Sabe o que pode ser tão difícil quanto passar em uma certificação financeira de alta complexidade? Vender o próprio peixe. Para muitos, o conhecimento técnico não é difícil de dominar, mas escrever ou falar sobre si mesmo sim.
Acontece que estamos na era das soft skills — habilidades comportamentais que passaram a ser muito importantes em processos seletivos em diversos setores, inclusive o financeiro.
Prova disso é que, hoje, muitas instituições vão além do currículo e exigem também carta de motivação ou redação estilo “quem sou eu”. Aqui, o objetivo é conhecer o candidato à vaga de uma forma mais completa, sem considerar somente capacidades técnicas.
Já se deparou com essa tarefa na hora de se candidatar a algum cargo? Então, tenho uma boa notícia: eu vou te ensinar as melhores maneiras de escrever essa redação, como soar original e como tornar esse processo muito mais fácil.
Para isso, vou responder algumas perguntas que vão te ajudar nessa jornada:
- O que é uma redação quem sou eu?
- Como fazer uma redação quem sou eu?
- Qual é a estrutura da redação quem sou eu?
- O que escrever na redação de emprego quem sou eu?
- Como fazer uma redação quem sou eu na hora da entrevista?
- O que não escrever na redação quem sou eu?
E claro: aqui você também encontra exemplos prontos para servir de inspiração na hora de escrever a sua. Bora?
O que é uma redação quem sou eu?
Uma redação “Quem sou eu?” é um texto mais pessoal, em que você se apresenta de forma autêntica em um processo seletivo, contando quem você é a partir da sua história, dos seus valores, interesses, sonhos, dificuldades e aprendizados. Em resumo, o objetivo é mostrar sua identidade de forma honesta e reflexiva, para ir além das informações básicas como nome, formação e experiências profissionais.
Além de ser requisitada em processos seletivos, às vezes essas redações são solicitadas em entrevistas de grupo também. Quando esse texto for necessário para a candidatura, meu conselho é que você aproveite essa oportunidade de olhar para dentro, reconhecer o que te move, o que você valoriza e como você se enxerga no mundo, pessoal e profissionalmente falando.
Ainda assim, vale lembrar que esse tipo de redação continua fazendo parte de um processo seletivo. Ou seja, o texto precisa ter relação com a vaga e ajudar a pessoa recrutadora a entender como sua história, seus interesses e suas características pessoais se conectam com aquele ambiente profissional.
Para uma vaga no mercado financeiro, por exemplo, faz sentido falar sobre uma experiência que despertou seu interesse por economia, sobre o que você aprendeu ao lidar com dinheiro ou planejamento, ou até sobre uma característica sua que aparece na forma como você estuda e toma decisões. A ideia é ir além do currículo, mas sem perder o contexto.
Por que esse texto é solicitado em processos seletivos?
Porque o currículo já mostra o que você fez na vida profissional, então a redação entra para mostrar como você pensa, o que valoriza e o que te trouxe até aqui. Quando ela aparece em um processo seletivo, é porque a pessoa recrutadora deseja entender a pessoa para além das experiências listadas.
Formação e histórico profissional, afinal, dizem pouco sobre como alguém lida com pressão, o que considera importante em um ambiente de trabalho ou quais experiências moldaram sua forma de enxergar problemas. O texto então preenche essa lacuna, e fica mais fácil analisar se nele existe coerência entre a trajetória da pessoa, o que ela diz valorizar e o perfil que a vaga exige.
Vale lembrar que o fit cultural tem pesado cada vez mais nessa avaliação, inclusive no setor financeiro, e você já deve ter se deparado com esse termo muitas vezes por aí. Quando ele aparece, é porque as empresas querem saber se a forma como você trabalha, se relaciona e toma decisões tem compatibilidade com a cultura da organização. O objetivo, nesses casos, é basicamente tentar fazer uma contratação que seja mais produtiva e mais duradoura, baseada não somente em competências técnicas.
O que o recrutador avalia na redação?
