O Pix é o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Brasileiro, sim, mas com uma curiosidade: hoje já é possível fazer um Pix em estabelecimentos em países como Argentina e Portugal, por meio de soluções oferecidas por empresas intermediárias.

E pensar que ele chegou às nossas vidas há tão pouco tempo!

O Pix começou a funcionar em novembro de 2020, mas parece que sempre esteve por aqui, não é? Hoje, é difícil pensar em dividir a conta de um restaurante, pagar uma compra ou transferir dinheiro para alguém sem lembrar dele.

E os números comprovam muitíssimo bem essa popularidade. Segundo as estatísticas oficiais do Banco Central, mais de 7,8 bilhões de transações foram realizadas em setembro de 2026, movimentando mais de R$ 3,8 trilhões. Apenas naquele mês, mais de 150 milhões de pessoas físicas utilizaram o sistema.

Só que o Pix trouxe muito mais do que a possibilidade de transferir dinheiro em segundos. Com ele, surgiram novas funcionalidades de pagamento, regras para as instituições financeiras, mecanismos de prevenção a fraudes e até discussões sobre a integração entre sistemas de diferentes países.

E, para quem está estudando para uma certificação financeira ou pretende trabalhar no setor, conhecer o Pix como usuário já não é suficiente. Precisamos entender como ele funciona, quais instituições participam das operações e o que acontece quando alguma coisa dá errado.

Por isso, hoje vamos conversar sobre:

  • O que é Pix;
  • Como funciona o Pix;
  • O que são chaves Pix;
  • Quais são os principais recursos do Pix;
  • Quanto cobra a taxa do Pix;
  • Quais são os riscos e mecanismos de segurança do Pix;
  • Qual é a diferença entre Pix e outros meios de pagamento.

Spoiler: tem muita coisa interessante para aprender!

O que é Pix? 

O Pix é um meio de pagamento instantâneo que permite transferir dinheiro entre contas em poucos segundos, a qualquer hora do dia, inclusive aos fins de semana e feriados. Criado pelo Banco Central, ele pode ser utilizado por pessoas físicas, empresas e órgãos públicos para realizar pagamentos e transferências.

Até aqui, provavelmente nenhuma novidade para você. Afinal, quem nunca enviou um Pix para dividir uma compra, pagar um profissional ou transferir dinheiro entre contas próprias? Ainda assim, quero chamar sua atenção para um detalhe que é, na verdade, enorme: o Pix não é um aplicativo de banco, nem uma empresa que presta serviços financeiros.

Ele é um arranjo de pagamentos, ou seja, um conjunto de regras e procedimentos que viabiliza a realização de pagamentos entre participantes do sistema financeiro (instituições, pessoas e por aí vai).

Quem oferece o serviço ao usuário são as instituições financeiras e as instituições de pagamento, como bancos, cooperativas de crédito e fintechs. Mas, de novo: o Pix não lhes pertence, já que ele é um arranjo de pagamentos.

Tudo isso acontece dentro de uma estrutura coordenada pelo Banco Central, que estabelece as regras do arranjo e opera componentes essenciais de sua infraestrutura. Aqui, o dinheiro não precisa passar por uma etapa de compensação semelhante à de outros meios de pagamento. 

No entanto, isso não quer dizer que todos os pagamentos sejam feitos sem verificações. Antes da conclusão, as instituições precisam autenticar o usuário e aplicar os controles de segurança necessários. Inclusive, em breve falo sobre todos esses bastidores em detalhes.

O que significa Pix?

Pix não é uma sigla e, portanto, não possui uma expressão oficial formada pelas letras P, I e X. Apesar de muita gente tentar encontrar um significado para cada letra, o Pix foi simplemente pensado como uma marca curta, descomplicada e fácil de reconhecer.

