A renda variável é um dos termos mais ouvidos no mundo dos investimentos e, ao mesmo tempo, um dos mais mal compreendidos.
Para muita gente, a associação imediata é com risco alto, volatilidade e perda de dinheiro. Para outra parte, é sinônimo de enriquecimento rápido. Os dois extremos estão errados, e você, enquanto profissional (ou aspirante) do mercado financeiro, precisa entender essa dualidade.
A verdade é que renda variável é uma categoria ampla, com produtos muito diferentes entre si em termos de risco, liquidez e forma de gerar retorno. Ações, fundos imobiliários, ETFs e BDRs estão todos debaixo desse guarda-chuva, mas funcionam de formas bastante distintas e servem a objetivos diferentes dentro de uma carteira.
Quer entender tudo sobre o assunto? Vem comigo para aprender:
- O que é renda variável;
- Quais são os investimentos em renda variável;
- Se é seguro investir em renda variável;
- Quais são as vantagens de investir em renda variável;
- Quais são as desvantagens de investir em renda variável;
- É possível investir em renda variável com pouco dinheiro.
Bora?
O que é renda variável?
A renda variável é a categoria de investimentos em que o retorno não é definido nem garantido no momento da aplicação.
Diferente de um CDB, título de renda fixa, que já informa quanto vai render ao final do prazo (para quem mantiver a aplicação até o vencimento), ou de um título do Tesouro que tem uma taxa específica contratada e entendida desde o início, os ativos de renda variável têm preço determinado pelo mercado em tempo real, e esse preço sobe ou desce conforme as expectativas dos investidores mudam.
Mas veja bem, não é que a renda variável seja sinônimo de aposta ou resultado aleatório. Na verdade, o preço de uma ação, por exemplo, reflete a percepção do mercado sobre o valor de uma empresa, seus lucros futuros, o setor em que atua e o ambiente econômico geral. Esses fatores mudam, e o preço muda junto.
Aliás, veja só quais são os principais fatores que fazem um ativo de renda variável oscilar:
- Resultados financeiros da empresa: lucro acima ou abaixo do esperado pelo mercado move o preço das ações de forma imediata;
- Expectativas sobre o futuro: o mercado precifica o que espera que aconteça, não só o que já aconteceu. Uma empresa com resultado ruim hoje pode ter ação em alta se o mercado enxergar melhora à frente;
- Taxa de juros: juros mais altos tornam a renda fixa mais atrativa e aumentam o custo de capital das empresas, o que tende a pressionar os preços das ações. O movimento inverso também se aplica;
- Inflação: pressão inflacionária afeta as margens das empresas e pode antecipar alta de juros, com impacto direto nos ativos de renda variável;
- Cenário macroeconômico: crescimento do PIB, nível de emprego, confiança do consumidor e atividade industrial influenciam os resultados das empresas e o apetite dos investidores por risco;
- Câmbio: empresas exportadoras se beneficiam de um real desvalorizado; importadoras sofrem. FIIs com dívida em dólar também são afetados por movimentos cambiais;
- Fluxo de capital estrangeiro: investidores institucionais internacionais têm peso relevante na bolsa brasileira, e a entrada ou saída desse capital move os preços de forma significativa;
- Eventos geopolíticos e crises externas: guerras, sanções, quebras de bancos e crises em economias relevantes afetam mercados globalmente, incluindo o Brasil;
- Sentimento e comportamento dos investidores: medo e euforia amplificam movimentos de preço além do que os fundamentos justificariam, tanto para cima quanto para baixo.
Quais são os investimentos em renda variável?
Os principais ativos de renda variável no Brasil são:
- Ações;
- Fundos Imobiliários (FIIs);
- ETFs de ações e índices;
- BDRs (Brazilian Depositary Receipts);
- Fundos de ações;
- Opções e contratos futuros.
A seguir, explico mais sobre cada um deles.
Ações
Ao comprar uma ação, a pessoa investidora está adquirindo uma fração do capital de uma empresa listada na bolsa e passa a ser sócio daquele negócio. Logo, começa a participar dos resultados positivos, como dividendos e valorização do papel, e também dos negativos, como queda nos lucros, aumento de dívida ou problemas operacionais.
O retorno de uma ação vem de duas fontes:
- A valorização do preço ao longo do tempo, que depende do desempenho da empresa e das expectativas do mercado;
- Os proventos distribuídos, que incluem dividendos e juros sobre capital próprio, pagamentos feitos pela empresa aos acionistas com base nos lucros gerados.