Embora não exista uma fórmula única para uma boa redação “Quem sou eu?”, alguns aspectos costumam chamar a atenção de quem está avaliando o texto, olha só:
- Autenticidade: o recrutador procura perceber se a pessoa está falando de si de forma verdadeira, em vez de apenas reproduzir características e clichês que parecem desejáveis para a vaga;
- Capacidade de reflexão: mais do que contar acontecimentos, é interessante mostrar o que determinadas experiências ensinaram e como elas contribuíram para quem você é hoje;
- Clareza e organização: o texto precisa ter uma linha de raciocínio compreensível, com as ideias apresentadas de forma organizada e sem excesso de informações desconectadas;
- Autoconhecimento: reconhecer interesses, pontos fortes, dificuldades e aprendizados mostra que a pessoa consegue olhar para a própria trajetória com alguma maturidade;
- Coerência com a vaga: mesmo sendo um texto mais pessoal de forma geral, a redação ainda deve fazer sentido dentro do processo seletivo. O recrutador pode observar se os interesses e características apresentados têm alguma relação com o ambiente e com os desafios da posição;
- Comunicação escrita: como a redação também é uma forma de apresentação, ela serve para avaliar como a pessoa organiza e transmite suas ideias por escrito.
Como fazer uma redação quem sou eu?
Na hora de escrever a sua redação, é importante que você mostre autenticidade e personalize o texto de acordo com a vaga que está se candidatando. Inclusive, evite usar textos gerados por Inteligência Artificial, já que eles tendem a parecer genéricos, repetitivos, e podem afetar sua credibilidade e chance de se destacar.
Outras dicas que podem ajudar são:
- Reflita sobre sua trajetória antes de escrever;
- Conheça a vaga e a cultura da empresa;
- Conecte experiências pessoais à vida profissional;
- Selecione características relevantes para a oportunidade;
- Use exemplos para sustentar suas qualidades.
A seguir, aprenda um pouco mais sobre o que fazer em cada uma delas.
Reflita sobre sua trajetória antes de escrever
Assim como o seu perfil pessoal, sua carreira também é única, e a redação “quem sou eu” precisa transmitir isso para quem for ler. Essas dicas podem ajudar:
- Pare um momento para listar características suas que te definem como pessoa e como profissional, e os motivos pelos quais elas te tornam apto a preencher a vaga em questão;
- Em vez de abrir uma página em branco na esperança de criar sua redação imediatamente, comece a escrever apenas para tirar as ideias da cabeça e “passar para o papel”. Sem sentir nas costas o compromisso e a pressão de escrever o conteúdo ideal, o fluxo vai correr mais naturalmente.
Outra dica é que, durante essa reflexão sobre a sua carreira, você vá além de simplesmente listar tarefas que desempenhou ou cargos que ocupou: tente pensar no que essas posições exigiram de você, nas habilidades que você precisou usar e nos resultados que obteve.
Conheça a vaga e a cultura da empresa
Naturalmente, cada vaga e empresa vão demandar perfis diferentes. Por isso, a minha recomendação é que personalize a sua redação de acordo com a posição para a qual se candidatou.
Se o cargo tem um foco alto em atendimento ao cliente, por exemplo, você pode mencionar traços de personalidade e experiências da vida que mostram o seu interesse pela comunicação com as pessoas e o interesse em ajudar os outros.
Conecte experiências pessoais à vida profissional
Experiências vividas fora do trabalho também podem revelar características importantes para o ambiente corporativo. A participação em um esporte coletivo, por exemplo, pode mostrar disciplina, capacidade de trabalhar em equipe e disposição para lidar com resultados que nem sempre saem como o esperado. Da mesma forma, ter ajudado em um negócio da família, organizado eventos ou assumido responsabilidades desde cedo pode demonstrar iniciativa, organização e senso de responsabilidade.
O mais importante é explicar a conexão entre a experiência e a forma como você atua profissionalmente. Não se limite apenas a afirmar, vamos supor, que você é uma pessoa organizada, quando você pode contar que, durante a faculdade, precisou conciliar estudos, estágio e outras responsabilidades, criando uma rotina para cumprir prazos sem comprometer a qualidade das entregas.
Outra ideia é trazer para o texto experiências que contribuíram para seus interesses profissionais. Uma pessoa que sempre teve curiosidade sobre como as empresas tomam decisões, que acompanhava notícias econômicas ou que começou a organizar o próprio orçamento pode relacionar esses hábitos ao interesse pelo mercado financeiro.
