Até bem pouco tempo atrás, escolher entre CEA ou CGA era uma dúvida que aparecia bastante entre os profissionais do mercado financeiro, principalmente entre aqueles que já tinham alguma experiência no currículo (ou ao menos as certificações mais básicas), e sentiam que era chegado o momento de trilhar caminhos mais específicos na carreira.
E a dúvida não vem sem razão: as duas exigiam uma preparação mais técnica, mas levavam a trabalhos bem diferentes. A CEA estava ligada à distribuição e à recomendação de investimentos, enquanto a CGA já levava para outro lado do mercado: a gestão profissional de recursos de terceiros.
Só que agora entrou uma peça nova nessa comparação, pois a CEA não existe mais. Para quem gostava do lado mais técnico da antiga certificação, a C-Pro I passou a ser a principal referência.
Está sem saber qual rumo tomar, especialmente agora? Não se preocupe, vem comigo para entender:
- O que substituiu a CEA;
- O que mudou na comparação entre CEA e CGA;
- Qual a diferença entre C-Pro I e CGA;
- C-Pro I ou CGA: qual certificação escolher;
- Como ficou a prova da C-Pro I em relação à CEA;
- Se a prova da C-Pro I prepara para a CGA;
- Como se preparar para a C-Pro I ou CGA.
Bora começar? No fim, te mostro o caminho mais certeiro para passar de primeira na CGA ou na C-Pro I!
O que substituiu o CEA?
A CEA não ganhou uma substituta exata. Com a nova trilha da Anbima, as competências da antiga certificação foram reorganizadas entre CPA, C-Pro R e C-Pro I, e a C-Pro I é a mais próxima do seu antigo perfil técnico.
Para entender melhor essa equivalência, primeiro você precisa lembrar que a atualização da Anbima não foi uma simples troca de nome. Na verdade, foi uma reestrutura completa da trilha e até mesmo dos formatos das provas.
A nova estrutura começa pela CPA, que forma a base necessária para trabalhar na distribuição de investimentos, e por isso ela é obrigatória para seguir para as outras duas. Depois dela, a trilha se divide conforme a atuação que o profissional pretende desenvolver.
A C-Pro R segue pelo relacionamento: entender o cliente, analisar suas necessidades, indicar investimentos e acompanhar a carteira.
Já a C-Pro I, por sua vez, segue pelo conhecimento técnico. A Anbima define esse profissional como alguém que precisa conhecer profundamente os produtos de investimento e suas estruturas para montar carteiras recomendadas e prestar assessoramento técnico a profissionais CPA e C-Pro R.
O que mudou na comparação entre CEA e CGA?
A diferença central continua parecida, mas agora está muito mais bem delimitada: a C-Pro I pertence à trilha de distribuição e especialização em investimentos, enquanto a CGA pertence à trilha de gestão profissional de recursos de terceiros.
Antes, a CEA habilitava especialistas a recomendar produtos de investimento a clientes e assessorar gerentes de contas. Já a CGA é voltada a quem efetivamente toma decisões na gestão dos recursos sob sua responsabilidade.
Com a chegada da C-Pro I, o lado técnico da distribuição ganhou uma certificação muito mais direcionada.
Ela aprofunda produtos, investimentos alternativos, ativos digitais e internacionais, previdência, risco, análise de carteiras e indicadores de performance. Tudo isso para que o profissional consiga analisar soluções e participar da construção de carteiras recomendadas.
A CGA dá um outro passo, o mesmo de sempre (já que ela não sofreu nenhuma alteração), mas não porque seja uma certificação “mais avançada”. O que acontece é que ela existe para outra atividade.
Quem exerce a gestão de recursos de terceiros precisa decidir como o patrimônio sob gestão será investido. A CGA habilita para essa atividade em fundos de renda fixa, ações, cambiais e multimercados, além de carteiras administradas e fundos de índice.
Qual a diferença entre C-Pro I e CGA?
A C-Pro I prepara para uma atuação técnica com produtos e carteiras dentro da distribuição de investimentos, enquanto a CGA habilita o profissional para a gestão de recursos de terceiros nas classes abrangidas pela certificação.
