O Tesouro RendA+ é um título público criado para ajudar investidores a construir uma renda complementar para a aposentadoria. Ele foi lançado em janeiro de 2023 e tem uma proposta diferente dos demais títulos do Tesouro: a ideia é acumular recursos ao longo dos anos para, no futuro, recebê-los em pagamentos mensais durante duas décadas.
Temos aqui mais um título entrando na lista de possibilidades de quem deseja complementar o benefício do INSS e preservar o poder de compra dessa renda com o passar dos anos (algo inerente aos objetivos financeiros de longo prazo, aliás).
Contudo, para você, enquanto profissional do setor, conhecer apenas essa definição geral do RendA+ não basta. Ainda é preciso saber explicar aos seus clientes quanto ele precisa investir, os detalhes do funcionamento desse papel e o que acontece se ele precisar resgatar o dinheiro antes do esperado.
Bora, então, descobrir tudo isso? Vem comigo para aprender:
- O que é o Tesouro RendA+;
- Como funciona o Tesouro RendA+;
- Quanto rende o Tesouro RendA+;
- Qual a diferença entre Tesouro IPCA+ e Tesouro RendA+;
- Como usar o simulador do Tesouro RendA+;
- Quais são os custos do Tesouro RendA+;
- Como funciona o resgate antecipado;
- Vale a pena investir no Tesouro RendA+;
- Como investir no Tesouro RendA+.
E como sempre, no final reservei uma dica especial para você seguir a sua jornada de estudos a partir daqui e passar de primeira nas suas certificações financeiras.
O que é o Tesouro RendA+?
Emitido pelo Tesouro Nacional, o Tesouro RendA+ é um título público federal de renda fixa destinado ao planejamento da aposentadoria complementar. Seu nome completo é Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra, e sua identificação técnica é NTN-B1.
A B3 teve parte no desenvolvimento desse produto, bem como a Previdência do governo federal. Embora a sua criação exata tenha acontecido, na verdade, em 2022, foi em 2023 que as negociações começaram.
Assim como outros títulos públicos federais, o RendA+ representa uma dívida da União com a pessoa investidora. Em termos mais simples, ao investir nele, é como se alguém estivesse “emprestando” dinheiro ao governo.
Como funciona o Tesouro RendA+?
O Tesouro RendA+ funciona em duas etapas:
- Fase de acumulação: é o período em que a pessoa compra títulos para construir sua renda futura. Os aportes podem ser realizados em diferentes momentos, inclusive de maneira recorrente. Quanto mais títulos acumular, maior tende a ser o valor da renda que receberá posteriormente, consideradas as condições de aquisição.
- Fase de recebimento da renda: começa na data de conversão do título. A partir daí, se recebe pagamentos mensais durante 20 anos, cujos valores correspondem à devolução gradual do capital investido, acrescida da remuneração prevista, com atualização pelo IPCA.
Além disso, o saldo que ainda não foi pago (aquele que permanece investido) continua sendo remunerado durante a fase de recebimento, então o rendimento não termina quando a primeira parcela chega à conta.
Outro ponto interessante é que o Tesouro RendA+ não exige que a pessoa esteja oficialmente aposentada pelo INSS para começar a receber.
O que significa o ano no nome do título?
O ano que aparece no nome do Tesouro RendA+ indica quando a pessoa investidora vai começar a receber os pagamentos mensais, e não quando o título será integralmente quitado (como acontece com outros títulos do Tesouro Direto).
Por exemplo, quem compra o Tesouro RendA+ 2050 está escolhendo um título cuja renda começa em janeiro de 2050, com pagamentos que vão perdurar pelos próximos 20 anos.
Inclusive, antes de prosseguirmos, quero reforçar que essa informação merece atenção porque, em outros títulos do Tesouro Direto, a lógica costuma ser diferente. No Tesouro IPCA+ 2035, por exemplo, o ano indica o vencimento, ou seja, quando ocorre a devolução do principal no modelo sem juros semestrais.
Qual é a diferença entre a data de conversão e o vencimento?
A data de conversão marca o início dos pagamentos mensais do Tesouro RendA+, enquanto o vencimento corresponde ao pagamento da última parcela, aquela que encerra o título.
Usando novamente o exemplo de um Tesouro RendA+ 2050, teríamos essas datas para manter no radar:
- Data de conversão: 15 de janeiro de 2050, quando começa o recebimento da renda.