Selecione características relevantes para a oportunidade
Aqui, seja eficiente: escolha características que tenham relação com a vaga que você está buscando e que possam ser demonstradas ao longo do texto. Para posições como analista de investimentos, por exemplo, podem ser relevantes:
- Capacidade analítica e atenção aos detalhes;
- Curiosidade e interesse por economia, negócios e mercados;
- Disciplina para acompanhar informações e cumprir processos;
- Pensamento crítico para avaliar cenários e questionar premissas;
- Clareza na comunicação, especialmente ao explicar análises;
- Responsabilidade e cuidado na tomada de decisões;
- Capacidade de trabalhar em equipe e lidar com diferentes perspectivas.
Para uma oportunidade em banco de investimento, relacionamento com clientes ou área comercial, outras características também podem ganhar importância, como comunicação, escuta ativa, agilidade, resiliência e capacidade de construir relações de confiança. Já em áreas de risco, controles ou operações, organização, consistência, concentração e respeito a procedimentos podem ser especialmente valorizados.
Use exemplos para sustentar suas qualidades
Tenha sempre em mente que suas qualidades ganham força quando aparecem associadas a situações concretas. Em vez de escrever apenas “sou analítico”, você pode explicar que, em um trabalho acadêmico ou profissional, comparou diferentes fontes, organizou os dados e identificou uma inconsistência que alterava a conclusão da análise.
O exemplo não precisa ser nada extraordinário, apenas deve mostrar como você pensa e age diante de uma situação real.
Também é possível apresentar qualidades por meio de pequenas decisões e comportamentos. Se você quer demonstrar disciplina, pode mencionar que criou uma rotina para acompanhar indicadores, estudar para uma certificação ou conciliar diferentes compromissos.
Para mostrar capacidade de comunicação, pode contar que precisou transformar uma análise mais técnica em uma apresentação objetiva para pessoas que não tinham o mesmo nível de conhecimento sobre o assunto.
O ideal é evitar frases que soem como uma tentativa explícita de convencer o recrutador. Em vez de escrever “essa experiência prova que sou muito responsável”, descreva a situação, o que você fez e qual foi o resultado ou aprendizado. Pode confiar: a própria narrativa vai fazer com que a qualidade apareça.
Qual é a estrutura da redação quem sou eu?
A estrutura de uma redação “quem sou eu” é bastante simples: título, introdução, desenvolvimento e conclusão. Esse é o caminho básico para você criar sua narrativa, no qual você inicia apontando os tópicos sobre os quais vai falar, entra em detalhes sobre eles e, então, finaliza as ideias.
Para te ajudar, separei algumas dicas do que fazer em cada parte da estrutura da sua redação.
Introdução
O início da redação é a sua oportunidade de escrever, de forma objetiva, aquilo que será desenvolvido no restante do texto. Você não precisa anunciar nada — começar com “Vou escrever aqui porque me tornei um especialista em investimentos”, por exemplo. Em vez disso, tente pensar em outros caminhos para contar a sua história.
Para te ajudar, uma alternativa a este exemplo acima poderia ser:
“Para mim, investir é um hábito antigo. Quando amigos próximos começaram a pedir ajuda para aplicar seus recursos também, comecei a me interessar por essas oportunidades de ajudar outras pessoas, então resolvi me especializar”.
Desenvolvimento
Geralmente essa parte da estrutura tem dois ou três parágrafos curtos ou médios, e é o momento onde você entra em detalhes sobre aquilo que começou a contar na introdução.
Não se esqueça de conectar sua vida pessoal à profissional, afinal, a ideia não é narrar novamente aquilo que está em seu currículo, mas oferecer ao recrutador uma nova perspectiva sobre o seu perfil.
Continuando o exemplo de introdução que dei no tópico anterior, aqui vai uma ideia de desenvolvimento:
“Sou, desde sempre, alguém que prefere viver todas as etapas de uma jornada, pois assim o crescimento é mais sólido e proveitoso. Por isso, embora pudesse ter pulado alguns degraus, preferi escalar meu conhecimento conquistando não somente a CEA que possuo, mas a CPA-10 e a CPA-20 também.