As ações são negociadas na B3 durante o pregão regular, das 10h às 17h, e podem ser compradas em lotes de 100 unidades no mercado à vista ou em frações menores no mercado fracionário. Você pode encontrá-las em corretoras tradicionais, ou nas plataformas de investimento de bancos.
O preço desses ativos oscila durante todo o dia conforme as ordens de compra e venda são executadas, embora cada ação, é claro, oscile de acordo com os fatores relacionados à sua empresa emissora.
Fundos Imobiliários (FIIs)
Fundos imobiliários são fundos que investem em imóveis físicos, como shoppings, galpões logísticos, lajes corporativas e hospitais, ou em títulos do mercado imobiliário, como CRIs e LCIs.
Quem compra cotas desses produtos passa a receber uma parcela proporcional dos rendimentos gerados pelos ativos da carteira, geralmente distribuída mensalmente, embora a frequência específica dependa de cada FII.
Para os investidores pessoa física, uma das maiores vantagens desses fundos é a isenção de IR sobre os rendimentos distribuídos, desde que o fundo tenha pelo menos 50 cotistas, seja negociado exclusivamente em bolsa e o investidor possua menos de 10% das cotas. O ganho de capital na venda das cotas, porém, é tributado a 20%.
Apesar dos rendimentos regulares e de serem considerados como relativamente estáveis em comparação com outros ativos, FIIs ainda pertencem à classe da renda variável. Logo, o preço das cotas oscila na bolsa conforme as condições do mercado imobiliário, a taxa de juros e a qualidade dos ativos do fundo.
Em ciclos de juros altos, inclusive, os FIIs tendem a sofrer porque a renda fixa se torna mais competitiva e o custo de financiamento imobiliário aumenta.
ETFs de ações e índices
Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos que replicam a carteira de um índice de referência e são negociados na bolsa como se fossem ações.
Um ETF do Ibovespa, por exemplo, compra as mesmas ações que compõem o índice, e também nas mesmas proporções, entregando aos investidores o desempenho do índice (subtraído pela taxa de administração do fundo).
A vantagem dos ETFs é a diversificação instantânea, assim como em fundos tradicionais, mas com um custo mais baixo.
No mercado, é possível encontrar ETFs de ações brasileiras, de ações internacionais, de setores específicos como tecnologia ou dividendos, e de renda fixa, embora estes últimos tenham características diferentes.
BDRs (Brazilian Depositary Receipts)
Os BDRs são certificados negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras. Ao comprar um BDR, investidores brasileiros conseguem expor seus patrimônios ao desempenho de gigantes globais como Apple, Amazon, Microsoft ou Tesla sem precisar abrir uma conta no exterior ou operar em moeda estrangeira.
O ponto de atenção aqui é redobrado, já que o preço de um BDR é influenciado tanto pelo desempenho da empresa no mercado de origem quanto pela variação do câmbio, afinal, o ativo subjacente é precificado em dólar ou outra moeda estrangeira.
Perceba que isso adiciona uma camada de risco cambial que não existe em ações brasileiras, mas também pode ser uma vantagem quando o real se desvaloriza.
Fundos de ações
Os fundos de ações são uma categoria de fundos de investimento que aplicam no mínimo 67% do patrimônio em ações ou ativos relacionados à renda variável. A gestão pode ser passiva (replicando um índice específico), ou ativa (com o gestor tomando decisões de compra e venda buscando superar o mercado).
A tributação dos fundos de ações é de 15% sobre o lucro no resgate, independentemente do prazo de investimento, e não há come-cotas, o que é uma vantagem para o longo prazo em comparação com fundos de renda fixa.
Aqui, o custo precisa ser analisado com cuidado: fundos de ações ativos costumam cobrar taxa de administração e taxa de performance, e essas taxas reduzem o retorno líquido.
Inclusive, historicamente, a maioria dos fundos ativos não supera o índice de referência no longo prazo após os custos, o que explica o crescimento dos fundos passivos e dos ETFs como alternativa.
Opções e contratos futuros
Opções e contratos futuros são derivativos, ou seja, instrumentos cujo valor deriva do preço de outro ativo. Uma opção de compra de ação, por exemplo, dá ao comprador o direito de comprar aquela ação a um preço definido até uma data específica, mas sem a obrigação de exercer esse direito.
Esses instrumentos são usados de duas formas principais. A primeira é a proteção de carteira (também chamado de hedge), em que a pessoa investidora usa derivativos para limitar perdas em posições que já possui.