Essa diferença vai se manifestar em vários pontos do que um profissional faz no dia a dia, incluindo nestes aspectos:
- Atuação com recomendação de investimentos;
- Atuação com gestão de recursos;
- Perfil de cliente atendido.
A seguir, te explico melhor o que muda.
Atuação com recomendação de investimentos
A C-Pro I entra quando o trabalho exige profundidade técnica para analisar produtos e construir carteiras recomendadas.
É o profissional que precisa conhecer, por exemplo, características, riscos, tributação e funcionamento de diferentes produtos para conseguir comparar alternativas e entender como elas podem entrar em uma carteira.
O próprio programa mostra essa profundidade, aliás. Para você ter ideia, os produtos de investimento representam 40% do conteúdo da C-Pro I, e a certificação ainda entra em:
- Investimentos alternativos, digitais e no exterior;
- Previdência complementar;
- Gestão de risco;
- Análise de carteiras;
- Indicadores de performance.
Só tem uma nuance importante: a C-Pro I abrange o lado técnico da profissão. Agora, se o trabalho envolve conversar diretamente com a pessoa investidora, levantar suas necessidades, analisar seu perfil e indicar os investimentos adequados a ela, é a C-Pro que ganha protagonismo.
A C-Pro I entra com a profundidade técnica necessária para analisar produtos, estruturar carteiras e assessorar profissionais com a CPA e com a C-Pro R nesse trabalho.
Atuação com gestão de recursos
Na CGA, o profissional deixa de estar apenas no campo da análise e passa a ter poder de decisão sobre recursos de terceiros.
Um gestor pode decidir, dentro das regras e estratégias do veículo sob sua responsabilidade, quais ativos comprar, quais vender, quanto alocar em cada posição e quando alterar a composição da carteira.
Em resumo, é esse poder discricionário de investimento que diferencia a atividade de gestão. Por isso, a CGA é exigida para profissionais que exercem essa função em fundos de renda fixa, ações, cambiais e multimercados, carteiras administradas e fundos de índice.
Antes da CGA, porém, é preciso conquistar a CFG (Certificação Anbima de Fundamentos em Gestão). Esta última forma a base para quem pretende entrar em asset management, mas não habilita sozinha o profissional a atuar como gestor, e por isso entra como pré-requisito não só para a CGA, mas para a CGE também.
Perfil de cliente atendido
Na C-Pro I, o conhecimento técnico é usado para construir soluções de investimento dentro da distribuição. Na CGA, a relação principal é com o patrimônio que está sob gestão, e não com a recomendação individual feita a cada investidor.
Pense em um fundo de investimento, por exemplo. Com a C-Pro I, você poderia analisar esse fundo como um produto. Ou seja, averiguar sua estratégia, risco, liquidez, tributação, composição e adequação dentro de uma carteira recomendada.
Já um gestor certificado pela CGA pode estar do outro lado desse produto, tomando decisões sobre os ativos que entram ou saem da carteira do próprio fundo. Por isso, o termo “cliente” acaba assumindo sentidos diferentes.
Na distribuição, existe a preocupação com qual solução será indicada para determinado perfil de pessoa investidora. Na gestão, o profissional administra recursos de terceiros conforme a política, o mandato e as regras do veículo sob sua responsabilidade.
C-Pro I ou CGA: qual certificação escolher?
Depende de quais são as suas metas profissionais. Escolha a C-Pro I se você quer construir uma carreira técnica em produtos, análise e carteiras recomendadas. Agora, se o seu objetivo é tomar decisões de investimento na gestão profissional de recursos de terceiros, o caminho mais alinhado passa por CFG e CGA.
Uma boa forma de ponderar essa decisão é pensando no trabalho que você gostaria de fazer depois da sua aprovação.
Se você se imagina, por exemplo, analisando fundos, renda fixa, renda variável, previdência, investimentos internacionais e outros produtos para entender como combiná-los em uma carteira, a C-Pro I vem bem a calhar.
No entanto, se prefere estar dentro de uma gestora decidindo onde os recursos de um fundo ou carteira administrada serão efetivamente alocados, aí estamos falando de CGA.
