A Taxa de Longo Prazo (TLP) é usada desde 2018 nos financiamentos do BNDES, mas, mesmo depois de alguns anos, ainda deixa muita gente com dúvidas.
E grande parte dessa confusão vem da comparação com a antiga TJLP, que foi justamente a taxa substituída pela TLP.
Eu sei — é realmente fácil misturar as duas. Mas a diferença vai muito além de “uma letrinha”. A TLP surgiu para corrigir falhas da TJLP que acabaram criando distorções e custos elevados para o Estado.
Quer entender exatamente que falhas foram essas e quais são as diferenças de verdade? Então fica aqui comigo. Neste artigo, vou te explicar tudo isso — e mais um pouco. Olha só o que você vai aprender:
- O que é a Taxa de Longo Prazo (TLP)?
- Quando surgiu a taxa de juros de longo prazo?
- Quem fixa a taxa de juros de longo prazo?
- Como a taxa de longo prazo é formada?
- Como a taxa de longo prazo afeta os investimentos?
- Qual a diferença entre TJLP e TLP?
- Qual a importância da taxa de longo prazo?
- Qual é a taxa de juros de longo prazo?
- Como calcular a taxa de juros de longo prazo?
- Quais as vantagens da taxa de longo prazo?
- Por que ocorreu uma mudança na TLP?
Pronto(a)? Então vamos tirar essas dúvidas de uma vez.
O que é a Taxa de Longo Prazo (TLP)?
A Taxa de Longo Prazo (TLP) é a taxa básica usada como referência na formação dos juros dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Ela não é a taxa final, mas o ponto de partida para calcular quanto o cliente vai pagar. São considerados ainda o spread (a remuneração do banco) e a taxa de risco.
Atenção: a TLP é uma taxa única, válida para qualquer prazo de operação. Por isso, não faz sentido compará-la à Selic, que oscila ao longo do financiamento. A comparação mais adequada é com as taxas de mercado livres de risco, especialmente os juros reais dos títulos públicos com prazos semelhantes (como as NTN-B).
Quando surgiu a Taxa de Longo Prazo?
A Taxa de Longo Prazo (TLP) foi instituída pela Lei Nº 12.483/17, e passou a ser aplicada em todos os contratos de crédito do BNDES a partir de 1º de janeiro de 2018.
Criada para substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo, a TLP surgiu para aproximar o custo dos financiamentos do BNDES às taxas de mercado de longo prazo, reduzindo subsídios e distorções que existiam com a TJLP.
Quem fixa a Taxa de Longo Prazo?
A TLP não é definida por nenhuma autoridade, como acontece com a taxa Selic. O seu valor é determinado automaticamente por uma regra prevista em lei, vinculada ao comportamento de indicadores de mercado.
O Banco Central e o BNDES apenas calculam e divulgam a taxa todos os meses — não têm poder para decidir seu valor.
Se você está se perguntando como essa taxa é calculada, fica tranquilo (a), é sobre isso que falo a seguir.
Como a Taxa de Longo Prazo é formada?
A Taxa de Longo Prazo (TLP) é formada pela combinação de dois elementos:
- A taxa de juros real de mercado, obtida a partir dos títulos públicos indexados ao IPCA (as NTN-B);
- A expectativa de inflação, medida pelo IPCA projetado.
A soma desses dois componentes resulta na TLP divulgada mensalmente. A seguir, explico cada um deles com mais detalhe.
IPCA
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o principal indicador de inflação no Brasil. Calculado pelo IBGE e divulgado na primeira semana de cada mês, ele mede a variação de preços de uma cesta ampla de bens e serviços consumidos por famílias urbanas com renda entre 1 e 40 salários mínimos.
Consequentemente, se o preço médio desses produtos e serviços aumenta, a TLP tende a ficar mais alta. Se, pelo contrário, a inflação recua, a taxa de crédito do BNDES também diminui.
Taxa Fixa
O segundo componente da TLP é a taxa de juros real de mercado, obtida a partir dos títulos públicos federais indexados ao IPCA — as NTN-B (ou Tesouro IPCA+).
De forma simples, essa taxa representa quanto os investidores exigem de retorno acima da inflação para emprestar dinheiro ao governo por vários anos. Como esses títulos têm prazos longos, funcionam como uma referência natural para o custo dos financiamentos de longo prazo no país.
Quando a taxa real dos títulos sobe, a TLP sobe. Quando ela cai, a TLP também fica mais baixa.
Como a Taxa de Longo Prazo afeta os investimentos?