No caminho, reencontrei meu bom e velho interesse em ajudar os demais. Anos atrás, quando investimentos eram apenas tema de conversa com amigos, gostava de entender o que cada um esperava do futuro financeiro. Com clientes e enquanto profissional, me transformei na pessoa que gosta de ouvir o que os outros têm a dizer, entender suas dúvidas e expectativas, e fazer as perguntas certas para que a outra pessoa se sinta ouvida.”
Conclusão
No final da sua redação, é preciso concluir as ideias que você apresentou no restante do texto. Tente não deixar nenhuma ponta solta e criar um conteúdo que realmente soe como uma finalização. Dica: evite começar essa parte com estruturas genéricas, como “Sendo assim, concluo que”, ou “Para finalizar…”.
Aqui vai uma ideia para te inspirar:
“Depois de cinco anos trabalhando como especialista em investimentos, hoje sou um profissional que não atende os clientes com base apenas no que aprendi em cursos e certificações. No dia a dia, também sou a pessoa que sai com a família e os amigos toda semana para relaxar, que tem sempre um livro na cabeceira da cama e não perde nenhum lançamento no cinema. Afinal, um profissional de finanças não é feito apenas de números, mas de experiências e hábitos que nos tornam humanos também.”
A redação quem sou eu precisa de título?
Não é uma obrigação, mas pode ser uma boa ideia, para fins de organizar melhor toda a estrutura da redação.
Como esse título deve estar relacionado ao resto do conteúdo, você pode deixá-lo para o fim, caso não tenha nenhuma ideia na hora que começar. Outra recomendação é que não coloque letras maiusculas em cada palavra do título, apenas na primeira palavra e em nomes próprios.
Muitas vezes, essa tarefa é mais simples do que você imagina. Dá uma olhada em dois exemplos de título e primeira frase para te abrir a mente.
Exemplo 1
Meu nome é Kleber Stumpf…
…E meu relacionamento com as finanças começou muito antes de isso se tornar minha profissão ou de eu conquistar minha primeira certificação.
Exemplo 2
Como eu soube 10 anos atrás que analisar dados seria a minha paixão
Na minha primeira experiência profissional, quando era uma operadora de caixa de banco, me percebi interessada não somente nos números, mas no que informações e estatísticas têm a mostrar para uma instituição.
Tamanho e formatação do texto
Antes de começar a escrever, vale conferir se a empresa definiu alguma regra de tamanho ou formatação para a redação. Muitas vezes há um limite de caracteres, de palavras ou de páginas, o que deve ser respeitado.
Quando não houver nenhuma especificação, tente se manter em apenas uma página. Como referência mais específica de tamanho, algo entre três e cinco parágrafos costuma ser suficiente para desenvolver uma apresentação pessoal com começo, meio e fim.
Quanto à formatação, prefira uma apresentação simples e fácil de ler. Use uma fonte tradicional, como Arial ou Times New Roman, tamanho 12, espaçamento de 1,5, e parágrafos bem separados e não muito longos.
Outras dicas úteis são:
- Não esqueça de marcar o início de um novo parágrafo com um espaço;
- Evite cores e, na dúvida, aposte no preto e no branco;
- Destaque palavras e frases para tornar o material mais fácil de ler;
- Evite parágrafos de uma frase só, assim como é melhor evitar frases longas demais;
- Destaque o título em um tamanho diferente para que ele não pareça apenas uma parte do texto.
O que escrever na redação de emprego quem sou eu?