A segunda é a especulação, que se trata de aproveitar a alavancagem que esses produtos oferecem para amplificar ganhos, com o risco correspondente de amplificar perdas.
Atenção: os derivativos são ativos que exigem um conhecimento mais aprofundado do que ações ou FIIs e definitivamente não são indicados para investidores iniciantes. Afinal, a alavancagem pode resultar em perdas superiores ao capital investido, o que torna a gestão de risco nesse segmento especialmente crítica.
É seguro investir em renda variável?
Depende do que se entende por seguro. Se a pergunta é se existe garantia de retorno ou proteção contra perdas, a resposta é não: ativos de renda variável não têm essas garantias, e podem se desvalorizar de forma significativa e, às vezes, rápida também.
O Ibovespa caiu mais de 40% durante a crise financeira global de 2008, por exemplo. Também caiu mais de 30% no início da pandemia em 2020, em questão de semanas. Ações individuais podem cair muito mais do que o índice, e algumas empresas chegam a falir, zerando o investimento de quem estava posicionado.
Esses são riscos reais, não hipotéticos. Ao mesmo tempo, investir em renda variável não significa que você vai com certeza sofrer alguma perda.
Afinal, se a pergunta sobre segurança, porém, é se é possível investir em renda variável de forma consciente, com gestão de risco e horizonte de tempo adequado, a resposta é outra.
O mesmo Ibovespa que caiu 40% em 2008 se recuperou completamente em menos de dois anos. Quem permaneceu investido, ou aproveitou a queda para comprar mais, saiu melhor do que quem vendeu no pânico. Historicamente, mercados acionários de economias relevantes entregaram retorno acima da inflação no longo prazo, mesmo passando por crises severas no meio do caminho.
O risco da renda variável é, portanto, real, variável e dependente do horizonte de tempo. No curto prazo, as oscilações podem ser severas e imprevisíveis. No longo prazo, o histórico aponta para uma compensação consistente por esse risco assumido.
Para investir em renda variável com segurança, o primeiro passo é entender o seu perfil de investidor.
Perfis conservadores, por exemplo, priorizam segurança e estabilidade, preferem saber exatamente quanto vão receber e têm baixa tolerância a ver o patrimônio oscilar, mesmo que temporariamente. Para esse perfil, uma exposição alta à renda variável tende a gerar mais ansiedade do que retorno, porque a chance de vender no momento errado é grande.
Já perfis moderados e arrojados conseguem conviver melhor com as oscilações e têm horizonte de tempo suficiente para atravessar períodos de queda sem precisar resgatar.
Além de conhecer o próprio perfil, algumas boas práticas ajudam nessa tarefa:
- Defina um horizonte de tempo claro: a renda variável funciona melhor para objetivos de médio e longo prazo, de cinco anos para cima. Dinheiro que você pode precisar em menos de dois anos não deveria estar exposto a ativos que oscilam tanto;
- Diversifique: nunca concentre o patrimônio em um único ativo, setor ou país. A diversificação não elimina o risco, mas reduz o impacto de um evento negativo específico sobre a carteira inteira;
- Mantenha uma reserva de emergência em renda fixa: ter de três a seis meses de gastos em um produto líquido e seguro evita que você precise resgatar renda variável em um momento de queda para cobrir uma necessidade urgente;
- Invista com regularidade, independente do momento do mercado: aportes periódicos reduzem o risco de entrada em um momento ruim e aproveitam naturalmente as quedas para comprar mais cotas a preços menores;
- Evite decisões baseadas em notícias de curto prazo: o mercado reage a notícias diariamente, mas a maioria dessas reações não muda os fundamentos de longo prazo de boas empresas ou setores sólidos.
Quais são as vantagens de investir em renda variável?
As principais vantagens da renda variável são:
- Potencial de retorno superior à renda fixa no longo prazo;
- Participação no crescimento das empresas e da economia;
- Geração de renda passiva por meio de dividendos e proventos;
- Diversificação da carteira em diferentes setores e países;
- Proteção cambial por meio de ativos dolarizados.
A seguir, te explico em detalhes cada um deles.
Potencial de retorno superior no longo prazo
No longo prazo, ações e outros ativos de renda variável tendem a oferecer retornos superiores aos da renda fixa, especialmente em cenários de juros mais baixos. Esse desempenho superior não é garantido em nenhum período específico, mas quando o horizonte de tempo é longo o suficiente, o histórico dos mercados aponta consistentemente nessa direção.
