Ter acesso ao dinheiro sem precisar esperar um prazo mínimo pode tornar um fundo de investimento sem carência bastante interessante para quem busca mais liberdade na hora de resgatar os recursos. Mas, para quem trabalha com finanças, saber apenas que o dinheiro pode ser retirado quando necessário está longe de ser suficiente.

Um profissional da área precisa conhecer os diferentes aspectos que devem ser avaliados antes de recomendar ou analisar um fundo. Afinal, mais do que saber que pode resgatar o dinheiro a qualquer momento, o cliente também precisa saber onde está investindo, quais riscos está assumindo, quanto paga por isso e, claro, se aquele produto faz sentido com os seus objetivos.

E tem ainda mais um motivo para não deixar esse assunto para depois: fundos de investimento aparecem com frequência nas provas de certificações financeiras e fazem parte da base de conhecimento esperada de quem pretende atuar no mercado

Por isso, vale dominar o tema para além da ideia de liquidez e entender de fato como esses produtos funcionam. Concorda? Então, vem comigo para entender:

  • O que são fundos de investimento sem carência;
  • Quais são as vantagens dos fundos sem carência;
  • Quais são os fundos de investimento sem carência; 
  • Fundos sem carência têm liquidez imediata;
  • Qual é o fundo de investimento mais seguro;
  • Como escolher o melhor fundo de investimento sem carência.

Bora?

O que são fundos de investimento sem carência?

Os fundos de investimento sem carência são aqueles que permitem o resgate das cotas a qualquer momento, sem que a pessoa investidora precise aguardar um período mínimo de permanência para ter acesso ao dinheiro. Nesses casos, o resgate pode ser solicitado a qualquer momento, e o valor cai na conta dentro do prazo de liquidação definido no regulamento do fundo.

Antes de prosseguirmos, vale refrescar a memória para a definição de um fundo de investimento. Esse produto financeiro é uma estrutura coletiva de investimento: diversas pessoas colocam dinheiro em um mesmo veículo, que é gerido por uma gestora profissional responsável por alocar esse capital em ativos de acordo com a política definida no regulamento. 

Um fundo pode ser, então, de renda fixa, de ações, de índices, de criptomoedas ou até de uma categoria que combine mais de um mercado.

Quando ao retorno, o que a pessoa investidora recebe é proporcional à quantidade de cotas que possui.

Quais são as vantagens dos fundos sem carência?

Liquidez, flexibilidade para fazer ajustes na carteira e possibilidade de usar o fundo como reserva de emergência são algumas vantagens que um fundo sem carência oferece.

A seguir, falo um pouco mais sobre cada uma delas.

Liquidez

Se um fundo não tem carência, então o cotista pode solicitar o resgate a qualquer momento, sem pagar qualquer multa por isso. Em fundos com carência, por outro lado, fazer um resgate antes do período mínimo pode resultar em penalidades ou até na perda de parte do rendimento. 

Mesmo assim, é preciso lembrar que liquidez e possibilidade de resgate a qualquer momento não significam necessariamente que o dinheiro vai cair imediata na conta do cotista

Se um fundo, mesmo que não tenha carência, tiver um prazo de D+1, D+2 ou até mais dias, então pode demorar um pouco para que o valor das cotas retorne à conta.

Flexibilidade para ajustar a carteira

Sem um prazo mínimo de permanência, a pessoa investidora tem mais liberdade para realocar o capital conforme o cenário econômico ou os seus objetivos mudam. Se a estratégia do fundo deixar de fazer sentido para o momento, ou se surgir uma oportunidade melhor em outro veículo, é possível sair sem problemas.

Para investidores que constroem carteiras com diferentes objetivos e horizontes de tempo, ter pelo menos uma parte do patrimônio em fundos sem carência cria uma camada de mobilidade que os fundos fechados ou com prazo longo não permitem.

Ainda assim, você, enquanto profissional do mercado financeiro, deve orientar seus clientes (se eventualmente trabalhar com isso) que não necessariamente toda oscilação do mercado financeiro pede uma decisão impulsiva, como a de imediatamente resgatar cotas de um fundo sem antes analisar a fundo essa possibilidade.

Uso como reserva de emergência com rentabilidade

Fundos de renda fixa sem carência com liquidez diária ou próxima disso são uma alternativa para quem quer manter uma reserva de emergência rendendo mais sem abrir mão do acesso rápido ao dinheiro

Para cumprir bem essa função, o fundo precisa reunir duas características: 

  1. Liquidez compatível com uma emergência real; 
  2. Baixa volatilidade para que o valor esteja disponível quando for necessário.

Essa vantagem, porém, é um tópico que precisa ser tratado com cuidado. O fato de um fundo não ter carência não significa, por si só, que o produto é adequado para alguém que está investindo com o propósito de construir uma reserva de emergência. 

Ainda é preciso considerar que, a depender da estratégia, um fundo pode passar por oscilações relevantes de valor, então resgatar em um momento de baixa para cobrir algum imprevisto pode acabar causando prejuízo. 

Quais são os fundos de investimento sem carência? 

Como a carência é algo que depende de cada produto e de cada gestora, não existe uma categoria inteira de fundos que seja livre desse atributo. Ainda assim, alguns tipos costumam aparecer com mais frequência na versão sem carência.

É o caso dos fundos referenciados DI, que são os mais comuns nesse perfil. Como esses produtos investem majoritariamente em títulos pós-fixados atrelados ao CDI, têm baixa volatilidade e os ativos da carteira são altamente líquidos. Então, além de não apresentarem carência (em geral), também são alternativas que tendem a facilitar resgates em D+0 ou D+1.