Em uma redação de emprego, você pode desenvolver um texto que explore esses pontos:
- Apresentação pessoal e profissional: conte brevemente quem você é, sua trajetória e o momento profissional em que se encontra;
- Formação e experiências relevantes: mencione sua formação acadêmica, cursos, estágios, empregos ou outras experiências que tenham relação com sua trajetória;
- Habilidades e características pessoais: destaque qualidades, competências e formas de agir que ajudam a explicar como você trabalha e se relaciona com outras pessoas;
- Conquistas e aprendizados: apresente resultados dos quais se orgulha e situações que trouxeram aprendizados importantes para sua vida profissional;
- Valores e motivações: explique o que orienta suas escolhas (por exemplo, responsabilidade, aprendizado contínuo, colaboração ou busca por novos desafios), o que você valoriza no trabalho e quais fatores despertam seu interesse por determinada área;
- Objetivos profissionais: fale sobre onde pretende chegar de uma forma específica, sobre quais conhecimentos deseja desenvolver e que tipo de oportunidade busca neste momento. Por exemplo, “quero crescer na área administrativa, aprimorar meus conhecimentos em organização e atendimento ao cliente e assumir novas responsabilidades ao longo do tempo”;
- Conexão com a vaga: relacione sua trajetória, características e interesses com a posição para a qual está se candidatando, mostrando por que aquela oportunidade faz sentido para você.
A dica geral para todos esses tópicos acima é que você traga pontos e afirmações específicas. Afinal, frases superficiais e genéricas podem tirar o peso e o valor das suas experiências e do seu perfil, além de não te ajudarem a se destacar frente à concorrência.
Como fazer uma redação quem sou eu na hora da entrevista?
Se você precisar fazer uma redação “quem sou eu” durante a entrevista, siga estas dicas para não perder a calma e fazer um bom trabalho:
- Prepare os principais pontos com antecedência;
- Organize as ideias antes de começar;
- Adapte o texto ao tempo disponível;
- Revise clareza, ortografia e coerência.
Abaixo, entenda melhor como colocar cada um desses passos em prática.
Prepare os principais pontos com antecedência
A própria preparação para a entrevista já pode ajudar bastante nesse momento. Ao revisar sua trajetória profissional, seus principais resultados, aprendizados, características pessoais e motivos pelos quais se interessa pela área ou pela vaga, você estará, de certa forma, organizando um conteúdo que poderá usar no texto também.
Mesmo que a redação seja apresentada de surpresa, essa preparação prévia oferece uma base para começar.
Por isso, faça seu dever de casa: pense em experiências importantes, características que definem sua forma de trabalhar e exemplos que demonstrem essas qualidades. Se você afirma que é uma pessoa organizada, por exemplo, lembre-se sempre de uma situação que comprove isso. Assim, na hora de escrever, você já saberá por onde começar e não precisará construir toda a resposta do zero.
Organize as ideias antes de começar
Antes de começar a escrever, uma boa ideia é usar a estrutura básica de uma redação para organizar as ideias.
Na introdução, você vai apresentar brevemente quem você é. No desenvolvimento, tente usar dois parágrafos para explicar suas experiências, habilidades, objetivos e motivações, incluindo exemplos concretos que demonstrem como você age em situações de estudo, trabalho ou convivência. Lembre-se de relacione esses aspectos com a oportunidade e explique por que você se identifica com a empresa, a área ou a vaga.
Por fim, faça uma conclusão em um parágrafo, retomando os principais pontos da sua apresentação e encerrando o texto de forma coerente.
Reserve alguns minutos para definir o que será abordado em cada parte e evitar que informações importantes fiquem de fora, que você se estenda demais ou que traga muitas ideias repetidas.
Adapte o texto ao tempo disponível
Antes de começar, confira quanto tempo você tem para escrever, já que isso precisa ser levado em consideração para definir o tamanho e o nível de detalhamento do texto.
Se o prazo for curto, prefira priorizar as informações mais relevantes e evite gastar muitos minutos em uma introdução longa ou em detalhes que não contribuem para a apresentação como um todo.
Dica: acompanhe o tempo também enquanto escreve. Não deixe toda a conclusão para os últimos segundos, já que você ainda vai precisar encerrar o texto e, se possível, fazer uma revisão.
Na dúvida, saiba que uma redação mais curta, mas completa e bem organizada, é melhor do que tentar escrever muito e não conseguir terminar.
Revise clareza, ortografia e coerência
Depois de terminar a redação, o ideal seria conseguir reservar alguns minutos para reler o texto com atenção. Confira se as frases estão claras, se as ideias seguem uma ordem lógica e se você respondeu ao que foi solicitado. Aproveite também para identificar erros de ortografia, concordância, pontuação ou palavras repetidas que possam ser corrigidos rapidamente.