O motivo é estrutural: empresas crescem, expandem, inovam e geram valor ao longo do tempo. Quem é sócio de boas empresas participa desse crescimento.
A renda fixa, por outro lado, remunera o credor pelo empréstimo feito, não pelo crescimento do negócio, então em um ambiente de juros reais baixos, essa diferença de retorno entre ser credor e ser sócio tende a ser ainda mais significativa.
Participação no crescimento das empresas e da economia
Investir em ações é, em essência, apostar no crescimento de empresas e, por extensão, da economia também. Afinal, quando uma empresa dobra de tamanho, seus acionistas participam desse crescimento de forma proporcional, e é daí que vem o lucro da renda variável.
Quando um setor se transforma, como o varejo digital nos últimos anos, os investidores posicionados nas empresas certas capturam parte enorme desse valor criado.
Essa participação no crescimento econômico não está disponível da mesma forma na renda fixa. Um CDB, por exemplo, paga a taxa contratada independentemente de o banco ter tido um ano excelente ou razoável. Na renda variável, o upside é aberto: não há teto para o quanto uma ação pode se valorizar se a empresa continuar crescendo.
Geração de renda passiva por meio de dividendos e proventos
Ações de empresas maduras e lucrativas distribuem dividendos regularmente, e a maioria dos FIIs distribuem rendimentos mensais. Assim, uma pessoa investidora pode criar uma fonte de renda passiva que cresce conforme a carteira cresce também, sem precisar vender nenhum ativo.
Empresas brasileiras costumam ter uma política de dividendos generosa em comparação com padrões internacionais, em parte por exigência legal de distribuir no mínimo 25% do lucro líquido. Alguns setores, como bancos, energia elétrica e saneamento, têm histórico de dividendos consistentes e elevados que atraem investidores focados em geração de renda.
Com o tempo, o yield on cost, que é o rendimento anual de dividendos calculado sobre o preço original de compra, pode se tornar muito superior ao que qualquer aplicação de renda fixa pagaria. Quem comprou ações de uma empresa há 15 anos por R$ 10 e hoje recebe R$ 3 de dividendo por ação tem um retorno anual de 30% sobre o custo original, mesmo que a ação hoje valha R$ 80.
No entanto, saiba que nem toda ação paga dividendos.
Diversificação em diferentes setores e países
Com ra enda variável, é possível construir uma carteira exposta a diferentes setores da economia, como tecnologia, saúde, energia, agronegócio e financeiro, além de diferentes países e moedas. Essa diversificação reduz a dependência de um único cenário econômico para o portfólio performar bem.
Se a economia brasileira desacelera mas a americana segue crescendo, por exemplo, uma carteira com exposição a BDRs ou ETFs internacionais conseguiria absorver melhor esse choque do que uma carteira concentrada em ativos domésticos.
Da mesma forma, ter exposição a setores descorrelacionados dentro do Brasil reduz o impacto de crises setoriais específicas.
Proteção cambial
Ativos dolarizados, como BDRs e ETFs internacionais, funcionam como uma proteção natural contra a desvalorização do real. Quando o câmbio sobe, o valor em reais desses ativos vai subir junto e compensar parcialmente a perda de poder de compra em dólar que uma carteira 100% local sofreria.
Essa proteção é especialmente relevante para quem tem gastos ou planos futuros em moeda estrangeira, como viagens, estudos no exterior ou eventual moradia fora do Brasil. Ao mesmo tempo, também é perfeitamente válida para quem não tem esses planos, já que, de qualquer forma, alguma exposição cambial reduz a vulnerabilidade da carteira a crises que afetam desproporcionalmente moedas de economias emergentes.
Quais são as desvantagens de investir em renda variável?
As principais desvantagens da renda variável são:
- Oscilação de preços e risco de perda de capital;
- Impacto emocional das quedas sobre o comportamento dos investidores;
- Tributação sobre ganhos e complexidade fiscal;
- Necessidade de conhecimento e acompanhamento.
Vem comigo entender melhor cada um desses pontos de atenção.
Oscilação de preços e risco de perda de capital
A oscilação é inerente à renda variável e não desaparece com o tempo, com a estratégia ou com o conhecimento da pessoa investidora. O preço de uma ação pode cair 50% por razões que vão de um resultado financeiro decepcionante a uma crise macroeconômica que nada tem a ver com a empresa em si.