Ao alinhar o custo do crédito às condições de mercado, a TLP reduziu distorções e deu mais previsibilidade aos financiamentos de longo prazo. O impacto é mais direto no crédito empresarial, mas também chega ao investidor pessoa física, ainda que de forma indireta.
Para empresas, os principais efeitos são:
- Sinalização econômica: se a TLP sobe, os projetos precisam ser mais rentáveis para compensar o custo do financiamento; se cai, mais investimentos se tornam viáveis;
- Planejamento e previsibilidade: como segue regras de mercado e não decisões políticas, aumenta a segurança para empresas que dependem de crédito de longo prazo;
- Redução de distorções: com a antiga TJLP, algumas empresas tinham crédito muito barato enquanto outras pagavam juros bem mais altos. Ao aproximar os juros do BNDES das taxas de mercado, a TLP reduziu esse desequilíbrio.
Para investidores pessoa física, os efeitos são indiretos, mas importantes:
- Sinaliza os juros reais de longo prazo: como deriva do IPCA + juros reais, ajuda a entender a tendência de títulos como o Tesouro IPCA+;
- Impacta a economia e o mercado de ações: TLP alta encarece o crédito; empresas investem menos, o que pode afetar lucros e ativos de risco;
- Mostra o custo do dinheiro no futuro: indica se o crédito tende a ficar mais caro ou mais barato, facilitando decisões sobre onde e quando investir;
- Influencia a atratividade da renda fixa: juros reais altos tornam títulos indexados à inflação mais interessantes — e o contrário também é verdade;
- Funciona como termômetro econômico: ajuda o investidor a interpretar o cenário de longo prazo.
Em resumo: a TLP não determina o rendimento direto das aplicações financeiras, mas influencia o ambiente onde os investimentos se valorizam ou se desvalorizam. Para as empresas, contudo, essa relação é muito mais direta, já que a TLP afeta o custo do crédito para projetos de longo prazo.
Qual a diferença entre TJLP e TLP?
Se a mudança de nome entre a antiga Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e a Taxa de Longo Prazo (TLP) foi — para dizer o mínimo — bastante sútil, as demais diferenças entre a velha e nova taxa do BNDES são muito mais perceptíveis.
De forma geral, elas divergem na forma de cálculo, nos subsídios envolvidos e no modo como são utilizadas. Para deixar mais claro, explico cada uma dessas diferenças de forma simples e objetiva a seguir.
Forma de Cálculo
A Taxa de Longo Prazo (TLP) é calculada todos os meses e resulta da soma de duas partes:
- Uma taxa fixa, baseada no juro da NTN-B de 5 anos;
- A variação do IPCA, que atualiza o valor mês a mês.
Já a TJLP — que existia antes da TLP — era definida trimestralmente pelo governo. A sua formação considerava:
- A meta de inflação para os próximos 12 meses;
- Um prêmio de risco, também determinado pelo governo.
Subsídios
Antes de mais, vale lembrar o que é um subsídio: é quando o governo reduz artificialmente um custo, pagando a diferença com recursos públicos — no caso do crédito, significa oferecer juros abaixo do que o mercado cobraria.
Como a TJLP era definida pelo governo, frequentemente ficava bem abaixo dos juros reais de mercado. Isso gerava uma reação em cadeia: os subsídios tornavam-se cada vez mais caros e acabavam por aumentar a dívida pública, já que o governo precisava emitir mais dívida para cobrir a diferença entre a taxa subsidiada e o custo real do dinheiro.
Com a TLP, esse problema foi mitigado. A nova taxa já não sofre interferência direta do governo — é formada pelo próprio mercado, a partir do juro real da NTN-B de 5 anos e da variação do IPCA. Hoje, embora os subsídios ainda possam existir, eles são explícitos, discutidos e aprovados no orçamento público.
Utilização
A TJLP era usada como instrumento de política pública, permitindo acesso a crédito empresarial artificialmente barato. Isso acabava atraindo empresas que, mesmo podendo financiar-se no mercado privado, recorriam ao BNDES apenas pelo custo, criando um benefício concentrado.
Com a chegada da TLP, a lógica mudou. A taxa do BNDES passou a ser uma taxa de mercado. Com isso, diminuiu-se o incentivo para grandes empresas recorrerem ao banco apenas pelo juro mais baixo, e as linhas passaram a fazer mais sentido para pequenas e médias empresas com dificuldade de acesso ao mercado privado.