A revisão também é um bom momento para checar se o texto realmente apresenta quem você é ou se acabou se transformando apenas em uma lista de informações do currículo.
Dica: leia como se estivesse no lugar da pessoa recrutadora. Ao terminar, ela consegue entender sua trajetória, suas características e a relação delas com a vaga? Se a resposta for sim, o texto provavelmente cumpre bem o objetivo da redação.
O que não escrever na redação quem sou eu?
Na hora de escrever sua redação “quem sou eu”, evite:
- Frases prontas e clichês;
- Informações pessoais sem relação com a vaga;
- Qualidades sem exemplos;
- Mentiras ou exageros;
- Críticas a antigos empregadores;
- Tom excessivamente formal;
- Repetição das informações do currículo.
A seguir, te mostro exemplos e por que tudo isso precisa ficar de fora do seu texto.
Frases prontas e clichês
Evite expressões como “sou uma pessoa determinada que corre atrás dos seus sonhos” ou “busco sempre o melhor em tudo que faço”. Como elas costumam ser muito repetidas por vários candidatos, acabam não apresentando nada único sobre você e, pior ainda, soam vazias.
Nesse caso, prefira contar uma história ou dar exemplos que revelem essas qualidades de forma natural. Se você pensou em escrever algo como as frases acima, tente encontrar outros caminhos para demonstrá-las.
Informações pessoais sem relação com a vaga
Nem toda informação sobre a sua vida precisa aparecer em uma redação profissional. Contar onde nasceu, falar sobre seus hobbies ou descrever características da sua família pode fazer sentido quando esses elementos ajudam a explicar sua trajetória, seus interesses ou sua forma de agir. Caso contrário, eles apenas ocupam um espaço que poderia ser usado para apresentar experiências mais relevantes para a oportunidade.
Por exemplo, dizer que você gosta de assistir a séries pode acrescentar pouco a uma redação para uma vaga na área financeira, concorda? Já mencionar que começou a se interessar por economia ao acompanhar notícias sobre o mercado ou que passou a organizar o próprio orçamento ainda na adolescência pode ajudar a explicar por que escolheu aquela área.
Qualidades sem exemplos
Dizer que você é organizado, responsável, comunicativo ou proativo não é suficiente para demonstrar essas características. Como são qualidades que aparecem com frequência em processos seletivos, o recrutador precisa de algum contexto para entender como elas aparecem no seu comportamento.
Em vez de escrever apenas “sou uma pessoa muito organizada”, por exemplo, você pode contar que, durante a faculdade, conciliava estudos, estágio e outras responsabilidades e precisou criar uma rotina para cumprir todos os prazos.
Se quiser destacar sua capacidade de trabalhar em equipe, pode mencionar uma situação em que precisou dividir tarefas, lidar com opiniões diferentes e chegar a uma solução em conjunto. Um exemplo simples e verdadeiro costuma ser mais convincente do que uma sequência de adjetivos.
Mentiras ou exageros
Tentar parecer perfeito, extremamente maduro ou idealizado pode afastar quem lê. E acredite: não é difícil identificar uma declaração que foi feita sem embasamentos.
A vulnerabilidade, quando bem colocada, aproxima. Às vezes, até mesmo falar de dificuldades e aprendizados pode ser muito mais cativante do que dizer que “sempre deu certo em tudo”.
Críticas a antigos empregadores
Mesmo que você tenha passado por uma situação difícil, críticas diretas podem fazer com que a atenção de quem lê se concentre no conflito, e não na sua trajetória ou nos aprendizados que você teve.
Se uma experiência anterior foi importante justamente por mostrar o que você procura em um ambiente profissional, por exemplo, você pode abordar esse aprendizado de uma forma mais construtiva.
Em vez de explicar que a empresa anterior tinha uma gestão ruim, fale sobre o tipo de cultura, liderança ou dinâmica de equipe em que você acredita que consegue contribuir melhor. O foco deve permanecer sempre em você, nas suas escolhas e no que busca para os próximos passos da carreira.