E olha que curioso: o Pix quase teve outro nome! O Banco Central chegou a considerar outras quatro opções: Valeu, Pra Já, Pi e Tix. As duas últimas avançaram na seleção, mas nenhuma acabou sendo escolhida exatamente como havia sido proposta.

Durante as discussões, a equipe gostou do nome Pi e do desenho criado para Tix. Foi daí que surgiu a ideia de juntar os dois e formar Pix, o nome que conhecemos hoje. Segundo a história oficial da marca, divulgada pelo BC, sua identidade foi inspirada em conceitos como tecnologia, transação e pixel, que é o menor elemento de uma imagem digital.

A ideia era representar a conexão entre diferentes participantes do mercado e a solidez da infraestrutura financeira. Aliás, a escolha também considerou a facilidade de pronunciar o nome em outros idiomas, já que o BC pensava na possibilidade de conectar o sistema a pagamentos internacionais no futuro.

A marca foi apresentada oficialmente em fevereiro de 2020, meses antes do início das operações.

Quem criou o Pix?

O Pix foi criado pelo Banco Central, mas não foi uma invenção de uma única pessoa. O sistema é resultado de anos de trabalho de servidores de diferentes áreas da instituição, com a colaboração de bancos, fintechs, representantes do comércio e outras entidades. Ou seja, várias mãos e várias equipes deixaram seu legado aqui.

Para você ter uma ideia, os primeiros estudos começaram ainda em 2012, quando técnicos brasileiros conheceram experiências de pagamentos rápidos de outros países, especialmente do Reino Unido e da Índia.

Mas o caminho até o lançamento, em 16 de novembro de 2020, foi longo. Vem comigo passar por alguns dos marcos mais importantes, que também aparecem no Relatório de Gestão do Pix, publicado pelo Bacen:

  • 2014: o BC já discutia políticas para ampliar o uso de pagamentos eletrônicos em tempo real;
  • 2018: um grupo de trabalho reuniu representantes do mercado para definir os requisitos fundamentais de um sistema de pagamentos instantâneos;
  • 2019: foi criado o Fórum Pix, destinado a discutir regras, padrões técnicos, segurança e novas funcionalidades;
  • Fevereiro de 2020: a marca Pix foi apresentada;
  • Agosto de 2020: o Banco Central instituiu oficialmente o arranjo e aprovou seu regulamento;
  • 16 de novembro de 2020: o Pix entrou em operação plena.

Inicialmente, o Banco Central esperava que o próprio mercado desenvolvesse soluções capazes de facilitar os pagamentos instantâneos. Algumas empresas até criaram alternativas, mas elas funcionavam de maneira isolada, sem permitir necessariamente transferências entre diferentes plataformas.

O BC decidiu, então, assumir a criação de uma infraestrutura comum, na qual diferentes instituições financeiras e de pagamento conseguiriam se conectar e oferecer o serviço aos seus clientes.

O objetivo dessa odisseia era derrubar algumas limitações dos meios de pagamento existentes, especialmente em relação a horários, custos, facilidade de acesso e integração entre instituições.

E olha só que interessante: até ampliar o horário de funcionamento das TEDs chegou a ser considerado pelo setor financeiro. Só que a solução escolhida foi bem mais abrangente: criar um sistema que funcionasse 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados, com transferências concluídas em segundos.

Assim, o Pix nasceu de um trabalho coletivo de modernização do sistema de pagamentos, inspirado em experiências internacionais, mas desenvolvido para atender às necessidades do Brasil.

Como funciona o Pix? 

O Pix funciona por meio da comunicação entre as instituições participantes, que: 

  1. Identificam o destinatário; 
  2. Verificam a transação; 
  3. Transferem os recursos utilizando a infraestrutura do sistema de pagamentos instantâneos.

Quando você informa uma chave Pix, confere os dados do recebedor e confirma o pagamento, diferentes processos acontecem até o dinheiro chegar à conta de destino.

