Trabalha em banco, corretora, escritório de investimentos ou atendimento ao cliente? 

Então, entender o funcionamento do home broker também ajuda a explicar operações com clareza, tirar dúvidas e orientar os investidores sobre o caminho que o dinheiro percorre depois que uma ordem é enviada. E pode acreditar: as dúvidas são muitas.

O mesmo vale para você que está em início de carreira: você vai frequentar a plataforma do home broker com frequência, então, nada melhor do que entender todos os detalhes sobre o tema. 

Concorda? Então, siga com a gente para entender:

  • O que é um home broker;
  • O que é o sistema de home broker;
  • Como usar o home broker;
  • Quais ativos você pode negociar no home broker;
  • Home broker cobra taxa;
  • Vantagens e desvantagens do home broker;
  • Como operar no home broker com segurança;
  • Como escolher um home broker.

Bora?

O que é um home broker? 

Um home broker é uma ferramenta online que viabiliza que qualquer pessoa compre e venda investimentos na bolsa de valores pela internet

É basicamente uma espécie de “ponte” entre a pessoa investidora e a bolsa: em vez de precisar ligar para uma corretora e pedir que alguém faça uma operação (dá pra acreditar que o processo já foi assim um dia?), o próprio usuário acessa o sistema, escolhe o ativo que quer negociar (como ações, fundos imobiliários ou ETFs) e envia sua ordem de compra ou venda.

Para ter acesso a um home broker, é preciso ter uma conta em uma corretora de valores. Aliás, nesse mesmo lugar vão constar informações relevantes, como preços dos ativos, gráficos e histórico de cotações.

Note que embora o home broker facilite o acesso à bolsa, ainda assim se trata unicamente de uma ferramenta de negociação: ele não indica quais investimentos escolher nem garante ganhos.

 

O home broker é real?

Sim, o home broker é uma plataforma real, regulamentada e supervisionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela B3, a bolsa de valores brasileira

Não é um aplicativo de simulação nem uma plataforma paralela: quando você executa uma ordem pelo home broker, ela vai para o ambiente real de negociação da B3, onde é processada e executada da mesma forma que qualquer ordem enviada por um operador profissional.

Definição de home broker

O home broker é um sistema eletrônico de negociação que permite à pessoa investidora enviar ordens de compra e venda de ativos diretamente para a bolsa de valores pela internet, sem precisar de um intermediário humano. 

Tecnicamente, estamos falando de uma interface gráfica conectada ao sistema de negociação da B3. Quando você envia uma ordem, a plataforma da corretora a encaminha eletronicamente para o ambiente de negociação da bolsa, onde ela entra no livro de ofertas e aguarda execução. Aliás, tudo isso acontece em frações de segundo.

Cada corretora desenvolve ou licencia a própria versão do home broker, o que explica por que as plataformas variam bastante em design, funcionalidades e facilidade de uso. Mas o núcleo é o mesmo: uma janela para o mercado que fica disponível 24 horas por dia, embora as negociações só aconteçam durante o horário de funcionamento da bolsa.

História do home broker no Brasil

O home broker chegou ao Brasil em 1999, quando a Bovespa (hoje B3) regulamentou as operações eletrônicas realizadas por pessoas físicas pela internet. Antes disso, as ordens precisavam ser transmitidas por telefone ou presencialmente, o que tornava o processo lento, caro e acessível a poucos. Inclusive, você provavelmente já viu filmes que mostram esse tipo de cena, não é?

Voltando à história, nos primeiros anos, a adoção foi tímida. A internet discada limitava a velocidade de atualização dos dados, e a desconfiança com transações financeiras online era grande. Mas à medida que a banda larga se popularizou e as corretoras investiram em plataformas mais estáveis, o home broker foi ganhando terreno.

O grande salto veio com a expansão do acesso à internet nos anos 2000 e, depois, com a chegada dos smartphones. A possibilidade de operar pelo celular transformou o perfil do investidor brasileiro: de um público restrito de homens de meia-idade com experiência em mercado financeiro para um universo muito mais amplo e diverso.

O que é o sistema de home broker? 

O sistema de home broker é um conjunto de tecnologias que conecta a pessoa investidora ao mercado em tempo real. Ele funciona em três camadas: 

  1. Interface que o usuário vê e opera; 
  2. Servidor da corretora que processa as ordens e valida as condições de execução;
  3. Sistema de negociação da B3 onde as ordens são efetivamente casadas com contrapartes.

Quando você envia uma ordem de compra, o sistema verifica se você tem saldo suficiente, encaminha a ordem para a B3 com todas as especificações (ativo, quantidade, preço e tipo de ordem), e aguarda a confirmação de execução. Tudo isso em segundos, ok?