- Data de vencimento: 15 de dezembro de 2069, quando ocorre o último dos 240 pagamentos mensais.
Em resumo, a conversão não encerra o investimento, apenas inaugura a etapa em que o capital acumulado começa a retornar ao investidor.
Quanto rende o Tesouro RendA+?
A rentabilidade do Tesouro RendA+ é composta pela variação do IPCA mais uma taxa de juros real, que é definida no momento de cada compra do título. Dessa maneira, não existe uma taxa única de rendimento para todas as pessoas investidoras, nem para todos os títulos.
Se, hipoteticamente, uma alternativa do título estiver sendo negociada a IPCA + 6% ao ano, isso quer dizer que o dinheiro será corrigido pela inflação, medida pelo IPCA, e ainda renderá uma taxa de 6% ao ano acima dela (desde que o título seja mantido até o ano de conversão).
No entanto, é importante explicar duas particularidades ao cliente. A primeira é que a taxa disponível pode mudar diariamente, conforme as condições de mercado. Assim, compras realizadas em datas diferentes podem apresentar rentabilidades contratadas distintas, mesmo quando se referem ao mesmo ano de conversão.
A segunda é que o RendA+ não funciona como uma aplicação que deposita juros na conta todos os meses desde a compra. Durante a acumulação, o valor permanece investido, e os pagamentos mensais começam apenas na data de conversão.
Ademais, se houver venda antecipada, o resultado vai depender do preço de mercado naquele momento. Portanto, a remuneração contratada não deve ser apresentada como uma garantia de ganho em qualquer data de resgate.
Como o IPCA influencia a rentabilidade?
No RendA+, o IPCA atualiza o valor do título e de seus pagamentos, que é precisamente o que contribui para preservar o poder de compra da renda com o passar dos anos.
O IPCA é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, e é o indicador oficial de inflação do Brasil, que mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias. Quando o índice sobe, por exemplo, é porque o custo de vida aumentou.
Além de orientar decisões econômicas no país, o IPCA também serve de referência para reajustes de contratos e para investimentos atrelados à inflação, como o do nosso assunto aqui, o Tesouro RendA+.
No RendA+, a correção pela inflação é combinada com a taxa real contratada. Dessa forma, a pessoa investidora busca receber uma renda que acompanhe o aumento dos preços, em vez de depender de um valor nominal que perde poder de compra com o passar dos anos.
Afinal, imagine passar 20 anos juntando dinheiro para a aposentadoria e, quando chegar a hora de aproveitar essa renda, descobrir que ela já não compra tanta coisa assim. R$ 500 hoje não terão o mesmo poder de compra daqui a duas décadas, porque os preços tendem a subir nesse intervalo. Sem a correção pela inflação, você pode até acumular um valor maior em reais, mas com certeza vai comprar bem menos com ele.
Suponha que uma pessoa comece a receber R$ 3.000 mensais brutos do Tesouro RendA+ e que, ao longo dos 12 meses seguintes, o IPCA acumulado seja de 4%.
Para manter aproximadamente o mesmo poder de compra, uma parcela equivalente precisaria chegar a:
R$ 3.000 × 1,04 = R$ 3.120.
Perceba que os R$ 120 adicionais não representam, por si só, um aumento do poder de compra: eles servem para compensar a alta de 4% nos preços e permitir que a pessoa continue comprando aproximadamente a mesma quantidade de produtos e serviços. Esse é um exemplo fictício, ok? O cálculo efetivo das parcelas segue as regras de atualização do título, e os valores líquidos também dependem da tributação aplicável.
Quanto rende 1.000 reais no Tesouro Direto por mês?
O rendimento de R$ 1.000 (ou de qualquer outra quantia) no Tesouro Direto vai sempre depender do título escolhido, da taxa contratada e do período de investimento. Afinal, o Tesouro Direto é, na verdade, o programa oferece alternativas com características diferentes (como Tesouro Selic, Prefixado, IPCA+ e RendA+), e não um título em si.
Para dar uma ideia dos valores, o que podemos fazer é algumas simulações matemáticas. Mas atenção: as taxas abaixo são hipotéticas, não representam as cotações atuais do Tesouro Direto nem garantem resultados futuros.
