Ao longo da sua carreira no mercado financeiro, é bastante provável que você se depare com clientes que sentem medo de sair da poupança e investirem dinheiro em aplicações mais rentáveis.
Além disso, muito embora a caderneta esteja longe de ser uma boa recomendação para quem quer multiplicar ou preservar o patrimônio, o assunto pode aparecer em provas de certificações financeiras. Entendeu o recado, não é? Não dá pra fugir: é preciso entender a poupança de uma vez por todas, em detalhes.
Para te ajudar nessa missão, reuni neste conteúdo as respostas para todas essas perguntas sobre o tema:
- O que é a poupança e como ela funciona?
- Como é calculada a rentabilidade da poupança?
- Qual é o rendimento da poupança hoje?
- Vale a pena investir na poupança em 2025?
Bora?
O que é a poupança e como ela funciona?
A poupança é uma modalidade de depósito oferecida por instituições financeiras para quem quer guardar dinheiro e receber uma remuneração sobre o saldo.
É um produto bastante conhecido, mas mesmo assim muita gente não sabe que seu rendimento não funciona como uma taxa fixa definida livremente pelo banco: ele segue uma fórmula estabelecida pela legislação, que combina a Taxa Referencial (TR) com uma parcela vinculada à taxa Selic.
O dinheiro aplicado na caderneta permanece na conta e, a cada período de rendimento, a instituição calcula a remuneração correspondente.
Esse período começa na data em que o depósito foi feito e termina na mesma data do mês seguinte, conhecida como a famosa data de aniversário (ou data-base, se considerarmos o termo mais técnico). O cálculo considera o menor saldo mantido durante o período.
Isso traz uma característica importante (e também um ponto negativo) da poupança: não basta deixar o dinheiro parado por alguns dias para receber o rendimento proporcional daquele período. Se a pessoa fizer um depósito e retirar o valor antes da respectiva data de aniversário, aquele depósito não recebe a remuneração referente ao período que ainda não completou.
O que é a Taxa Referencial (TR)?
A Taxa Referencial (TR) é uma taxa calculada e divulgada pelo Banco Central a partir de uma metodologia baseada nas taxas de juros praticadas pelos bancos. Ela funciona como um índice de referência para algumas aplicações e contratos, e, no caso da poupança, entra diretamente na composição do rendimento.
É por isso que, quando a regra diz que a poupança rende “0,5% ao mês”, ainda é preciso acrescentar a TR do período para chegar ao rendimento total.
É justamente a combinação dos dois componentes que determina o rendimento de cada período. Em um dos períodos divulgados pelo Banco Central em julho de 2026, por exemplo, a TR foi de 0,1732%, enquanto a remuneração adicional foi de 0,5000%. Temos aqui, então, uma remuneração total de 0,6741% para o período.
Importante: não considere a TR como um sinônimo da poupança, já que ela é apenas uma parte do cálculo da caderneta. Para de fato saber quanto um depósito rendeu, além de olhar a TR correspondente ao período, é preciso também aplicar a regra vigente para a poupança naquele momento.
Como é calculada a rentabilidade da poupança?
A fórmula da poupança muda de acordo com a meta da Selic definida pelo Banco Central. O ponto de corte é 8,5% ao ano: acima desse nível, vale uma regra. Em 8,5% ou abaixo, vale outra.
Quando a meta da Selic está acima de 8,5% ao ano, a regra aplicável é:
Poupança = TR + 0,5% ao mês
Se a Selic estivesse em 8,5% ao ano ou abaixo desse patamar, a fórmula seria:
Poupança = TR + 70% da meta da Selic ao ano, mensalizada
A diferença entre as duas fórmulas ajuda a entender por que a poupança não pode ser analisada apenas pela frase "rende 0,5% ao mês": esse percentual de 0,5% corresponde à parcela adicional da remuneração quando a Selic está acima de 8,5%.
Como a TR entra separadamente no cálculo, pode fazer o rendimento total ficar acima desse valor.
Também existe uma particularidade no cálculo do saldo. O Banco Central informa que a remuneração dos depósitos de poupança é calculada sobre o menor saldo de cada período de rendimento. Então, movimentações feitas durante o mês podem afetar a base utilizada para calcular o rendimento daquele ciclo.
Para que você entenda melhor, vamos imaginar uma pessoa que começou o período com R$ 10 mil na poupança, retirou R$ 2 mil antes da data de aniversário e terminou o ciclo com R$ 8 mil.
Como a remuneração considera o menor saldo mantido durante o período, o cálculo será feito sobre os R$ 8 mil, e não sobre os R$ 10 mil que estavam na conta no início. É por isso que uma retirada antes da data de aniversário pode reduzir o rendimento daquele período.
