Quem compra uma call (opção de compra) tem o direito — não o dever — de adquirir o ativo-objeto no futuro por um preço previamente combinado, chamado strike. Quem compra uma put (opção de venda), por sua vez, tem o direito de vender o ativo-objeto na data futura por esse mesmo preço de strike.
Se lá na frente as condições não estiverem favoráveis, o detentor pode simplesmente deixar a opção vencer e seguir em frente: perde apenas o valor pago como prêmio ao vendedor.
O mesmo vale quando o preço de mercado e o strike são iguais — como não há ganho real, o detentor tende a deixar a opção expirar sem valor.
Agora, se as condições forem favoráveis, o cenário muda: o detentor pode comprar o ativo por um preço mais barato que o de mercado (no caso da call) ou vendê-lo por um preço mais alto (no caso da put). Aqui sim há lucro potencial.
Simples, né?
Mas, talvez, você esteja se perguntando: o que tudo isso tem a ver com OTM, ATM e ITM?
Tudo! Talvez o leitor não tenha percebido, mas acabei de explicar — exatamente nessa ordem — o que cada uma dessas classificações significa. Mas não se preocupe: ao longo deste artigo vou deixar tudo ainda mais claro. Em resumo, explicarei:
- O que é ITM, ATM e OTM?
- Como funcionam as opções in the money?
- Vale a pena ter uma opção in the money?
- Como funcionam as opções out the money?
- Vale a pena ter uma opção out the money?
- Como funcionam as opções at the money?
- Vale a pena ter uma opção at the money?
Se estas siglas ainda te confundem, relaxa — nos próximos parágrafos tudo vai fazer clic.
O que é ITM, ATM e OTM?
Essas três siglas classificam uma opção pela relação entre o strike (preço de exercício da opção) e o spot (preço atual do ativo). Os termos completos significam:
- In The Money (ITM): “dentro do dinheiro”;
- At The Money (ATM): “no dinheiro”;
- Out The Money (OTM): “fora do dinheiro”.
A interpretação é bastante simples, como explico a seguir.
Opções ITM (In The Money)
Diz-se que a opção está ITM quando o strike é favorável em relação ao spot. Ou seja, quando o preço do ativo é vantajoso ao exercício.
Importante: o que significa estar “dentro do dinheiro” muda conforme o tipo da opção:
- Call ITM: preço da ação acima do strike;
- Put ITM: preço da ação abaixo do strike.
Por exemplo, para uma ação com valor atual de R$50:
- Call com strike R$35: ITM (permite comprar mais barato que no mercado);
- Put com strike R$55: ITM (permite vender mais caro que no mercado).
Opções OTM (Out The Money)
Uma opção está OTM quando o strike é desfavorável em relação ao spot — ou seja, quando o exercício não traz vantagem imediata. Por isso se diz que está “fora do dinheiro”.
Assim como nas opções ITM, a definição de OTM depende do tipo de opção:
- Call OTM: preço da ação abaixo do strike.
- Put OTM: preço da ação acima do strike.
Usando do mesmo exemplo anterior, para ação com spot R$50:
- Call com strike de R$55: OTM (comprar por R$55 é pior do que comprar no mercado a R$50).
- Put com strike de R$35: OTM (vender por 35 é pior do que vender no mercado a 50).
Opções ATM (At The Money)
Opções ATM são aquelas em que o strike e o spot estão iguais ou muito próximos. Daí o termo “no valor”.
Neste caso, a definição é a mesma tanto para calls quanto para puts.
Seguindo o mesmo exemplo, com o spot a R$50:
- Opção com strike de R$50: ATM.
Como funcionam as opções in the money?
Quando uma opção está dentro do dinheiro, significa que vale a pena exercer, pois o exercício traz benefício imediato. Em outras palavras, já existe lucro embutido na operação. O funcionamento é simples:
- No caso de uma call (direito de compra): o ativo-objeto está mais caro no mercado do que no preço combinado (strike). Ou seja, exercer é vantajoso — é possível comprar pelo strike, mais barato, e economizar em relação ao preço de mercado.
- No caso de uma put (direito de venda): o ativo está mais barato no mercado do que o strike. Isso permite vender pelo preço combinado, mais alto, obtendo vantagem imediata em relação ao mercado.
Para quem vendeu a opção, uma ITM é mau sinal: como já há lucro para o comprador, a chance de exercício é alta — e o vendedor poderá ter de cumprir a obrigação (vender no caso da call, comprar no caso da put) em condições desfavoráveis.
Vale a pena ter uma opção in the money?
Sim! Para quem adquiriu uma opção, ela estar in the money é um bom negócio porque já há valor real nela. Em termos simples:
- Para opções de compra (call): significa que o preço combinado (strike) está mais barato do que o preço de mercado. Ou seja, na vigência é possível comprar o ativo com desconto;
- Para opções de venda (put): significa que o strike está acima do preço de mercado. Na prática, podes vender o ativo por um valor mais alto do que ele vale no mercado.
Observação: antes do vencimento, o detentor também pode optar por vender a opção ITM no mercado. Como ela já possui valor intrínseco, normalmente é possível vendê-la com lucro sem precisar exercer.
Como funcionam as opções out the money?