Isso é bem diferente da renda fixa, onde o pior cenário costuma ser não receber os juros esperados. Na renda variável, o que pode acontecer é essa pessoa investidora perder parte relevante do capital investido (e é por isso que a diversificação é sempre tão fortemente indicada).
Afinal, empresas quebram, setores inteiros entram em declínio, e ativos que parecem sólidos podem surpreender negativamente. Esse risco não é eliminável: faz parte da estrutura do produto.
Impacto emocional das quedas sobre o comportamento dos investidores
Ver o valor de uma posição cair 20%, 30% ou mais em poucas semanas é uma experiência psicologicamente difícil, até mesmo para quem entende racionalmente que oscilações fazem parte do processo. O problema é que essa dificuldade leva muitos investidores a tomar as piores decisões nos piores momentos: vender durante quedas, por puro impulso, e recomprar após recuperações, fazendo o caminho oposto do que maximizaria o retorno.
Para você ter ideia, em fundos de investimento, por exemplo, o retorno médio obtido pelos cotistas tende a ser inferior ao retorno do próprio fundo, porque as pessoas entram e saem nos momentos errados. Na renda variável, esse risco comportamental pode ser tão ou mais prejudicial do que o risco de mercado em si.
Tributação sobre ganhos e complexidade fiscal
Os ganhos com ações estão sujeitos a IR de 15% sobre o lucro nas vendas que superem R$ 20.000 no mês, e operações de day trade (aquelas nas quais uma compra e uma venda são feitas no mesmo dia) pagam 20% independentemente do valor.
O recolhimento desse imposto fica a cargo da própria pessoa investidora, que precisa emitir uma DARF mensalmente, algo que exige organização e atenção ao calendário fiscal.
FIIs, por sua vez, têm tributação de 20% sobre ganho de capital na venda de cotas, e os rendimentos, apesar de isentos na maioria dos casos para pessoa física, precisam ser declarados corretamente no IR anual. Já os BDRs e os ETFs têm regras próprias.
Em resumo, a complexidade fiscal da renda variável é maior do que a da renda fixa, onde as instituições financeiras retêm e recolhem o imposto automaticamente na maioria dos produtos.
Necessidade de conhecimento e acompanhamento
A renda variável não é um produto que funciona bem no piloto automático para a maioria dos investidores. Inclusive, ninguém deveria investir nessa classe estando no piloto automático.
Afinal, entender o que se está comprando, por quê, a que preço e por quanto tempo requer um nível de conhecimento que a renda fixa não exige da mesma forma.
Não é que uma pessoa precise operar ativamente ou acompanhar cotações todos os dias. Acontece que é importante, sim, entender minimamente o negócio por trás de uma ação, a qualidade da carteira de um FII ou a composição de um ETF é o mínimo para evitar decisões ruins nos momentos de maior volatilidade.
Quem investe em renda variável sem esse entendimento tende a agir por impulso, e isso raramente termina bem.
É possível investir em renda variável com pouco dinheiro?
Sim! É possível começar a investir em renda variável com valores bem pequenos, às vezes menos de R$ 50, dependendo do ativo escolhido.
No mercado fracionário da B3, é possível comprar frações de lotes de ações, o que permite comprar uma única ação de uma empresa em vez do lote padrão de 100.
Nesses casos, uma ação de um banco grande pode custar entre R$ 20 e R$ 30; uma ação de uma empresa de energia elétrica, entre R$ 10 e R$ 15; algumas ações de varejo ou tecnologia saem por menos de R$ 10. Quem tem R$ 100 por mês para alocar já consegue montar uma posição real em empresas listadas na bolsa.
ETFs são talvez a forma mais eficiente de começar com pouco, aliás. Uma cota de um ETF que replica o Ibovespa costuma custar entre R$ 100 e R$ 120, e com ela a pessoa investidora já tem exposição às maiores empresas do Brasil de uma vez, sem precisar escolher ação por ação.
FIIs também costumam ter cotas acessíveis. A maioria dos fundos imobiliários negocia entre R$ 80 e R$ 130 por cota, e com R$ 500 já é possível ter posição em dois ou três fundos diferentes, recebendo rendimentos mensais proporcionais desde o início. Fundos de ações nas plataformas digitais costumam ter aplicação mínima entre R$ 100 e R$ 500, dependendo da gestora.
Lembre-se, porém, que o ponto mais importante aqui não é o valor de entrada, mas a regularidade. Aportar R$ 200 por mês de forma consistente por dez anos constrói um patrimônio muito maior do que guardar durante anos esperando ter um valor grande o suficiente para começar.
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