Outro detalhe importante aparece quando existem vários depósitos em datas diferentes: como cada aplicação possui sua própria data de aniversário, então o cálculo precisa respeitar os respectivos períodos. Para quem movimenta a poupança com frequência, isso torna a organização das datas mais relevante do que parece.
Qual é o rendimento da poupança hoje?
Até o momento de publicação deste artigo, em agosto de 2026, a poupança segue a regra de TR + 0,5% ao mês, porque a meta da Selic está acima de 8,5% ao ano. O percentual final, porém, não é fixo: ele varia conforme a TR de cada período de rendimento do depósito.
Os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central ajudam a colocar isso em números. Para depósitos com período de rendimento de 8 de julho a 8 de agosto de 2026, por exemplo, a TR foi de 0,1732%, a remuneração adicional foi de 0,5000% e a remuneração total chegou a 0,6741%.
Esse percentual pode mudar nos meses seguintes, é claro, afinal, a TR varia de um período para outro. Enquanto a Selic permanecer acima de 8,5% ao ano, a parcela adicional continuará em 0,5% ao mês, mas o rendimento total da poupança pode aumentar ou diminuir conforme a TR.
Para visualizar o efeito sobre o dinheiro, se uma pessoa tivesse R$ 10 mil aplicados em um período cuja remuneração fosse de 0,6741%, o rendimento daquele ciclo seria de aproximadamente R$ 67,41, antes de qualquer consideração sobre movimentações que alterassem o saldo utilizado no cálculo.
Mas não se esqueça: o exemplo acima serve apenas para ilustrar a taxa de um período específico, não para afirmar que a poupança renderá esse mesmo percentual nos próximos meses, ok?
Qual a rentabilidade da poupança no mês?
A rentabilidade mensal da poupança não possui um percentual único e permanente. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, o rendimento combina 0,5% ao mês com a TR, e como a TR pode variar, o resultado final também muda.
Considerando um exemplo de 2026 para que você visualize melhor esses números, o Banco Central registrou remuneração total de 0,6741%, formada por 0,1732% de TR + 0,5000% de remuneração adicional. Logo, se uma pessoa tivesse apenas R$ 1.000 na poupança durante esse período, o rendimento seria de aproximadamente R$ 6,74.
Note que esse valor, inclusive, ajuda a perceber como o rendimento pode ser relativamente baixo, mesmo quando comparado com outras aplicações conservadoras de renda fixa, que são tão seguras quanto a poupança, além de fáceis de entender, mas com retornos potenciais mais atrativos dentro da possibilidade da classe.
Ah, e fica a dica: quando um futuro cliente seu perguntar quanto a poupança "rende no mês", a resposta correta precisa considerar qual mês ou período está sendo analisado e qual é a data de aniversário do depósito.
Vale a pena investir na poupança?
A poupança não costuma ser a alternativa mais interessante para quem busca rentabilidade. A facilidade de uso, a isenção de Imposto de Renda para pessoa física e a cobertura do FGC tornam o produto simples e de baixo risco, mas sua fórmula de remuneração limita o quanto o dinheiro pode crescer.
Por isso, dependendo do objetivo, deixar o dinheiro na poupança pode ser quase a mesma coisa que simplesmente mantê-lo parado, principalmente quando existem outras aplicações de renda fixa com nível de segurança semelhante e potencial de retorno maior.
Um dos pontos que explicam essa diferença está justamente na forma como a poupança remunera o dinheiro. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, como ocorre atualmente, a regra determina TR + 0,5% ao mês.
A taxa básica de juros até pode subir bastante, mas isso não faria a parcela de 0,5% da poupança acompanhar a alta. A TR também entra no cálculo,é claro, mas sua variação não transforma a poupança em uma aplicação que acompanhe diretamente toda a taxa de juros da economia.
Isso fica mais fácil de visualizar quando comparamos a poupança com outras alternativas de renda fixa. CDBs, LCIs, LCAs e alguns outros produtos podem oferecer remuneração vinculada ao CDI ou a uma taxa prefixada, por exemplo. Dependendo do produto, da instituição emissora, do prazo e das condições oferecidas, a pessoa pode encontrar uma rentabilidade superior à da poupança sem necessariamente precisar assumir um risco muito maior.
Aliás, por falar em segurança, muitas aplicações de renda fixa, que rendem mais que a poupança, contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que reembolsa perdas de até R$250 mil (por instituição e por CPF).
Claro que isso não significa que qualquer CDB, LCI ou LCA seja automaticamente melhor. Afinal, ainda é preciso olhar quem emite o produto, quanto ele paga, qual é o prazo, quando o dinheiro pode ser resgatado, qual é a tributação e quais são as condições da garantia.
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