Para entender esse funcionamento, precisamos conhecer dois componentes fundamentais: o SPI, responsável pela liquidação das transações entre instituições, e o DICT, que ajuda a identificar as contas vinculadas às chaves Pix.

Liquidação das transações e funcionamento do SPI

O Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) é a infraestrutura administrada pelo Banco Central que realiza a liquidação das transações Pix entre instituições diferentes.

Posto de forma mais simples, é o sistema responsável por transferir os recursos de uma instituição para outra e concluir essa etapa do pagamento. Para isso, são utilizadas as Contas Pagamentos Instantâneos (Contas PI), mantidas pelos participantes diretos no BC.

O SPI funciona pelo modelo de Liquidação Bruta em Tempo Real (LBTR). Apesar do nome complicado, a lógica é fácil de entender: cada transação é liquidada individualmente, sem precisar esperar que outros pagamentos sejam processados, 24h por dia, sem parar nos fins de semana e feriados.

Para que isso seja possível, as instituições precisam ter saldo suficiente em suas Contas PI para liquidar uma transação. Assim, o SPI não conclui transferências com recursos que ainda não estão disponíveis para aquela operação.

Mas olha só: nem todo Pix precisa passar pelo SPI. Quando quem paga e quem recebe têm contas na mesma instituição, por exemplo, a transferência pode ser concluída internamente. O mesmo acontece em determinadas situações em que instituições diferentes utilizam um mesmo participante responsável pela liquidação.

Identificação dos destinatários pelo DICT

O DICT é o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais, e se trata da base de dados administrada pelo BC que relaciona as chaves Pix às contas de seus titulares. É graças a ele que você consegue transferir dinheiro utilizando apenas um número de telefone, CPF, CNPJ, e-mail ou chave aleatória.

Quando uma pessoa informa uma chave Pix, a instituição consulta o DICT para identificar os dados necessários ao pagamento. Entre as informações armazenadas estão:

  • Nome do titular;
  • CPF ou CNPJ;
  • Instituição de relacionamento;
  • Agência e número da conta;
  • Tipo de conta;
  • Chaves cadastradas.

E o DICT também ocupa um papel enorme na prevenção a fraudes, pois é esse sistema que permite que as instituições compartilhem informações relacionadas a suspeitas fundamentadas de fraude, incluindo marcações associadas a chaves Pix e CPFs ou CNPJs.

Por exemplo, se uma conta estiver associada a uma marcação de fraude, a instituição pode utilizar essa informação em seus controles para bloquear, limitar ou rejeitar transações, conforme as regras aplicáveis.

E tem mais: o DICT também participa do funcionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), utilizado quando existem suspeitas de golpes e fraudes. Mas calma: daqui a pouco volto a falar disso.

É preciso ter conta no banco para ter Pix?

Não! Você não precisa ter conta em um banco tradicional para usar o Pix. Basta ter uma conta em uma instituição que ofereça o serviço, como um banco, uma cooperativa de crédito ou uma fintech.

Pode ser uma conta corrente, poupança ou até uma conta digital de pagamento. Com ela, você já consegue enviar e receber Pix normalmente.

Aproveito para reforçar: não existe um aplicativo próprio do Pix criado pelo Banco Central. 

O que são chaves Pix? 

As chaves Pix servem para identificar a conta à qual ela está vinculada, sem a necessidade de informar todos os seus dados bancários toda vez que você precisa enviar ou receber uma quantia. É basicamente uma espécie de “endereço” simplificado para receber dinheiro. 

Com elas, não é mais necessário compartilhar agência, número da conta, instituição e CPF, por exemplo, como costumava acontecer antes do Pix.

Quais os tipos de chave Pix? 

