendo” que faz com que muitos ignorem riscos, dispensem estudos ou invistam grandes quantias em uma única aposta. E olha só: esse viés é especialmente comum depois de alguns acertos — o investidor começa a achar que tem “um dom” para o mercado.
O problema é que essa confiança exagerada leva a decisões impulsivas. Quem acredita saber demais geralmente é quem opera mais, gira a carteira constantemente e se expõe a riscos desnecessários.
O antídoto é simples na teoria, mas não na prática: humildade intelectual. Entender que o mercado é incerto e que ninguém acerta sempre. Os melhores investidores são aqueles disciplinados, que estudam, diversificam e respeitam suas limitações.
Lacunas de empatia
As lacunas de empatia acontecem quando subestimamos como nossas emoções influenciam as decisões financeiras. É o investidor que, em momentos tranquilos, acredita que vai “manter a calma se o mercado cair”, mas na hora do pânico vende tudo com medo de perder mais.
Esse viés mostra como é difícil prever o próprio comportamento emocional, especialmente em situações de estresse. As pessoas sempre acham que são racionais até que a realidade mostra o contrário. Isso é comum, por exemplo, em crises como a de 2020, na época da pandemia de Covid-19, quando muitos venderam ações no pior momento — e depois viram o mercado se recuperar.
A melhor forma de lidar com esse viés é planejar antes de sentir. Ou seja, definir metas, limites de perda e estratégias quando se está calmo. Assim, na hora em que as emoções aparecerem, o investidor tem um plano racional para seguir, em vez de reagir por impulso.
Efeito de enquadramento
O efeito de enquadramento mostra como a forma de apresentar uma informação pode mudar completamente a percepção do investidor. Por exemplo, dizer que “um investimento tem 90% de chance de dar certo” soa mais positivo do que “tem 10% de chance de dar errado”, mesmo que as duas frases signifiquem a mesma coisa.
Esse viés é amplamente usado em comunicações financeiras e pode influenciar até decisões grandes. Um investidor pode se sentir mais confortável com um fundo que “rende o dobro da poupança” do que com outro que “tem risco moderado de perda”, mesmo que os dois ofereçam resultados parecidos. O modo de enquadrar o risco e o retorno muda a sensação de segurança.
Evitar o efeito de enquadramento exige ler as informações de forma crítica e sempre buscar entender os números por trás das palavras. O importante não é como o investimento é apresentado, mas o que ele realmente entrega em termos de risco e retorno.
Os vieses do poupador
O próprio nome já diz tudo: o poupador é aquele que tem uma relação mais conservadora com o dinheiro. Alguém que prefere a segurança à incerteza e tende a evitar riscos, mesmo que isso signifique abrir mão de ganhos maiores.
Para esse perfil, ver o saldo crescer, ainda que devagar, traz tranquilidade. No entanto, esse comportamento também pode limitar suas oportunidades — especialmente quando seus medos e crenças antigas interferem nas decisões financeiras. O poupador, assim como o investidor, também é afetado por vieses comportamentais que o fazem superestimar o risco e subestimar o poder dos juros compostos.
Vamos aos vieses.
Viés do status quo
O viés do status quo é aquela tendência de manter tudo como está, mesmo quando mudar seria melhor. Muita gente deixa o dinheiro parado na poupança com a desculpa de que “sempre foi assim” ou porque “não entende de investimentos”. O conforto da rotina fala mais alto do que a vontade de buscar opções mais rentáveis.
Isso acontece porque o cérebro associa mudança ao risco, e o risco, ao medo de perder. Então, em vez de agir, a pessoa se convence de que o jeito atual “já é bom o suficiente”. Na prática, porém, esse comportamento custa caro — seguindo o exemplo do parágrafo anterior, deixar o dinheiro rendendo pouco é perder poder de compra ao longo do tempo.
Outro exemplo clássico é quem mantém o mesmo banco, o mesmo investimento e o mesmo plano de previdência por anos, mesmo sabendo que existem opções melhores. Romper com o status quo exige consciência e um pequeno passo: comparar, se informar e, finalmente, agir.
Falácia do planejamento
A falácia do planejamento é o otimismo excessivo em relação ao futuro. O poupador acredita que “no próximo mês vai sobrar dinheiro”, que “dessa vez vai conseguir guardar” ou que “agora vai dar certo”. Ele planeja, mas sempre superestima sua capacidade de cumprir o plano. Consequentemente, acaba sendo pego de surpresa pelos imprevistos.
Veja só, o problema não está em planejar — isso é positivo e recomendado, mas sim em ignorar a realidade dos próprios hábitos. Sem ajustar o comportamento, o planejamento fica só no papel. E quando o resultado não vem, o poupador tende a culpar fatores externos em vez de rever o plano.