Aqui cabe ainda ressaltar o fator temporal: a TLP passou a ser aplicada a todos os contratos de crédito firmados no BNDES a partir de janeiro de 2018. Já a TJLP continua vigente apenas nos contratos celebrados antes dessa data, permanecendo válida até o fim de cada operação.
Qual a importância da Taxa de Longo Prazo?
Em poucas palavras, a Taxa de Longo Prazo reaproximou o BNDES do seu papel original: financiar projetos estratégicos ou aqueles em que o mercado privado não consegue oferecer crédito adequado.
Além de corrigir distorções na oferta de financiamento, a nova forma de cálculo reduziu os subsídios implícitos e ajudou a aliviar a dívida pública, já que o governo deixou de arcar automaticamente com juros artificialmente baixos.
A TLP também trouxe mais transparência, pois qualquer subsídio passou a ser explícito, discutido e registrado no orçamento público — evitando que o crédito do BNDES seja usado como instrumento político sem controle.
Qual é a Taxa de Longo Prazo?
No momento em que escrevo (dezembro de 2025), a parcela fixa da Taxa de Longo Prazo está em 7,82% ao ano. A esse valor soma-se ainda a correção pela inflação (IPCA), além de eventuais custos adicionais como spread e risco de crédito, para determinar o custo final do financiamento pelo BNDES.
A TLP, vale lembrar, é atualizada todos os meses. Para consultar o valor mais recente, basta acessar a página do Banco Central, onde os dados são publicados oficialmente.
Como calcular a Taxa de Longo Prazo?
A TLP é formada por duas partes: uma taxa fixa, que corresponde ao juro real da NTN-B de 5 anos, e uma taxa variável, ligada ao IPCA, que atualiza o valor mês a mês.
Em resumo, o juro real da NTN-B define a parcela fixa da TLP, enquanto o IPCA faz a correção ao longo do tempo. O Banco Central calcula e divulga a taxa todos os meses, já apresentando o resultado final.
Quais as vantagens da taxa de longo prazo?
A TLP trouxe uma série de melhorias para o crédito de longo prazo no Brasil. Entre as principais vantagens, vale citar:
- Alivia a dívida pública: com subsídios mais controlados e explícitos, o governo deixa de precisar emitir tanta dívida para financiar descontos implícitos;
- Favorece empresas que mais precisam: sem juros artificialmente baixos para grandes grupos, o BNDES volta-se para quem enfrenta maiores dificuldades de acesso ao crédito privado — em especial pequenas e médias empresas;
- Funciona como termômetro econômico: ao refletir o juro real das NTN-B, a TLP ajuda a sinalizar expectativas de inflação, risco e condições financeiras do país;
- Incentiva investimentos mais eficientes: como o custo do crédito reflete o juro real da economia, as empresas selecionam projetos mais sólidos, evitando investimentos motivados apenas por juros artificialmente baixos;
- Minimiza subsídios: a taxa acompanha o juro real das NTN-B, com isso, os subsídios deixam de ser automáticos e passam a ser exceção — e não regra;
- Permite mais previsibilidade para o crédito: a regra de cálculo é clara e conhecida. Como segue parâmetros de mercado, tende a gerar maior estabilidade e previsibilidade no longo prazo;
- Reduz distorções de crédito: ao alinhar o custo do financiamento ao juro real, evita que empresas recorram ao BNDES apenas para obter crédito artificialmente barato;
- Reduz incertezas fiscais: ao eliminar subsídios implícitos, o impacto orçamental do BNDES torna-se mais previsível e sustentável;
- Traz mais transparência: qualquer subsídio precisa ser aprovado no orçamento e devidamente contabilizado, evitando usos opacos ou político-partidários.
Por que ocorreu uma mudança na TLP?
Antes da criação da TLP, os juros cobrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social costumam ficar abaixo das taxas praticadas pelos bancos comerciais e, muitas vezes, até do custo de captação do próprio governo.
O Resultado? Um desequilíbrio nas contas públicas, já que o governo precisava arcar com a diferença entre o que pagava para se financiar no mercado e o que cobrava nos empréstimos do BNDES.
Além disso, a TLJP também promovia grandes distorções no mercado de crédito. Isso porque empresas com acesso às linhas do BNDES acabam tendo vantagens enormes em relação às que dependiam de crédito bancário comum, o que concentrava benefícios em poucos grupos e prejudicava a concorrência.
A Taxa de Longo Prazo veio justamente para corrigir esses dois problemas. Com a sua implementação, os juros do BNDES deixaram de ser artificialmente baixos e passaram a refletir o custo real do dinheiro na economia, alinhando-se às taxas praticadas no mercado?
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