Existem quatro tipos de chave Pix: CPF ou CNPJ, número de telefone celular, e-mail e chave aleatória. Todas servem para identificar uma conta, mas oferecem alternativas diferentes de uso e exposição de informações pessoais. Veja como funcionam:

  • CPF ou CNPJ, telefone, e-mail e chave aleatória: os três primeiros utilizam dados que já identificam a pessoa ou empresa. A chave aleatória, por sua vez, é um código gerado pelo sistema para que se possa receber pagamentos sem divulgar seu CPF, telefone ou e-mail. Isso traz mais privacidade ao compartilhar a chave, embora os dados necessários para conferir o destinatário continuem sendo apresentados ao pagador.
  • Cadastro, portabilidade e exclusão: um usuário pode gerenciar suas chaves pelo aplicativo da instituição, bem como solicitar a portabilidade de uma chave para outra conta de sua titularidade ou excluir uma chave que não deseja mais utilizar. Uma mesma chave não pode ficar vinculada simultaneamente a duas contas. Segundo o BC, pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, enquanto pessoas jurídicas podem cadastrar até 20.
  • Pagamentos sem chave, QR Code e Pix Copia e Cola: um pagamento também pode ser realizado com os dados completos da conta, é claro. Já o QR Code reúne as informações necessárias para iniciar a transferência, enquanto o Pix Copia e Cola permite utilizar o código correspondente sem precisar escanear a imagem.

Quais são os principais recursos do Pix? 

As principais funcionalidades do Pix são:

  • Pix Cobrança: empresas e profissionais conseguem emitir cobranças por QR Code ou Pix Copia e Cola. Serve para pagamentos imediatos ou com vencimento futuro. Nas cobranças com vencimento, é possível incluir informações como descontos, juros, multas e abatimentos, de maneira semelhante ao boleto. A diferença é que, quando o Pix é pago, a liquidação ocorre em poucos segundos. 
  • Pix Agendado e Pix Automático: no Pix Agendado, é possível programar transferências, inclusive com recorrência. Já no Pix Automático, a pessoa autoriza previamente cobranças periódicas de uma empresa, como mensalidades escolares, contas de energia ou assinaturas. 
  • Pix por aproximação: viabiliza que um pagamento seja feito ao aproximar um celular compatível de uma maquininha habilitada, utilizando a tecnologia NFC (Near Field Communication). A operação pode acontecer por meio de uma carteira digital integrada ao Open Finance ou de soluções disponibilizadas pelas próprias instituições. 
  • Pix Saque e Pix Troco: torna possível a retirada dinheiro em espécie em estabelecimentos que oferecem essas funcionalidades. No Pix Saque, a pessoa faz uma transferência e recebe o valor correspondente em dinheiro. No Pix Troco, realiza uma compra, transfere um valor superior ao da compra e recebe a diferença em espécie. 

Essa é uma lista de recursos bem interessante, aliás, já que nos mostra como o Pix já vai muito além de ser apenas um meio de transferência de dinheiro. E esse desenvolvimento continua, já que o Banco Central mantém uma agenda de evolução do sistema, com estudos sobre novas funcionalidades, integração com outros serviços financeiros e pagamentos internacionais.

Quanto cobra a taxa do Pix? 

O Pix é gratuito para pessoas físicas que fazem transferências comuns, como enviar dinheiro para amigos, pagar uma compra ou receber valores de familiares. Não existe uma taxa para cada Pix realizado, muito menos um imposto cobrado pelo uso do serviço.

Essas cobranças aparecem em situações específicas, principalmente quando o Pix é utilizado por empresas para receber pagamentos comerciais.

Vamos entender quais são essas situações e quem pode pagar tarifas?

Regras para pessoas físicas, MEI e pessoas jurídicas

Pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEIs) têm direito à gratuidade do Pix na maioria das operações. Veja quando a cobrança é permitida:

  • Ao enviar um Pix: a instituição pode cobrar se a pessoa solicitar a transferência por atendimento presencial ou telefone, mesmo tendo um canal eletrônico disponível.
  • Ao receber pagamentos comerciais: pode haver tarifa quando o Pix é utilizado para vender produtos ou serviços, conforme os critérios definidos pelo BC.