Olha só:
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Título |
Taxa anual hipotética |
Rendimento bruto mensal equivalente sobre R$ 1.000 |
|
Tesouro Selic |
12% ao ano |
R$ 9,49 |
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Tesouro Prefixado |
11% ao ano |
R$ 8,73 |
|
Tesouro IPCA+ |
IPCA de 4% + 6% ao ano |
R$ 8,16 |
Os valores representam uma equivalência matemática mensal das taxas anuais, com capitalização composta. Não são pagamentos efetivos na conta da pessoa investidora, nem consideram o desconto de impostos, taxas e eventuais oscilações de preço.
Aliás, é importante reforçar que a rentabilidade do Tesouro Selic acompanha a evolução da taxa básica de juros, enquanto o retorno do IPCA+ depende da inflação efetiva. São lógicas diferentes.
Nos títulos sujeitos à marcação a mercado (como Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA+ e Tesouro RendA+, além do Tesouro Selic, que apresenta oscilações de preço geralmente menores), o valor de uma venda antecipada também pode ser diferente dessas projeções.
E quanto ao Tesouro RendA+, nesse caso, não faria sentido prometer um rendimento mensal imediato para uma aplicação de R$ 1.000, já que o título foi estruturado para acumular recursos e pagar uma renda durante 20 anos.
Aliás, aproveito esse momento para lembrar que os aportes regulares são extremamente recomendáveis em aplicações de longo prazo. Afinal, R$ 1.000 investidos uma única vez não seriam suficientes para formar, sozinhos, um patrimônio capaz de proporcionar uma renda significativa durante duas décadas. Com contribuições frequentes e tempo para acumular rendimentos, porém, esse valor vai crescer de maneira muito mais expressiva.
Dica: para conhecer as taxas efetivamente disponíveis e calcular os valores conforme cada prazo, porém com os valores todos atualizados, prefira sempre consultar a página de preços e rendimentos dos títulos do Tesouro Direto.
Qual a diferença entre Tesouro IPCA+ e Tesouro RendA+?
A forma de pagamento é o que marca a maior diferença entre o Tesouro IPCA+ e o Tesouro RendA+: o primeiro é voltado à acumulação de patrimônio para uma data de vencimento específica, enquanto o segundo distribui os recursos em parcelas mensais durante 20 anos.
Ambos oferecem uma rentabilidade vinculada ao IPCA mais uma taxa de juros real contratada. Contudo, o fluxo de recebimento é diferente.
O Tesouro IPCA+ tradicional, sem juros semestrais, devolve o principal e a remuneração acumulada na data de vencimento apresentada na hora da contratação. Por isso, pode ser utilizado para objetivos como comprar um imóvel, financiar uma despesa futura ou simplesmente formar patrimônio.
Existe também o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, que realiza pagamentos de juros a cada seis meses e devolve o principal no vencimento. É uma modalidade que costuma ser do interesse de quem busca receber rendimentos periódicos antes da data final do título.
Já o RendA+ foi estruturado para oferecer uma renda mensal por um período determinado (não confunda isso com o pagamento periódico do Tesouro IPCA+ com juros semestrais!). Em resumo, embora compartilhem a proteção contra a inflação, os dois produtos atendem a necessidades financeiras distintas.
Atenção: nenhum deles está livre das oscilações provocadas pela marcação a mercado em caso de venda antecipada.
Como usar o simulador do Tesouro RendA+?
Para estimar quanto investir e alcançar a renda mensal desejada no futuro, o processo é simples:
- Acesse a página do RendA+ e abra a opção de simulação;
- Defina quando deseja começar a receber a renda, escolhendo uma das datas de conversão disponíveis;
- Informe o valor de renda mensal pretendido ou os dados de investimento solicitados pela ferramenta;
- Confira a estimativa de investimento necessária, observando o valor inicial e os aportes periódicos apresentados;
- Analise as premissas da simulação, incluindo taxas, inflação projetada e valores brutos, antes de tomar uma decisão.
Dica: sempre teste mais de um cenário. Afinal, começar a investir aos 25 anos para receber aos 60 exige um esforço financeiro diferente de iniciar o planejamento aos 50 para receber aos 60.
E na hora de atender clientes, lembre-se de informar ao público que a simulação é um instrumento de planejamento e projeção, não uma promessa de renda líquida futura. As condições de mercado podem mudar, e novos aportes podem ocorrer a taxas diferentes.
Como calcular os aportes para a renda desejada?
O valor dos aportes necessários depende da renda mensal pretendida, do tempo disponível para acumular recursos e das taxas de retorno consideradas no planejamento. Naturalmente, quanto maior for a renda desejada, maior precisará ser o patrimônio destinado a financiá-la.