Quando uma opção está fora do dinheiro, significa que não vale a pena exercer, pois o exercício resultaria em prejuízo. Como se diz no mercado, é melhor deixar a opção “virar pó”. O funcionamento é simples:
- No caso de uma call (direito de compra): o ativo-objeto está mais barato no mercado do que no preço combinado (strike). Ou seja, exercer não faz sentido — é melhor comprar o ativo diretamente no mercado e deixar a opção expirar;
- No caso de uma put (direito de venda): o ativo está mais caro no mercado do que o strike. Logo, vender pelo preço combinado seria pior negócio do que vender pelo preço atual de mercado. Por isso, também não compensa exercer a opção.
Para quem vendeu a opção, uma OTM é uma boa notícia: como ela tende a expirar sem valor, o vendedor fica com o prêmio recebido e não precisa cumprir nenhuma obrigação.
Vale a pena ter uma opção out the money?
No geral, opções out the money não são vantajosas para o detentor, pois a opção ainda não tem valor real. Em termos simples:
- Para opções de compra (call): significa que o preço combinado (strike) está mais alto do que o preço de mercado. Ou seja, exercer não faz sentido, já que o ativo está mais barato no mercado;
- Para opções de venda (put): significa que o strike está abaixo do preço de mercado. Na prática, vender o ativo pelo preço combinado renderia menos dinheiro do que vendê-lo no próprio mercado.
Observação: antes do vencimento, o detentor ainda pode tentar vender a opção, mas apenas pelo valor extrínseco — a parte do prêmio ligada ao tempo e à volatilidade. Como a opção está fora do dinheiro e não tem valor intrínseco, o único valor que ela carrega é o potencial de ainda ficar lucrativa até o vencimento.
Como funcionam as opções at the money?
Quando uma opção está at the money, significa que o preço de exercício (strike) está igual ou muito próximo do preço de mercado (spot). Nessa situação, exercer não traz lucro, mas também não gera prejuízo imediato. O funcionamento é simples:
- No caso de uma call (direito de compra): o preço do ativo no mercado está praticamente igual ao strike. Exercer não faz diferença prática — comprar via mercado ou via opção resulta no mesmo valor;
- No caso de uma put (direito de venda): o preço de mercado também está muito próximo do strike. Vender pelo strike ou vender pelo mercado acaba dando na mesma.
Para quem vendeu a opção, uma ATM representa uma situação neutra: ela ainda tem algum valor extrínseco, mas não oferece qualquer vantagem real para quem a comprou naquele momento.
Em resumo: no caso de uma ATM, é indiferente para o detentor comprar ou vender o ativo pelo strike, já que ele está no mesmo preço do mercado.
Ainda assim, antes do vencimento, a opção continua a ter valor extrínseco (tempo e volatilidade), por isso pode ser vendida no mercado. No vencimento, caso continue ATM, ela expira sem valor: o comprador perde o prêmio pago e o vendedor fica com esse valor como lucro.
Vale a pena ter uma opção at the money?
Opções ATM não trazem lucro imediato, mas carregam potencial. Podem ser úteis quando para aproveitar movimentos futuros do preço. Em termos simples:
- Para opções de compra (call): significa que comprar pelo strike é praticamente igual a comprar no mercado. Não há ganho no exercício, mas a opção pode ficar lucrativa se o preço subir;
- Para opções de venda (put): significa que vender pelo strike é praticamente igual a vender no mercado. Também não há vantagem imediata, mas a opção pode ficar lucrativa se o preço cair;
Observação: antes do vencimento, opções ATM podem ter um bom valor extrínseco, pois ainda existe incerteza sobre para qual lado o preço vai andar. Por isso, o detentor pode vendê-las no mercado mesmo sem valor intrínseco.
Uma vez explicado o que é e como funcionam opções ITM, ATM e OTM, para não restar nenhuma dúvida, vale colocar elas lado a lado em uma tabela comparativa:
| Tipo de Opção | Categoria | O que significa na prática | Vale a pena exercer? |
| CALL (direito de comprar) | ITM (in the money) | O preço do ativo-objeto no mercado está acima do preço de compra da opção. Comprar pelo strike é mais barato do que comprar no mercado. | Sim, há ganho real. |
| ATM (at the money) | O preço do ativo-objeto no mercado é o mesmo do preço da opção. Não há vantagem em exercer. | Não, é indiferente. | |
| OTM (out the money) | O preço do ativo-objeto no mercado está abaixo do preço de compra da opção. Comprar pelo strike sairia mais caro do que no mercado. | Não, seria prejuízo. | |
| PUT (direito de vender) | ITM (in the money) | O preço do ativo-objeto no mercado está abaixo do preço combinado para venda. Vender pelo strike é mais caro do que vender no mercado. | Sim, há ganho real. |
| ATM (at the money) | O preço de mercado é igual ao do preço de venda da opção. Não há vantagem em exercer. | Não, é indiferente. | |
| OTM (out the money) | O preço do ativo-objeto no mercado está acima do preço combinado para venda. Vender pelo strike renderia menos que vender pelo mercado. | Não, seria prejuízo. |
Importante: tanto nas opções OTM quanto nas opções ATM, o prejuízo máximo do detentor é limitado ao prêmio.
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Eu sei: seja porque você está estudando para uma certificação financeira, seja porque quer diversificar a carteira, as opções costumam entrar naquela lista de assuntos que dão um nó na cabeça.
Mas calma. Mesmo que operar opções seja um pouco mais complexo do que negociar ativos diretamente, o tema está longe de ser um bicho-papão. Com um pouco de estudo, tudo começa a fazer sentido.
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