E repare que não existe uma resposta baseada em qual certificação “vale mais”, porque não há uma superior à outra nesse caso. Afinal, as duas são partes de trilhas diferentes justamente porque comprovam competências para atividades diferentes.
Também não existe nada que impeça uma trajetória de passar pelas duas, é claro. Um profissional pode construir experiência técnica com investimentos e, mais adiante, decidir migrar para asset management. Nesse caso, terá que cumprir também os requisitos próprios da trilha de gestão.
Como ficou a prova da C-Pro I em relação à CEA?
A C-Pro I aproveitou uma parte importante da base técnica que já existia na CEA, mas reorganizou e aprofundou o conteúdo para o novo perfil profissional em questão. A prova em si também mudou bastante: agora cobra mais interpretação e aplicação do conhecimento em situações próximas do trabalho.
O novo exame tem 40 questões e 2h30 de duração, com 30 questões de múltipla escolha contextualizada e 10 de análise de cases. De acordo com a Anbima, há uma distribuição específica do nível de dificuldade no exame:
- 25% de questões fáceis;
- 50% de questões médias;
- 25% de questões difíceis.
Conteúdos que continuam da CEA
Quem estudou para a antiga CEA vai reconhecer vários assuntos dentro da C-Pro I, principalmente aqueles ligados à análise técnica de produtos e carteiras. Entre eles, estão conhecimentos sobre:
- Fundos de investimento;
- Renda fixa;
- Renda variável;
- Derivativos;
- Previdência complementar;
- Risco e retorno;
- Diversificação;
- Análise de carteiras;
- Indicadores de performance;
- Tributação relacionada aos produtos.
Lembre-se: embora haja uma lista de assuntos que se mantiveram na nova prova, e que é de fato grande, a forma de cobrança já não é mais a mesma da antiga CEA, então a forma como você deve estudar precisa se adaptar a isso.
Na C-Pro I, a Anbima quer avaliar com mais profundidade se você consegue usar o conhecimento técnico diante de uma situação parecida com aquelas que aparecem no trabalho.
Você pode, por exemplo, saber calcular um indicador de performance e ainda assim precisar interpretar o resultado, comparar duas carteiras e decidir qual informação realmente importa para o caso apresentado. Ou conhecer as características de diferentes fundos, mas ter que analisar risco, liquidez, tributação e composição antes de chegar à alternativa mais adequada.
Nos cases, esse raciocínio ganha ainda mais peso porque várias informações podem aparecer juntas, inclusive algumas que não são determinantes para a resposta. Cabe a você, então, entender o cenário, separar o que é relevante e conectar diferentes partes do conteúdo para chegar à conclusão.
Dica: se você já estava estudando para a CEA, não é que precise recomeçar do zero, mas definitivamente já não pode mais usar apenas materiais antigos nessa jornada, porque a prova que você vai enfrentar é totalmente diferente do que costumava ser.
Temas mais aprofundados na C-Pro I
A C-Pro I dá bastante peso à capacidade de analisar produtos em profundidade e combiná-los dentro de carteiras, além de incorporar assuntos que refletem melhor o mercado atual.
O programa atual inclui um módulo específico para investimentos alternativos, digitais e no exterior, por exemplo, além de aprofundar em outros temas, como gestão de risco, análise de carteiras e indicadores de performance.
Até dentro de assuntos conhecidos, a abordagem pode exigir mais detalhe. Em fundos, por exemplo, o programa entra em detalhes de estrutura, regras de distribuição, classes e subclasses, limites de concentração, composição das carteiras, riscos, estratégias ativa e passiva, tributação e impactos dessas características na indicação e na alocação.
Foco em perfil do investidor
O perfil da pessoa investidora continua importante para a C-Pro I assim como já era na CEA, mas agora aparece principalmente como contexto para a construção técnica de soluções e carteiras. Afinal, na nova trilha, a Anbima separou melhor responsabilidades que antes podiam aparecer juntas.
Na C-Pro R, entender o cliente está no centro da atuação: é preciso levantar informações, compreender objetivos e necessidades e indicar investimentos, já que este selo tem foco no relacionamento com as pessoas.