Por outro lado, se o prazo de acumulação disponível for mais longo, esse esforço mensal pode ser reduzido, já que os recursos terão mais tempo para render.
Para visualizar essa relação, vamos considerar uma simulação financeira com 20 anos de aportes mensais, retorno real hipotético de 5% ao ano e outros 20 anos de recebimentos:
|
Renda mensal bruta desejada, em valores de hoje |
Aporte mensal estimado |
|
R$ 1.000 |
R$ 377 |
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R$ 2.000 |
R$ 754 |
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R$ 3.000 |
R$ 1.131 |
Esses valores são apenas ilustrativos, calculados com uma taxa real constante, pagamentos mensais e sem considerar impostos, custos ou alterações nas condições de mercado. Não representam uma cotação oficial do Tesouro RendA+ nem substituem seu simulador oficial, ok?
Para simulações mais detalhadas e para que se possam explorar diferentes cenários de aporte e rendas futuras, o ideal é sempre usar o simulador do próprio RendA+.
Como escolher quando começar a receber?
Basta que a pessoa investidora selecione um título cuja data de conversão (aquela na qual começam os pagamentos) que seja compatível com o seu planejamento. Lembrando que as opções do RendA+ são identificadas por anos de início da renda, tradicionalmente organizados em intervalos de cinco anos, como 2040, 2045, 2050 e 2055, conforme a disponibilidade na plataforma.
Uma dica é que, na hora de escolher, se considere não somente a idade planejada para a aposentadoria, mas também o período durante o qual a pessoa precisará dessa renda. Afinal, cada título realiza pagamentos por 20 anos, sem oferecer uma renda vitalícia.
Quais são os custos do Tesouro RendA+?
Os principais custos do Tesouro RendA+ são o Imposto de Renda sobre os rendimentos e a taxa de custódia da B3, que possui regras específicas para esse título.
A seguir, te mostro como eles funcionam.
Imposto de Renda
O Tesouro RendA+ segue a tabela regressiva de Imposto de Renda aplicada aos títulos de renda fixa. Quanto mais tempo o dinheiro permanece investido, menor é a alíquota cobrada, veja só:
|
Prazo da aplicação |
Alíquota de IR |
|
Até 180 dias |
22,5% |
|
De 181 a 360 dias |
20% |
|
De 361 a 720 dias |
17,5% |
|
Acima de 720 dias |
15% |
O imposto incide somente sobre os rendimentos, e não sobre todo o dinheiro recebido. Além disso, nos pagamentos mensais do RendA+, a tributação considera a parcela de rendimento correspondente e o prazo de cada aplicação.
Suponha que uma pessoa investidora receba uma parcela bruta de R$ 1.200, composta por R$ 1.000 de devolução do capital e R$ 200 de rendimento tributável. Se a alíquota aplicável for de 15%, teremos:
Imposto de Renda = R$ 200 × 15% = R$ 30.
Parcela líquida = R$ 1.200 − R$ 30 = R$ 1.170.
Nesse exemplo, consideramos que não há cobrança de custódia nem de tarifa da instituição financeira. O cálculo efetivo de cada pagamento depende da composição da parcela, do prazo da aplicação e das regras tributárias aplicáveis.
Taxa de custódia
Quem mantém o RendA+ até o recebimento da última parcela fica isento da taxa de custódia da B3 para rendas mensais de até seis salários mínimos. Se o valor recebido ultrapassar esse limite, porém, a cobrança será de 0,10% ao ano sobre o excedente.
Já para quem decide vender o título antecipadamente, a taxa depende de quanto tempo o dinheiro permaneceu investido, seguindo esta lógica:
|
Tempo de permanência |
Taxa de custódia da B3 |
|
Até 10 anos |
0,50% ao ano |
|
Acima de 10 até 20 anos |
0,20% ao ano |
|
Acima de 20 anos |
0,10% ao ano |
Ou seja, as condições são diferentes para quem recebe a renda até o final e para quem resgata o investimento antes do prazo previsto.
E tem mais: o banco ou a corretora utilizada pode cobrar uma taxa própria pelo serviço, embora muitas instituições mantenham essa taxa zerada. Na dúvida, o ideal é sempre avaliar bem as condições antes do investimento.
Como funciona o resgate antecipado?