Tom excessivamente formal
“Almejo a obtenção de uma oportunidade que possibilite o desenvolvimento de minhas competências laborais”: concorda que essa frase soa vaga e que a escolha de palavras parece ter sido feita apenas para disfarçar essa superficialidade? Se comunicar bem não significa usar “palavras difíceis” ou ser formal. Uma boa comunicação sabe usar as palavras certas para o contexto em questão.
Em uma redação “quem sou eu”, essa mesma afirmação poderia ser transformada em “busco uma oportunidade em que possa desenvolver meus conhecimentos e assumir novos desafios”. Ela transmite profissionalismo, mas dessa vez soa muito mais humana.
Repetição das informações do currículo
Se você apenas listar cargos, cursos, empresas e atividades que já aparecem no documento, perde a oportunidade de apresentar aspectos que não cabem em um currículo, como suas motivações, aprendizados, interesses e características pessoais.
Em vez de escrever que trabalhou dois anos em determinada empresa e listar todas as funções que desempenhava, por exemplo, escolha uma experiência relevante e explique o que ela trouxe para sua formação.
Você pode contar que a experiência desenvolveu sua capacidade de lidar com clientes, trabalhar sob pressão ou analisar informações.
A regra é a seguinte: o currículo mostra o que você fez; a redação pode ajudar a explicar quem você é, como essas experiências contribuíram para a sua trajetória e por que elas têm relação com a vaga.
Exemplos de redação quem sou eu pronta
Para te ajudar a visualizar melhor como seria uma boa redação “quem sou eu”, preparei modelos prontos para primeiro emprego, estágio e para profissionais experientes, além de um exemplo mais compacto para fazer durante uma entrevista.
Vem comigo.
Redação quem sou eu para primeiro emprego
Nome: Mariana Alves
Formação: Ensino médio completo
Vaga desejada: Assistente administrativo
Meu primeiro passo profissional
Concluí o ensino médio com a vontade de começar a trabalhar e, ao mesmo tempo, descobrir em qual área quero construir minha carreira. Sempre gostei de atividades que exigem organização, atenção e contato com outras pessoas, e foi por isso que me interessei pela área administrativa.
Durante a escola, participei da organização de trabalhos em grupo e de eventos, momentos em que percebi que tenho facilidade para dividir tarefas, cumprir prazos e ajudar a resolver o que precisa ser feito. Também comecei a fazer cursos básicos de Excel e administração para chegar ao mercado de trabalho mais preparada.
Sei que ainda tenho muito a aprender, principalmente por estar buscando minha primeira experiência profissional. Ao mesmo tempo, acredito que posso contribuir com disposição, responsabilidade e vontade de aprender. Procuro uma oportunidade em que possa desenvolver meus conhecimentos, conhecer melhor a rotina de uma empresa e construir uma trajetória profissional da qual possa me orgulhar.
Redação quem sou eu para estágio
Nome: Rafael Costa
Formação: Economia, 5º semestre
Vaga desejada: Estágio no mercado financeiro
Da faculdade para os primeiros desafios profissionais
Escolhi Economia porque sempre tive interesse em entender como as decisões financeiras afetam empresas, investidores e a sociedade. Ao longo da faculdade, esse interesse se voltou especialmente para o mercado financeiro, área em que encontrei a possibilidade de unir análise de dados, raciocínio lógico e acompanhamento de cenários econômicos.
Nas disciplinas de macroeconomia, estatística e finanças, percebi que gosto de acompanhar indicadores e entender os fatores que influenciam os mercados. Em um trabalho da faculdade, por exemplo, analisei a relação entre inflação, taxa de juros e atividade econômica, buscando compreender como essas variáveis poderiam afetar diferentes investimentos. A experiência despertou ainda mais meu interesse por renda fixa, análise de investimentos e conjuntura econômica.
Também comecei a estudar Excel e ferramentas de análise de dados por conta própria, além de acompanhar notícias econômicas e relatórios sobre o mercado. Agora, procuro um estágio em que possa transformar esse conhecimento em experiência prática, aprender com profissionais mais experientes e entender melhor a rotina de uma instituição financeira. Quero desenvolver minha capacidade analítica e contribuir com responsabilidade, curiosidade e disposição para aprender.