Se houver um vendedor disposto a negociar nas condições que você definiu, a operação acontece. Caso contrário, a ordem fica registrada no livro de ofertas até ser executada, cancelada ou expirar.

Para que esse processo todo seja viável de acontecer em um piscar de olhos, a infraestrutura por trás disso envolve servidores de alta disponibilidade, protocolos de comunicação de baixa latência e sistemas de segurança que incluem autenticação em dois fatores, criptografia das comunicações e monitoramento contra acessos não autorizados

Aliás, vale destacar aqui que todas essas funcionalidades são, também, prova da segurança do home broker, desde que você o acesse por uma corretora confiável.

Quais as principais funcionalidades do home broker? 

As plataformas variam entre corretoras, mas existe um conjunto de funcionalidades que todo home broker minimamente completo oferece. São elas:

  • Book de ofertas;
  • Cotações em tempo real;
  • Gráficos e ferramentas de análise técnica;
  • Stop loss e stop gain.

Bora saber mais sobre cada uma?

Book de ofertas

Eis aqui o coração do home broker. Esse book de ofertas mostra, em tempo real, todas as ordens de compra e venda registradas para um determinado ativo: de um lado, os compradores com seus preços e quantidades; do outro, os vendedores com suas condições. Quando o melhor preço de compra encontra o melhor preço de venda, a negociação acontece.

Essa funcionalidade basicamente te ajuda a entender a dinâmica de oferta e demanda de um ativo naquele momento. Se há muito mais compradores do que vendedores em determinado nível de preço, isso sugere pressão de alta

O inverso indica pressão de baixa. Day traders e swing traders usam o book como uma das principais fontes de informação, já que operam tomando decisões de curto ou curtíssimo prazo.

Para investidores de longo prazo, o book é menos relevante para a tomada de decisão, mas ainda assim segue sendo útil para escolher o melhor momento de enviar uma ordem e evitar pagar um spread desnecessariamente alto.

Cotações em tempo real

As cotações em tempo real mostram o preço atual de negociação de qualquer ativo disponível na B3, e é atualizado a cada segundo durante o pregão. Além do último preço negociado, você também verá que a plataforma costuma exibir: 

  • Variação percentual do dia;
  • Volume financeiro negociado;
  • Máxima e a mínima da sessão.

Aliás, aproveito o momento para te dizer que é bem importante que você saiba a diferença entre cotação em tempo real e cotação com delay

Algumas plataformas gratuitas exibem os preços com atraso de 15 a 20 minutos para investidores que não pagam por dados em tempo real. Para quem investe no longo prazo, isso raramente importa. Para quem opera no curto prazo, o delay pode ser a diferença entre uma boa e uma má execução.

Em geral, a maioria das corretoras brasileiras já oferece cotações em tempo real sem custo adicional para clientes com conta ativa, mas vale confirmar antes de operar.

Gráficos e ferramentas de análise técnica

Na aba de gráficos do home broker você vai se deparar com o histórico de preços de qualquer ativo em diferentes escalas de tempo, do gráfico de 1 minuto ao gráfico semanal. 

Sobre esses gráficos, é possível adicionar indicadores técnicos como médias móveis, IFR, MACD, Bandas de Bollinger e dezenas de outras ferramentas de análise.

A qualidade dessa funcionalidade varia bastante entre plataformas. Algumas corretoras oferecem ferramentas gráficas básicas que atendem bem aqueles que investem pensando no longo prazo. Outras têm plataformas mais avançadas com recursos de desenho, múltiplas janelas e personalização de indicadores, voltadas para quem opera com mais frequência.

Stop loss e stop Gain

Temos aqui ordens condicionadas que permitem automatizar a saída de uma posição sem precisar ficar monitorando o mercado o tempo todo

O stop loss define um preço mínimo: se o ativo cair até aquele nível, a ordem de venda é disparada automaticamente, limitando a perda. O stop gain define o oposto: se o ativo subir até determinado preço, a posição é encerrada e o lucro é garantido.

Essas ordens são bastante úteis para quem opera no curto prazo e não pode acompanhar o mercado em tempo integral. Mas não somente: também podem valer a pena para aqueles investidores de médio e longo prazo que querem proteger ganhos acumulados ou limitar perdas em posições que foram contra o esperado.

Ainda vale mencionar o stop móvel (ou trailing stop): ele sobe automaticamente junto com o preço do ativo, mantendo sempre uma distância fixa.

Como usar o home broker? 