Embora o Tesouro RendA+ seja um título com foco claro no longo prazo, ele pode ser vendido de maneira antecipada, respeitada a carência de 60 dias. No entanto,o valor recebido será determinado pelas condições de mercado na data da venda.
Antes de eu explicar melhor o conceito de marcação a mercado, quero lembrar que, como o RendA+ foi concebido para o planejamento de longo prazo, se o cliente precisa formar uma reserva de emergência ou guardar dinheiro para uma despesa próxima, outros títulos, como o Tesouro Selic, podem apresentar características mais compatíveis com essa necessidade.
Agora, vamos às razões pelas quais essa orientação acima é importante.
Efeito da marcação a mercado
A marcação a mercado é o ajuste do preço de um título ao valor pelo qual ele poderia ser negociado naquele momento, levando em conta principalmente as mudanças nas taxas de juros.
Esse mecanismo não afeta só o RendA+, mas outros títulos do Tesouro Direto também, como o IPCA+ e o Prefixado. Embora cada um tenha suas particularidades, o princípio é semelhante: quando as taxas de mercado sobem, o preço dos títulos já emitidos tende a cair; quando as taxas caem, seus preços tendem a subir.
Inclusive, essa marcação costuma causar grandes sustos em quem investe nesses produtos sem conhecer bem o conceito. A pessoa compra um título e, algumas semanas depois, abre o aplicativo da corretora. Ao conferir a carteira, percebe que a rentabilidade acumulada aparece negativa. Ué, mas não era renda fixa?
Isso acontece simplesmente porque existe uma diferença importante entre o preço pelo qual o título poderia ser vendido hoje e o fluxo de pagamentos contratado para o futuro.
Se a pessoa investidora vender naquele momento, poderá realizar um prejuízo sim. Entretanto, se mantiver o título até o cumprimento de seu fluxo original, receberá a remuneração contratada, conforme as condições do papel, independentemente das oscilações intermediárias de mercado.
No RendA+, isso envolve manter o investimento durante a fase de acumulação e o período de pagamentos mensais, até a última parcela.
Vale a pena investir no Tesouro RendA+?
Depende! O Tesouro RendA+ pode valer a pena para quem deseja construir uma renda complementar de longo prazo, mas sua adequação de fato vai sempre depender dos objetivos, do prazo e das necessidades financeiras de cada pessoa.
De um lado, temos grandes atrativos para colocar na balança:
- A proteção contra a inflação;
- A possibilidade de realizar aportes ao longo do tempo;
- O recebimento de uma renda mensal programada durante 20 anos.
Ademais, a isenção da taxa de custódia nas condições previstas pode favorecer quem mantém o investimento até o final.
No entanto, existem também limitações que precisam entrar na análise. Para começar, o RendA+ não oferece uma renda vitalícia, o que não é exatamente um problema em si, mas é preciso que isso esteja alinhado com a expectativa de quem estiver investindo. Também conta com um prazo de carência, está sujeito à marcação a mercado (em caso de venda antecipada) e não é um produto destinado a quem precisa de liquidez imediata ou deseja receber juros mensais desde a aplicação.
Independentemente de qual seja o veredito, a diversificação continua sendo importante. Uma pessoa pode combinar o RendA+ com outros investimentos destinados à reserva de emergência, a objetivos de médio prazo e à formação de patrimônio. Também naturalmente vai precisar combinar outras alternativas de aplicação se, além da aposentadoria, ela tiver outras metas no radar.
Como investir no Tesouro RendA+?
Para investir no Tesouro RendA+, basta seguir estas etapas:
- Abra uma conta em uma instituição habilitada ao Tesouro Direto. Pode ser uma corretora de valores ou um banco que ofereça uma plataforma de investimentos.
- Acesse a plataforma de investimentos e procure pelas opções do Tesouro RendA+.
- Escolha o ano de conversão, considerando quando deseja começar a receber a renda complementar.
- Confira a taxa de rentabilidade, o preço do título e as condições da aplicação, inclusive custos e prazo.
- Defina o valor que deseja investir e confirme a compra.
- Acompanhe o investimento e organize novos aportes, caso deseje aumentar a renda futura.
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Entender o Tesouro RendA+ é mais uma daquelas habilidades que fazem diferença no atendimento de investidores. Afinal, explicar um produto financeiro envolve muito mais do que conhecer sua rentabilidade: é preciso compreender custos, riscos, prazos e, sobretudo, saber relacionar tudo isso aos objetivos do cliente.
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