Nesse segundo caso, existem algumas situações que tornam possível à instituição identificar o uso comercial:

  • Receber mais de 30 Pix no mês, com possibilidade de cobrança a partir do 31º recebimento;
  • Receber pagamentos por QR Code dinâmico;
  • Receber por QR Code de uma pessoa jurídica, nas situações previstas pela regulamentação;
  • Utilizar uma conta contratada exclusivamente para atividades comerciais.

Mas calma! Receber mais de 30 transferências pessoais não significa que você começará a pagar pelo Pix, ok? Lembre-se que essas regras dizem respeito à cobrança por recebimentos comerciais.

Para as demais empresas, a instituição financeira pode cobrar tarifas:

  • Quando empresa envia um Pix: por exemplo, para pagar fornecedores ou realizar transferências a outras empresas;
  • Quando a empresa recebe um Pix: como nos pagamentos feitos por clientes por meio de chave Pix ou QR Code;
  • Quando a empresa contrata serviços adicionais: como ferramentas para emitir cobranças, identificar pagamentos e conciliar vendas.

Não existe um valor único definido para todas as instituições. Cada uma estabelece suas tarifas dentro das regras aplicáveis, por isso é importante consultar os valores antes de contratar o serviço.

Vale mencionar ainda o Pix Saque e o Pix Troco: pessoas físicas têm direito a até oito operações gratuitas por mês, considerando também determinados saques tradicionais.

Diferença entre tarifa, imposto e custo de crédito

O Pix não tem imposto próprio. Sobre esse assunto, o que você deve fazer é entender esses três tipos de cobrança:

  1. Tarifa bancária: valor que a instituição cobra por determinados serviços, como o recebimento comercial de Pix nas situações permitidas.
  2. Imposto: tributo previsto em lei. Fazer uma transferência por Pix não gera, por si só, um imposto.
  3. Custo de crédito: juros e outros encargos cobrados quando a pessoa contrata crédito para realizar um pagamento, como em algumas modalidades de Pix no crédito.

Por exemplo, se você transfere R$ 200 para um amigo, não existe um imposto sobre essa transferência simplesmente porque ela foi feita por Pix. Agora, se uma loja recebe R$ 200 pela venda de um produto, essa receita pode estar sujeita aos tributos normais da atividade comercial. O imposto está relacionado à venda, não ao Pix.

E se você utilizar crédito para fazer um Pix, poderá pagar juros e outros encargos pela operação de crédito contratada.

Quais são os riscos e mecanismos de segurança do Pix? 

O sistema do Pix em si é extremamente seguro, mas isso não impede que criminosos tentem aplicar golpes ou acessar contas indevidamente. Muitos dos golpes relacionados ao Pix se tratam, na verdade, de abordagens nas quais um fraudador engana a vítima para conseguir informações, obter acesso à conta ou convencê-la a fazer uma transferência.

É o caso de falsas centrais de atendimento, mensagens que se passam por bancos e pedidos de Pix feitos por criminosos que fingem ser conhecidos da vítima.

O Banco Central não ignora esses riscos. Para reduzi-los, o Pix conta com diferentes mecanismos de segurança, como autenticação, limites de transação, análise de operações suspeitas e procedimentos de bloqueio e devolução de valores.

E como os pagamentos acontecem em segundos, as instituições precisam obrigatoriamente identificar possíveis fraudes rapidamente. Por isso, o BC também atualiza as regras de segurança com frequência, de forma a acompanhar as novas estratégias utilizadas pelos criminosos.

Bora entender mais detalhes sobre o assunto?

Limites de transação e controles de segurança

Existem limites de valores e mecanismos de segurança para dificultar fraudes e proteger o dinheiro dos usuários. O que você pode eventualmente encontrar é um limite máximo de transação, que varia de acordo com o horário, o dispositivo utilizado e as regras da instituição financeira.