O caminho para usar o home broker é bem simples:

  1. Abra o home broker: é preciso acessar pela plataforma da sua corretora, seja pelo computador ou aplicativo. O desktop costuma ser mais confortável para acompanhar gráficos e vários ativos, enquanto o celular funciona bem para operações mais simples;
  2. Encontre o investimento: use a busca para procurar pelo ticker (código) do ativo que deseja comprar ou vender, como uma ação, ETF ou fundo imobiliário;
  3. Confira a cotação: antes de enviar a ordem, veja o preço atual e confirme se aquele é o ativo que você realmente pretende negociar;
  4. Defina a ordem: informe se quer comprar ou vender, a quantidade de ativos e, quando aplicável, o preço máximo que aceita pagar ou o preço mínimo pelo qual aceita vender;
  5. Revise e envie: confira quantidade, preço e tipo de ordem antes de confirmar. Depois do envio, ela aparecerá na área de ordens da plataforma;
  6. Acompanhe a execução: uma ordem pode ser executada imediatamente ou ficar pendente até que apareça uma contraparte nas condições que você definiu. Se ainda não tiver sido executada, você pode cancelá-la, conforme as regras da corretora.

Quais ativos posso negociar no Home Broker? 

O home broker permite acessar diversos investimentos negociados no mercado financeiro, olha só:

  • Ações: participação em empresas listadas na bolsa, como bancos, varejistas, empresas de energia, mineradoras e por aí vai;
  • Fundos Imobiliários (FIIs): fundos que investem em imóveis ou ativos ligados ao mercado imobiliário;
  • ETFs: fundos negociados em bolsa que acompanham índices ou determinadas estratégias de investimento;
  • BDRs: certificados que permitem investir, pela B3, em ativos de empresas negociadas no exterior;
  • Opções: contratos que dão o direito de comprar ou vender determinado ativo por um preço definido;
  • Contratos futuros: instrumentos utilizados para negociar ativos e índices em uma data futura, muito comuns em operações de proteção e estratégias de curto prazo;
  • Renda fixa: dependendo da corretora e da plataforma, pode incluir títulos públicos, CDBs, LCIs, LCAs, debêntures e outros produtos;
  • Índices: alguns home brokers permitem negociar contratos relacionados a índices, como Ibovespa e outros indicadores do mercado.

A disposição dos ativos varia de uma corretora para outra e algumas plataformas oferecem mais produtos do que outras. Ainda assim, você vai sempre encontrar uma organização mínima por categorias, como renda variável, renda fixa, fundos e derivativos.

Home broker cobra taxa? 

Pode cobrar, mas isso depende da corretora, do tipo de operação e do ativo negociado. Hoje, muitas corretoras oferecem corretagem zero para operações comuns, mas ainda podem existir outros custos. Olha só o panorama geral:

  • Corretagem: é a cobrança da corretora pela execução de uma ordem. Em ações, FIIs e ETFs, muitas plataformas já oferecem corretagem zero, mas derivativos e outras operações podem ter cobrança;
  • Taxas da B3: são cobradas pela própria bolsa sobre as operações realizadas. Os valores variam conforme o tipo de ativo e operação e não dependem da corretora escolhida;
  • Taxa de custódia: está relacionada à manutenção dos investimentos. Para ações, FIIs e ETFs, é comum encontrar corretoras sem essa cobrança, enquanto o Tesouro Direto possui taxa de custódia da B3 em determinadas condições.

Também existem situações em que os investidores acabam pagando menos imposto, e uma das mais conhecidas é justamente a isenção nas vendas de ações no mercado à vista.

Funciona assim: se você vender até R$ 20.000 por mês em ações, no total das suas operações no mercado à vista, o lucro dessas vendas fica isento de Imposto de Renda sobre ganho de capital. Passou disso, aí sim o imposto passa a ser cobrado normalmente sobre o lucro.

Já no caso dos FIIs (fundos imobiliários), os rendimentos mensais podem ser isentos de IR para pessoas físicas, desde que o fundo cumpra alguns requisitos da legislação e o investidor também atenda às condições exigidas. Veja bem: não é automático em todos os casos, mas é bem comum no mercado.

Vantagens e desvantagens do home broker

Listando alguns pontos positivos em favor do home broker, temos:

  • Autonomia total sobre as decisões: você decide o que comprar, quando comprar e quanto investir sem depender de ninguém, algo especialmente valiosa para quem tem uma estratégia definida e quer executá-la sem intermediários;
  • Acesso a praticamente todos os ativos da bolsa: ações, FIIs, ETFs, opções, contratos futuros, títulos públicos e renda fixa privada, tudo em uma única plataforma conectada ao mesmo saldo;
  • Custo baixo: com a zeragem da corretagem nas principais corretoras digitais, o custo de usar o home broker caiu significativamente. Para quem faz aportes regulares em ações e FIIs, o custo pode ser próximo de zero além das taxas da B3;
  • Informação em tempo real: cotações, book de ofertas, gráficos e alertas de preço disponíveis para qualquer ativo a qualquer momento durante o pregão;
  • Flexibilidade de acesso: disponível no celular, no computador ou no tablet, permitindo operar de qualquer lugar com conexão à internet.

