PQO, nova trilha de certificações da Anbima, AI Ancord: espere encontrar uma questão sobre a fusão da B3 em todas essas certificações.
Para além das datas, minha recomendação é que você também entenda quais entidades deram origem à B3, sobre o que eram encarregadas antes da fusão e quais consequências a combinação trouxe para o sistema financeiro no país.
Topa sair desse conteúdo hoje dominando o assunto? Vem comigo para entender:
- O que foi a fusão da B3;
- Qual o objetivo da fusão da B3;
- Quais instituições se fundiram criando a B3;
- Qual foi a primeira fusão da B3;
- Quais os impactos da fusão da B3 para o mercado financeiro;
- Quando a B3 virou B3.
Vamos começar?
O que foi a fusão da B3?
A fusão da B3 foi a união de duas grandes estruturas do mercado financeiro brasileiro: a BM&FBOVESPA e a Cetip. A operação foi concluída em 29 de março de 2017 e deu origem à empresa que passou a se chamar B3.
Com essa mudança, as atividades que antes estavam divididas entre a bolsa e o mercado de balcão passaram a funcionar dentro de uma mesma companhia.
Falando de cada uma individualmente, tínhamos até então a BM&FBOVESPA, que era conhecida principalmente pela negociação e pela pós-negociação de produtos listados, como ações e derivativos.
Já a Cetip atuava com mais força no mercado de balcão, cuidando do registro e do depósito de operações. Também era quem oferecia serviços relacionados à renda fixa, ao financiamento de veículos e ao crédito imobiliário.
Perceba que as funções de cada uma eram, de fato, diferentes, mas ainda assim complementares. Então a fusão fez bastante sentido. embora a transformação não tenha acontecido de uma hora para a outra.
A combinação dos negócios foi aprovada, na verdade, ainda em 2016, pelos conselhos de administração da BM&FBOVESPA e da Cetip. Aí sim, em 2017, a operação recebeu as aprovações necessárias do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Qual o objetivo da fusão da B3?
A fusão veio para reunir em uma única estrutura etapas do mercado financeiro que até então funcionavam separadas. Não é que a BM&FBOVESPA e a Cetip fossem concorrentes. Eram, na verdade, complementares, e por isso a união deveria ser uma boa ideia em termos de eficiência.
À época, a BM&FBOVESPA dominava o mercado de bolsa. Negociação, compensação, liquidação e custódia de ações, derivativos e outros valores mobiliários listados: tudo isso passava por ela.
Já a Cetip ocupava outro espaço, o mercado de balcão, com registro e depósito de títulos de renda fixa, operações de crédito, e financiamentos de veículos e imóveis.
Ao unir as duas, a B3 passou a cobrir praticamente toda a cadeia operacional do mercado financeiro brasileiro: da negociação ao registro, do depósito à liquidação. A fragmentação que existia até então foi reduzida e, como resultado, bancos, corretoras, empresas e investidores passaram a oferecer e encontrar mais soluções dentro de um mesmo ambiente.
Havia também uma lógica de eficiência por trás da fusão. Com as duas estruturas sob o mesmo teto, foi possível integrar sistemas, eliminar sobreposições e simplificar processos que antes exigiam trânsito entre duas organizações diferentes.
A integração das clearings, por exemplo, acabou sendo extremamente útil para unificar o gerenciamento de riscos de produtos que antes eram tratados em ambientes separados.
Também tivemos ganhos em termos de custos operacionais (que foram reduzidos) e de comunicação, já que diferentes mercados puderam se integrar de uma maneira mais fluida. No fim das contas, a fusão trouxe mais escala, mais capacidade de oferecer soluções integradas e se tornou mais preparada para acompanhar o crescimento do mercado financeiro.
Quais instituições se fundiram criando a B3?
A B3 foi criada pela combinação da BM&FBOVESPA e da Cetip.
No entanto, para entender completamente essa história, é preciso voltar um pouco mais no tempo, porque a própria BM&FBOVESPA já era resultado de uma fusão anterior.
A Bovespa, Bolsa de Valores de São Paulo, tinha como principal atividade a negociação de ações e outros valores mobiliários. Já a BM&F, Bolsa de Mercadorias & Futuros, concentrava operações com contratos de commodities e derivativos financeiros.
Em 2008, a Bovespa e a BM&F combinaram seus negócios e formaram a BM&FBOVESPA. Dez anos depois da união dessas duas estruturas, a BM&FBOVESPA se juntou à Cetip.
Já a Cetip tinha uma trajetória diferente. Criada em 1984, surgiu como uma entidade voltada ao mercado de balcão organizado e, ao longo dos anos, passou a oferecer serviços relacionados ao registro e depósito de ativos e operações, além de soluções para os mercados de crédito e financiamento.