Segundo o Banco Central, para transferências destinadas a pessoas físicas, as principais regras são:

  • Das 6h às 20h: os limites são definidos pela instituição, considerando o perfil e o histórico do cliente;
  • Das 20h às 6h: o limite noturno padrão é de R$ 1.000, mas o usuário pode solicitar alterações;
  • Horário noturno: também é possível pedir que a restrição comece às 22h, em vez das 20h.

Cada pessoa tem autonomia para alterar esses limites. Pedidos de redução são imediatos, enquanto os aumentos passam por uma análise de 24 a 48 horas.

Outra proteção envolve celulares e computadores novos. Se o dispositivo ainda não estiver cadastrado para realizar Pix, os limites são, em regra, de R$ 200 por transação e R$ 1.000 por dia, com algumas exceções previstas na regulamentação.

Mas a segurança aqui vai além e não depende apenas desses valores: as instituições financeiras são obrigadas a utilizar sistemas antifraude para identificar operações suspeitas em tempo real.

Por exemplo, se uma pessoa costuma enviar Pix de até R$ 300 para contatos conhecidos e, de repente, tenta transferir R$ 8 mil para alguém desconhecido, um sistema antifraude vai identificar esse comportamento fora do padrão.

Nessas ferramentas, são analisadas informações como valor, horário, histórico de transações, dispositivo utilizado e destinatário. Dependendo do risco identificado, a instituição pode solicitar uma verificação adicional, bloquear ou rejeitar a operação.

E existe ainda o bloqueio cautelar, que permite à instituição do recebedor bloquear por até 72 horas os valores de um Pix recebido com suspeita de fraude, enquanto analisa a situação.

Fraudes e engenharia social

Você já deve ter ouvido falar muito sobre criminosos que enganam as pessoas para conseguir dinheiro, informações pessoais ou acesso às suas contas. As manchetes com notícias do tipo não param e, a esse tipo de abordagem, damos o nome de engenharia social. Estou aqui falando de técnicas que exploram sentimentos como medo, confiança e urgência.

Um exemplo comum é o golpista que liga fingindo ser funcionário de um banco, informa que existe uma movimentação suspeita e orienta a vítima a fazer um Pix para supostamente proteger seu dinheiro. Nesse caso, o criminoso não precisa invadir o sistema do Pix. Ele convence a própria pessoa a autorizar a transferência.

Entre os golpes mais conhecidos estão:

  • Falsa central de atendimento: criminosos se passam por funcionários de bancos para convencer a vítima a transferir dinheiro;
  • QR Code ou Pix Copia e Cola adulterado: os dados do pagamento são alterados para direcionar o dinheiro à conta do golpista;
  • Comprovante falso: o criminoso apresenta uma imagem de pagamento sem ter realizado a transferência;
  • Invasão de conta: criminosos conseguem acesso indevido a aplicativos ou dispositivos para realizar transações;
  • Golpes com inteligência artificial: áudios, imagens e vídeos manipulados imitam pessoas conhecidas para tornar as abordagens mais convincentes.

Além desses, também existem riscos relacionados à invasão de dispositivos, falhas de segurança e problemas nos controles das instituições. É por isso que, além de orientar os clientes sobre golpes, as instituições têm a obrigação identificar comportamentos suspeitos e agir rapidamente diante de possíveis fraudes.

Mecanismo Especial de Devolução (MED)

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é um procedimento do Pix que permite tentar recuperar uma quantia enviada em situações de fraude, golpe, crime ou determinadas falhas operacionais. Criado em 2021, ele ganhou uma atualização importante em 2026: o MED 2.0, que passou a ser obrigatório em 2 de fevereiro de 2026.

A grande novidade dessa segunda versão é o rastreamento do dinheiro mesmo depois que ele sai da conta que recebeu o Pix original. Por exemplo, se um golpista recebe R$ 5 mil e distribui o valor entre outras três contas, o MED 2.0 consegue acompanhar essas movimentações e buscar recursos disponíveis para bloqueio e devolução.