Um bom exemplo é quem promete começar a investir todo mês, mas sempre encontra um motivo para adiar: uma viagem, um boleto, uma promoção e por aí. Para combater esse viés, é preciso revisar seus planos com base em dados reais, ou seja, quanto entra na conta, quanto sai e o que realmente é possível guardar.
Viés do crescimento exponencial
Esse viés faz o poupador acreditar que o dinheiro crescerá mais rápido do que realmente acontece. Ele vê alguém lucrando alto e acha que o mesmo vai acontecer com ele, deixando totalmente de lado o fato de que os juros compostos, por exemplo, precisam de tempo e constância.
É o famoso “achar que vai ficar rico em poucos anos”. Inclusive, se você vir essa proposta por aí, desconfie.
Voltando ao assunto, esse pensamento leva à frustração e desistência precoce. Quando o retorno não aparece logo, o investidor perde o ânimo e interrompe aportes — justamente quando deveria manter o foco. Essa impaciência é comum entre quem começa a investir sem entender o ritmo natural dos rendimentos.
Um bom antídoto é acompanhar o progresso com metas realistas e visualizar o crescimento de longo prazo.
Efeito avestruz
É isso mesmo: o nome vem do comportamento do avestruz, que “esconde a cabeça na terra” para fugir do perigo. No âmbito financeiro, o poupador faz o mesmo: evita olhar para a conta, ignora faturas e foge de extratos para não encarar a realidade. O que os olhos não veem, o coração não sente.
Esse viés é alimentado pelo medo de encarar más notícias. Ao evitar olhar, a pessoa acredita estar se protegendo do estresse — mas, na verdade, está só agravando o problema. Quanto mais tempo passa sem analisar a situação, mais difícil se torna retomar o controle.
Um exemplo comum é quem evita abrir o aplicativo do banco após um mês de muitos gastos. Lembre-se: encarar os números é desconfortável, mas necessário.
Viés do presente
Esse viés é o impulso de priorizar o prazer imediato em vez do benefício futuro. O poupador sabe que deveria guardar dinheiro, mas prefere aproveitar o agora. O “só hoje” vira “sempre”.
Esse comportamento tem base biológica: nosso cérebro valoriza mais as recompensas rápidas do que as de longo prazo — fazendo um rápido paralelo aqui, é como achar muito mais fácil passar horas no TikTok do que ler um livro. Agora, financeiramente, isso cria um ciclo perigoso — quanto mais adiamos o hábito de poupar, mais difícil fica construir segurança no futuro.
Um exemplo clássico é quem gasta o bônus de fim de ano em compras e viagens, prometendo que “no próximo ano vai investir”. O segredo para vencer esse viés é automatizar o hábito de poupar — guardar antes de gastar, e não o contrário.
Desconto hiperbólico
O desconto hiperbólico é uma forma mais complexa do viés do presente. Ele faz o poupador valorizar demais recompensas pequenas e imediatas, e subestimar grandes recompensas futuras. É por isso que muita gente prefere R$100 hoje a R$200 daqui a seis meses.
Esse viés afeta decisões de longo prazo, como aposentadoria e investimentos. O prazer de gastar agora parece mais tangível que o benefício futuro de investir. Isso faz com que muitas pessoas desistam de planos financeiros antes de colher os resultados.
Um bom jeito de lidar com esse viés é tornar o futuro mais visível: criar metas concretas, visualizar ganhos acumulados e usar ferramentas que mostrem o progresso ao longo do tempo.
Os vieses do consumidor
O consumidor é muito mais movido pelas emoções do que pela razão quando o assunto é dinheiro.
Ele associa o consumo à recompensa e ao prazer imediato, o que o torna mais vulnerável a impulsos e armadilhas psicológicas. Publicidade, status social e sensação de pertencimento influenciam fortemente suas decisões.
Embora goste da sensação de “comprar o que merece”, o consumidor pode acabar comprometendo seu futuro financeiro por escolhas de curto prazo — e é justamente aí que os vieses comportamentais agem com força.
Vamos conhecê-los?
Efeito adesão
O efeito adesão é aquele clássico impulso de comprar ou fazer algo só porque todo mundo está fazendo. É o “efeito manada” aplicado ao consumo: se todo mundo está comprando um novo celular, assinando um streaming ou investindo em uma moda, a pessoa sente que também precisa.
Isso acontece porque buscamos pertencimento. Ver os outros agindo de certa forma nos dá a sensação de que aquilo é seguro ou correto. O problema é que, na pressa de seguir o grupo, o consumidor deixa de avaliar se realmente precisa daquilo — e acaba tomando decisões guiadas por influência social, não por necessidade real.
Um exemplo é aquela pessoa que compra um produto em promoção porque “todo mundo está aproveitando”, sem perceber que nem queria ou precisava dele.
Efeito halo
O efeito halo é quando uma boa impressão sobre um aspecto de uma marca, produto ou pessoa influencia nossa opinião sobre o todo. Se o celular tem um design bonito, já assumimos que a bateria é boa. Se a marca tem uma boa reputação, acreditamos que todos os produtos dela são de qualidade.