Não é que a plataforma em si seja problemática, mas ainda assim vale contrapor a lista acima com alguns pontos de atenção sobre o uso do home broker:

  • Exige conhecimento: a autonomia do home broker é uma faca de dois gumes. Sem entendimento mínimo dos ativos e do mercado, uma pessoa investidora pode tomar decisões ruins com velocidade e facilidade;
  • Risco emocional: a facilidade de execução pode levar a decisões impulsivas em momentos de volatilidade;
  • Interface pode ser complexa para iniciantes: dependendo da plataforma escolhida, a quantidade de informações e funcionalidades pode intimidar quem está começando e gerar confusão na hora de executar as primeiras ordens;
  • Problemas técnicos em momentos críticos: em dias de alta volatilidade, quando muita gente tenta acessar a plataforma ao mesmo tempo, instabilidades podem atrasar ou impedir a execução de ordens. É um risco operacional que existe em qualquer plataforma.

Como operar no home broker com segurança?

Usar o home broker com segurança envolve cuidar tanto da sua conta quanto das decisões que você toma dentro dela. Alguns cuidados simples já evitam boa parte dos problemas:

  • Ative a autenticação em dois fatores (2FA): além da senha, configure seu acesso para ser confirmado por meio de um código no celular também. Se alguém descobrir sua senha ou se esse dado for vazado, ainda assim fica difícil entrar na sua conta;
  • Evite redes públicas: não acesse sua conta de investimentos em computadores compartilhados ou redes Wi-Fi públicas e, claro, evite salvar a senha do home broker em dispositivos que outras pessoas utilizam;
  • Desconfie de links recebidos por mensagem: golpes de phishing podem imitar perfeitamente os e-mails e páginas da sua corretora. Para entrar na conta, prefira digitar o endereço oficial da instituição no navegador ou usar o aplicativo;
  • Confira a ordem antes de enviar: parece básico, mas um número errado na quantidade, no preço ou até no código do ativo pode resultar em uma operação diferente daquela que você pretendia fazer. Antes de clicar em confirmar, revise esses três pontos;
  • Não coloque dinheiro de curto prazo em ativos voláteis: se você sabe que vai precisar daquele dinheiro em alguns meses, não faz sentido depender de um ativo que pode estar em queda justamente quando chegar a hora do resgate;
  • Use ordens de proteção quando fizer sentido: em operações de curto prazo, ferramentas como o stop loss podem ajudar a limitar perdas. O recurso, porém, não elimina o risco nem garante que a venda ocorrerá exatamente no preço definido.

Como escolher um Home Broker?

A escolha do home broker é, basicamente, a escolha da corretora, já que a plataforma faz parte do serviço oferecido. Para filtrar as opções disponíveis no mercado, siga esse checklist:

  • Custos: compare corretagem, taxas de custódia e outros custos cobrados pela corretora, principalmente se você pretende operar com frequência;
  • Ativos disponíveis: confirme se a plataforma oferece os investimentos que você pretende negociar, como ações, FIIs, ETFs, BDRs, opções e contratos futuros. Quando o home broker é acessado pela plataforma de um banco, por exemplo, talvez não tenha um catálogo tão amplo quanto o de uma corretora;
  • Usabilidade: procure uma plataforma em que seja fácil encontrar ativos, enviar ordens, acompanhar sua carteira e consultar extratos. Essa dica é especialmente válida para iniciantes, já que uma interface confusa aumenta a chance de erro;
  • Recursos de análise: gráficos, indicadores, book de ofertas e ferramentas de acompanhamento podem fazer diferença para quem acompanha o mercado com mais frequência;
  • Estabilidade: o home broker precisa funcionar bem justamente quando o mercado está mais movimentado. Vale pesquisar o histórico de instabilidades e reclamações da corretora;
  • Atendimento: confira quais canais de suporte estão disponíveis e em quais horários. Ter ajuda acessível pode fazer diferença quando surgir algum problema com uma ordem ou com o acesso à conta;
  • Segurança: verifique os recursos oferecidos para proteger a conta, como autenticação em dois fatores, confirmação de operações e alertas de acesso;
  • Integração com outros serviços: algumas corretoras concentram investimentos, relatórios, análises e outros recursos na mesma plataforma. Se você pretende centralizar sua carteira, isso pode facilitar bastante o acompanhamento.

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