O funcionamento do MED 2.0 é o seguinte:

  1. Contestação: a vítima comunica a fraude à instituição financeira em até 80 dias após o Pix, inclusive pelos canais disponíveis no aplicativo.
  2. Rastreamento e bloqueio: as instituições identificam contas envolvidas na movimentação do dinheiro e buscam bloquear os valores disponíveis.
  3. Análise: os participantes avaliam os indícios de fraude, com prazo de até sete dias para a análise.
  4. Devolução: se a fraude for confirmada e houver recursos disponíveis, o dinheiro pode ser devolvido integral ou parcialmente.

Atenção: o MED não garante a recuperação do dinheiro. A devolução depende da análise do caso e da existência de valores que possam ser recuperados.

Também não é um recurso para resolver desacordos comerciais, como uma compra que gerou conflito com um vendedor de boa-fé. Já falhas operacionais da instituição, como um Pix processado em duplicidade, possuem tratamento específico nas regras do mecanismo.

Diferença entre devolução e cancelamento

Cancelar um Pix é impedir que ele seja realizado. Já devolver é enviar o dinheiro de volta depois que a transferência foi concluída, fazendo uma nova transação. 

um Pix já realizado não pode ser simplesmente cancelado, contudo, existem formas de recuperar ou devolver o valor, dependendo da situação. Veja como funciona:

  • Pix já concluído: não pode ser cancelado por quem enviou. Porém, o recebedor pode usar a função Devolver Pix para retornar o dinheiro à conta de origem.
  • Pix agendado: pode ser cancelado até o dia anterior à data prevista para o pagamento.
  • Pix enviado em um golpe: a vítima pode contestar a transferência pelo MED 2.0, que permite tentar recuperar os valores.
  • Pix enviado por engano: quem pagou pode pedir a devolução ao recebedor, mas não pode usar o MED 2.0 apenas porque digitou uma chave errada.

Qual é a diferença entre Pix e outros meios de pagamento? 

A principal diferença entre o Pix e outros meios de pagamento é a combinação de liquidação instantânea, funcionamento ininterrupto e facilidade de utilização entre diferentes instituições. 

Veja uma comparação entre esse sistemas e os demais meios de transferência e pagamentos que temos no Brasil:

  • Pix e TED: o TED serve para enviar recursos entre instituições, mas sua execução segue horários e dias de funcionamento estabelecidos para esse serviço. O Pix, por outro lado, funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. Além disso, a TED normalmente exige os dados bancários completos do destinatário, enquanto o Pix permite utilizar uma chave ou QR Code.
  • Pix e boleto: o boleto é um instrumento de cobrança que pode ser pago por diferentes canais e possui regras próprias de processamento e liquidação. Dependendo das condições, a confirmação do pagamento pode não ser imediata. Já o Pix Cobrança permite que o recebedor identifique a liquidação em poucos segundos, mesmo fora do horário comercial. 
  • Pix e cartões: os cartões de débito utilizam recursos disponíveis na conta do cliente, enquanto os cartões de crédito permitem realizar compras com pagamento posterior, inclusive parcelado, conforme as condições oferecidas. O Pix tradicional transfere recursos da conta do pagador para a do recebedor, sem oferecer crédito por si só. 

Lembrando que o Pix não substitui as demais alternativas que existem no mercado. TED, boleto e cartões continuam atendendo a diferentes necessidades de pessoas e empresas.

O Pix mudou o mercado e os seus estudos precisam acompanhar as novidades

O Pix começou a funcionar em novembro de 2020 e, em menos de seis anos, transformou a maneira como brasileiros pagam, recebem e transferem dinheiro. Hoje, movimenta trilhões de reais, oferece funcionalidades que nem existiam em seu lançamento e continua evoluindo em segurança, regulamentação e integração com outros mercados.

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