Redação quem sou eu de profissional experiente
Nome: Camila Ferreira
Função atual: Analista de crédito pleno
Vaga desejada: Analista de crédito sênior
Uma carreira construída entre análise e relacionamento
Trabalho há seis anos no mercado financeiro, quatro deles dedicados à área de crédito. Nesse período, aprendi que uma boa análise depende tanto da qualidade dos números quanto da capacidade de entender o contexto por trás deles.
Comecei minha carreira como assistente em uma financeira, apoiando a análise de documentos e o acompanhamento das operações. Com o tempo, passei a assumir análises mais complexas, avaliação de risco, acompanhamento de indicadores e relacionamento com áreas comerciais. Uma das experiências mais importantes da minha trajetória foi participar da revisão de um processo de análise que reduziu o tempo de resposta das propostas sem comprometer os critérios de avaliação.
Hoje, busco uma posição em que possa assumir responsabilidades maiores e contribuir também para a melhoria dos processos da área. Quero continuar desenvolvendo meu conhecimento técnico, mas também acredito que minha experiência em diferentes etapas da operação me permite olhar para o crédito de uma forma mais ampla e colaborar com decisões mais consistentes.
Modelo curto para fazer durante a entrevista
Aqui, você pode apostar em uma estrutura que ainda tenha quatro ou cinco parágrafos, mas que sejam mais curtos.
Comecei minha trajetória profissional como assistente em um banco, atuando no atendimento a clientes e no apoio a rotinas de abertura de contas, atualização cadastral, conferência de documentos e encaminhamento de solicitações para diferentes áreas.
Essa experiência me permitiu entender melhor o funcionamento de uma instituição financeira e perceber que meu maior interesse estava nas atividades relacionadas à análise de produtos, acompanhamento de indicadores e orientação sobre investimentos.
Ao longo desse período, passei a estudar renda fixa, fundos de investimento, ações e os principais conceitos de risco, liquidez e rentabilidade. Também desenvolvi mais atenção aos detalhes, organização para lidar com informações e responsabilidade no contato com dados financeiros e clientes.
Agora, busco uma oportunidade na área de investimentos, seja no atendimento, no suporte comercial ou na análise, em que possa aplicar essa base, aprender com profissionais experientes e evoluir tecnicamente.
Como adaptar os exemplos sem copiar
Como a redação precisa refletir a sua trajetória, essas dicas abaixo vão te ajudar a usar os modelos acima, mas sem copiar os conteúdos:
- Troque a história: identifique nos exemplos a lógica usada para apresentar cada trajetória e substitua as experiências pelos acontecimentos da sua própria vida. Se o modelo fala sobre um projeto da faculdade, por exemplo, pense em uma experiência sua que também demonstre uma característica importante;
- Escolha características que realmente combinam com você: não copie qualidades só porque elas aparecem nos exemplos. Se você se considera mais analítico do que comunicativo, por exemplo, construa o texto em torno de situações que demonstrem essa característica;
- Adapte ao seu momento profissional: quem está no primeiro emprego não precisa inventar experiências para parecer mais preparado. Da mesma forma, quem já tem anos de carreira pode ir além de falar sobre formação e interesse pela área, trazendo resultados, responsabilidades e aprendizados;
- Mude os exemplos conforme a vaga: a mesma pessoa pode destacar aspectos diferentes da própria trajetória dependendo da oportunidade. Para uma vaga de análise de investimentos, conhecimentos sobre mercado e capacidade analítica podem ganhar espaço. Para uma posição comercial, relacionamento com clientes e comunicação podem ser mais relevantes;
- Mantenha a sua forma de escrever: leia os modelos para entender como eles desenvolvem uma ideia, mas use palavras que você realmente usaria. Uma redação simples e autêntica tende a funcionar melhor do que um texto sofisticado que não parece ter sido escrito por você;
- Não tente encaixar toda a sua trajetória: escolha os acontecimentos que ajudam a contar quem você é hoje e explique por que eles têm relação com seus objetivos. O texto não precisa mencionar cada curso, emprego ou atividade que você já realizou.
Precisando de mais ajuda para conquistar sua vaga dos sonhos?
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