Esse viés afeta muito as decisões de compra, especialmente em tempos de marketing visual e influenciadores. As pessoas compram pela imagem, e não pela funcionalidade. O problema é que essa percepção pode mascarar defeitos ou limitações importantes do produto.
Olha só como isso é comum: já se pegou preferindo uma marca “premium”, mesmo quando há opções iguais ou melhores por um preço menor? Para escapar do efeito halo, o caminho é buscar informações concretas — comparar especificações, avaliações e experiências reais de uso antes de decidir.
Falácia dos custos irrecuperáveis
A falácia dos custos irrecuperáveis faz o consumidor continuar investindo tempo ou dinheiro em algo ruim só porque já investiu antes. É o famoso “já gastei tanto nisso, não posso desistir agora”. Se identifica? Não? Então olha só: é quando você continua pagando uma assinatura inútil, usando um serviço ruim ou insistindo num curso que não gosta — já te aconteceu antes, não é?
Esse viés nasce da dificuldade de aceitar perdas. Nosso cérebro odeia desperdiçar — mesmo quando continuar custa ainda mais. Assim, mantemos hábitos e gastos que já não fazem sentido, apenas para não admitir que erramos.
Veja só mais um exemplo simples: insistir em reformar um carro que dá mais despesa do que o valor que ele vale. O raciocínio lógico seria parar, mas a emoção grita “já gastei demais pra parar agora”. O segredo aqui é lembrar que o dinheiro gasto já não volta — e o foco deve ser evitar novos desperdícios.
Heurística do afeto
A heurística do afeto mostra como as emoções influenciam nossas decisões de consumo. Se um produto ou marca desperta sentimentos positivos — simpatia, nostalgia, felicidade — tendemos a julgar que ele é bom, mesmo sem analisar objetivamente.
É o que acontece quando compramos algo só porque “gostamos da marca” ou porque o comercial nos emocionou. Esse tipo de decisão é rápida e intuitiva, o que pode ser bom em pequenas escolhas, mas perigoso em compras maiores.
Um exemplo comum é o consumidor que compra um carro ou celular de uma marca “de confiança”, sem comparar preços ou funções. A solução não é eliminar o afeto, mas equilibrá-lo com informação — tudo bem a emoção entrar na equação, mas é sempre a razão que deve validar a decisão.
Ilusão de controle
Nesse viés, o consumidor acredita que tem mais controle sobre o resultado de suas ações do que realmente tem. É o caso de quem acha que consegue “domar” promoções, controlar impulsos ou prever quando um produto vai baixar de preço.
A ilusão de controle leva ao excesso de confiança nas próprias decisões de compra. Muitas vezes, a pessoa gasta mais acreditando que está economizando, ou compra por impulso achando que “dessa vez é diferente”. Essa sensação de domínio é uma armadilha sutil, especialmente no ambiente digital.
Por isso, não caia no erro de acreditar, por exemplo, que consegue parar de usar o cartão de crédito “só quando quiser”, mesmo já tendo histórico de endividamento. A melhor forma de lidar com isso é reconhecer os próprios limites e criar mecanismos externos de controle — como limites automáticos, alertas ou contas separadas.
Viés do ponto cego
O viés do ponto cego é pensar que “os outros caem nessas armadilhas, mas eu não”. O consumidor reconhece vieses nos outros, mas acredita ser racional e imune a influências. Inclusive, esse viés é perigoso porque fecha a porta da autocrítica e impede a mudança de comportamento.
Na prática, quem sofre desse viés tende a repetir os mesmos erros financeiros — gastar demais, comprar por impulso, ignorar orçamentos — mas justificar tudo com “eu sei o que estou fazendo”.
Um exemplo claro é quem critica o consumo exagerado dos outros, mas se endivida com facilidade sem perceber. Para contornar isso, é importante revisar decisões financeiras com distanciamento — olhar para si mesmo com o mesmo olhar crítico que teria para outra pessoa.
Viés de atribuição
O viés de atribuição é a tendência de explicar o sucesso financeiro pelas próprias qualidades (“eu sou bom com dinheiro”) e culpar fatores externos pelos fracassos (“as contas estavam altas demais”, “o mercado piorou”).
Esse viés protege o ego, mas impede o aprendizado. Quando tudo dá certo, o consumidor assume o crédito. Quando dá errado, culpa o ambiente. Assim, ele perde a chance de refletir sobre decisões e melhorar seu comportamento financeiro.
Lembre-se: para evoluir financeiramente, é importante reconhecer tanto os acertos quanto os erros como frutos das próprias escolhas.
Continue aprendendo com a Top
E então, quais são os seus vieses? Conhecer as finanças comportamentais não é só uma ferramenta de autoconhecimento — ela também será cobrada em exames certificadores e na sua rotina no mercado financeiro, na hora de lidar com clientes.
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