Fundos de renda fixa conservadores, com carteiras compostas principalmente por títulos públicos ou papéis de crédito de curto prazo, também costumam ter liquidez mais rápida e ausência de carência. A lógica é parecida: ativos líquidos permitem que a gestora honre os resgates sem precisar “prender” os cotistas por um período mínimo.

Fundos multimercado e de ações também podem existir sem carência, mas são menos comuns nesse formato porque a natureza dos ativos que carregam exige mais tempo para execução de ordens e gestão de liquidez. Quando existem sem carência, o prazo de liquidação tende a ser maior, como D+30 ou D+60, o que acaba limitando bastante a flexibilidade de resgate mesmo sem um período mínimo obrigatório.

Fundos de crédito privado, fundos imobiliários fechados e fundos de private equity quase sempre têm carência ou são estruturas fechadas com prazo definido, porque os ativos que compõem a carteira têm liquidez baixa e não permitem resgates frequentes sem comprometer a estratégia.

Na dúvida, lembre-se sempre de ler os documentos do fundo, já que todos esses detalhes ficam compilados por lá.

Fundos sem carência têm liquidez imediata?

Não necessariamente. Afinal, ausência de carência e liquidez imediata são conceitos diferentes.

Enquanto a carência define se existe um prazo mínimo de permanência no fundo, a liquidez define em quantos dias o dinheiro cai na conta após o pedido de resgate. 

Logo, um fundo pode não ter carência e ainda assim ter um prazo de liquidação mais longo, de D+5, D+15 ou mais. Nesses casos, a pessoa investidora até pode solicitar o resgate a qualquer momento, mas vai ter que esperar o prazo estabelecido no regulamento para receber o valor.

Nos fundos referenciados DI mais simples, é comum encontrar liquidez em D+0 ou D+1, o que se aproxima de uma liquidez imediata na prática, mas mesmo assim não é uma regra

Qual é o fundo de investimento mais seguro?

Não existe um fundo que seja mais seguro que todos os outros, já que o grau de risco de cada um depende de uma série de fatores. Olha só os principais:

  • Tipo de ativo da carteira: títulos públicos carregam um risco de crédito praticamente inexistente, enquanto crédito privado, ações e derivativos têm graus diferentes e mais elevados de risco;
  • Volatilidade da estratégia: fundos que usam alavancagem ou derivativos podem ter oscilações significativas de valor, mesmo sendo fundos de renda fixa;
  • Risco de crédito dos emissores: um fundo que investe em debêntures de empresas com rating baixo (ou seja, consideradas como mais arriscadas por casas de análise) tem risco de crédito maior do que um fundo que carrega apenas Tesouro Selic;
  • Concentração da carteira: fundos muito concentrados em poucos ativos ou setores amplificam o impacto de um evento negativo específico;
  • Gestão e processo de investimento: a qualidade do gestor e a consistência do processo de análise influenciam diretamente a qualidade das decisões tomadas ao longo do tempo;
  • Liquidez dos ativos: fundos com ativos pouco líquidos podem ter dificuldade de honrar resgates em momentos de estresse de mercado, o que pode resultar em fechamento temporário para resgates.

Também vale lembrar que mesmo fundos de renda fixa ainda têm algum grau de marcação a mercado. Afinal, o que é negociado no mercado são as cotas do fundo, e não diretamente os títulos que fazem parte da carteira. Por isso, o preço da cota pode variar de acordo com a valorização ou desvalorização dos títulos, mas também com fatores como o apetite dos investidores e as condições do mercado, mesmo quando a seleção do portfólio em si é conservadora. 

Como escolher o melhor fundo de investimento sem carência?

Para além de analisar se um fundo de investimento tem carência ou não, é preciso levar em conta também:

  • Defina para que serve o dinheiro antes de escolher o fundo: reserva de emergência, objetivo de médio prazo e capital de giro têm necessidades de liquidez e tolerância a risco diferentes, e o fundo precisa ser adequado à função que vai cumprir;
  • Leia o regulamento e a lâmina antes de investir: o prazo de liquidação real, a política de investimento, os riscos assumidos e as taxas cobradas estão nesses documentos, logo, ignorar essa leitura é aceitar condições que você não conhece;
  • Verifique o prazo de liquidação, não só a ausência de carência: um fundo sem carência com liquidação em D+30 tem utilidade bem diferente de um com liquidação em D+1. Confirme quando o dinheiro de fato ficará disponível após o resgate;
  • Compare a rentabilidade líquida, não a bruta: taxa de administração, taxa de performance e Imposto de Renda impactam o retorno final. Um fundo com rentabilidade bruta maior pode entregar menos do que outro com taxa mais baixa;
  • Avalie o histórico da gestora, não só do fundo: fundos novos têm histórico curto, então olhar para o track record da gestora em outros produtos e em diferentes cenários de mercado dá uma visão mais completa da consistência da gestão;
  • Verifique se o risco da carteira é compatível com o objetivo em questão: um fundo sem carência que investe em crédito privado de longo prazo pode ter oscilações que não combinam com uma reserva de emergência, mesmo que tecnicamente o resgate possa ser solicitado a qualquer momento;
  • Considere o tamanho do patrimônio do fundo: fundos muito pequenos podem ter custos operacionais proporcionalmente altos e menos poder de negociação na compra dos ativos. Fundos muito grandes podem ter dificuldade de executar estratégias mais ágeis. Não há um número ideal, mas é um dado que vale observar.

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Chegou até aqui sabendo que fundos de investimento sem carência trazem mais liberdade para os investidores, mas ainda assim precisam ser analisados a partir de outros critérios? Saiba que esse tipo de conhecimento cai na prova de várias certificações financeiras.

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