A sequência pode ser resumida assim:
Bovespa + BM&F → BM&FBOVESPA → BM&FBOVESPA + Cetip → B3
Fica a dica: em uma prova, se for afirmado que a B3 nasceu da fusão de três instituições, a questão está se referindo às três principais estruturas que formaram sua trajetória: Bovespa, BM&F e Cetip.
Qual foi a primeira fusão da B3?
A primeira grande fusão que faz parte da formação da B3 aconteceu em 2008, quando a Bovespa e a BM&F combinaram seus negócios. Daí, surgiu a BM&FBOVESPA.
Antes disso, as duas instituições tinham funções diferentes.
A Bovespa era a principal referência do mercado de ações brasileiro. A BM&F, por sua vez, tinha atuação concentrada em mercadorias e futuros, com contratos relacionados a commodities, juros, câmbio e outros ativos.
A união colocou então essas atividades sob uma mesma companhia. A nova BM&FBOVESPA passou a reunir os mercados de ações, derivativos e outras operações em uma estrutura integrada.
Esse movimento é bem importante de se manter em mente porque essa B3 que conhecemos hoje não surgiu diretamente da fusão com a Cetip. Quando BM&FBOVESPA e Cetip se uniram em 2017, a BM&FBOVESPA já carregava a integração que havia ocorrido em 2008.
Na dúvida, lembre sempre dessa linha do tempo:
- 1984: criação da Cetip;
- 1986: início das operações da BM&F;
- 1967: a Bolsa de Valores de São Paulo passa a se chamar Bovespa;
- 2008: Bovespa e BM&F formam a BM&FBOVESPA;
- 2017: BM&FBOVESPA e Cetip formam a B3.
Quais os impactos da fusão da B3 para o mercado financeiro?
A fusão da B3 trouxe o seguinte para o mercado financeiro no Brasil:
- Integração de sistemas e infraestruturas: a fusão tornou possível reunir diferentes sistemas operacionais e estruturas de mercado em uma única companhia. A B3 avançou na integração das clearings e criou uma infraestrutura integrada para os mercados de ações e derivativos, com sistemas unificados de risco e processamento;
- Ampliação de produtos e serviços: a combinação reuniu a experiência da BM&FBOVESPA nos mercados de bolsa e derivativos com a atuação da Cetip em registro, depósito e operações de balcão. Também foram incorporados serviços relacionados ao financiamento de veículos e imóveis;
- Concentração de diferentes etapas das operações: os participantes passaram a contar com uma estrutura muito mais integrada para diversas fases das operações financeiras, o que inclui negociação de ativos, registro, depósito, compensação e liquidação, de acordo com o produto e o mercado envolvido;
- Fortalecimento da B3 no mercado financeiro: a fusão consolidou a posição da B3 como uma das principais empresas de infraestrutura de mercado financeiro do mundo. Entre os efeitos, temos ainda o fortalecimento do modelo de negócios, a integração das clearings e a unificação dos sistemas de gestão.
Note, porém, que a fusão não significa que todas as atividades do mercado financeiro passaram a ser realizadas pela B3.
Bancos, corretoras, distribuidoras, gestoras, investidores e outras instituições continuam exercendo suas próprias funções. A B3 entra nessa dinâmica mais como uma infraestrutura de mercado, oferecendo os sistemas e serviços necessários para o funcionamento de diferentes operações.
Quando a B3 virou B3?
A combinação entre a BM&FBOVESPA e a Cetip foi consumada em 29 de março de 2017. No dia seguinte, a companhia apresentou oficialmente a nova marca B3, associada ao nome Brasil, Bolsa, Balcão.
Mas existe um detalhe nessas datas que vale a pena estar a par: a operação societária foi concluída em 29 de março de 2017, enquanto a mudança da razão social para B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão foi aprovada somente posteriormente pela CVM. Inclusive, a assembleia que aprovou a incorporação da Cetip e a mudança da razão social ocorreu no dia 14 de junho de 2017.
Falando especificamente do que pode ser cobrado em um exame certificador, recomendo que mantenha esses anos na memória:
- 2008 = Bovespa + BM&F → BM&FBOVESPA;
- 2017 = BM&FBOVESPA + Cetip → B3.
E, se a questão pedir a data da consumação da combinação entre BM&FBOVESPA e Cetip, a resposta então é 29 de março de 2017.
Esse é um assunto que cai na prova
A fusão da B3 pode surgir em questões de várias certificações financeiras. Acha que esse conteúdo te ajudou a entender melhor sobre esse ponto na história do mercado financeiro no país? Então, nossa sugestão é que continue estudando aqui com a gente.
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