Agora, na C-Pro I, você precisa dominar os produtos e saber selecionar e combinar soluções para clientes com diferentes perfis, avaliando riscos, características e impactos sobre a carteira.
A prova da C-Pro I prepara para a CGA?
A C-Pro I pode dar uma boa base em alguns assuntos que também aparecem no universo da gestão, mas ela não é um preparatório nem um pré-requisito para a CGA. Se o seu objetivo é se tornar gestor, a trilha própria começa pela CFG.
Quem estuda C-Pro I passa por produtos de investimento, risco, carteiras, performance e investimentos no exterior. Na CGA, também aparecem temas como gestão de carteiras de renda fixa e renda variável, investimentos no exterior, avaliação de desempenho e gestão de risco.
Então, se você já tivesse passado pela C-Pro I, muito provavelmente não chegaria à trilha de gestão olhando para todos esses assuntos pela primeira vez. Isso, porém, não muda o fato de que as finalidades de cada certificação são distintas, nem o fato de que elas fazem partes de trilhas próprias.
Na C-Pro I, você aprende esse conteúdo todo para uma atuação técnica ligada a produtos e carteiras recomendadas. Na CGA, por outro lado, ele precisa sustentar decisões de gestão sobre recursos de terceiros.
Além disso, antes de partir para a CGA, você precisa passar pela CFG, que acrescenta uma base própria de asset management com métodos quantitativos, economia, análise de demonstrações financeiras, finanças corporativas, teoria moderna de carteiras, política de investimentos, alocação de ativos, regulação e outros temas.
Então, se você já tem C-Pro I e decidiu migrar para gestão, ótimo: parte do conhecimento pode ajudar. Só não pule mentalmente da C-Pro I direto para a CGA como se uma fosse continuação da outra, porque são trilhas independentes e, como tal, você ainda vai precisar passar por uma jornada de estudos específica para a CGA. E por falar nisso…
Como se preparar para a C-Pro I ou CGA?
A C-Pro I e a CGA precisam de preparações próprias, porque os programas e as atividades profissionais avaliadas são diferentes. O que funciona para as duas é montar um estudo que combine teoria, aplicação e bastante prática.
Dá uma olhada em métodos que vão te ajudar a passar de primeira, independentemente de qual seja sua escolha:
- Material realmente atualizado: isso é indispensável para qualquer certificação, mas ganhou ainda mais peso na C-Pro I, já que a prova é nova. Estudar por algum material antigo da CEA com certeza vai deixar lacunas justamente nos assuntos e formatos que mudaram.;
- Videoaulas que expliquem o raciocínio: assistir alguém simplesmente repetir uma definição da apostila ajuda pouco. Uma boa aula precisa mostrar por que aquele conceito importa, como ele se conecta aos demais e de que maneira pode aparecer na prova. Melhor ainda se tudo isso for feito com uma didática que funciona de verdade.;
- Questões comentadas: acertar é bom, mas entender por que uma alternativa está certa e as outras estão erradas ensina muito mais. É aí que você começa a identificar padrões de erro e pontos do conteúdo que ainda precisam de revisão.;
- Simulados fiéis à prova: não adianta treinar apenas questões curtas e isoladas se o exame vai exigir outra dinâmica. O simulado precisa reproduzir o conteúdo, a dificuldade, o formato e até o tempo para que você também aprenda a administrar a prova.;
- Prática distribuída ao longo da preparação: não deixe todas as questões (nem a revisão) para a última semana. Aprendeu um assunto? Resolva exercícios. Errou? Volte à teoria. Depois, revise novamente, de forma intercalada. Esse ciclo ajuda a transformar conteúdo estudado em conhecimento que você realmente consegue usar.;
- Apoio para tirar dúvidas: certificações técnicas inevitavelmente trazem aquele assunto que você lê três vezes e continua sem entender. Ter acesso a alguém que consiga explicar de outro jeito evita perder horas preso no mesmo ponto.;
- Cronograma compatível com sua rotina: quantidade de conteúdo não é o único desafio. Você precisa decidir o que estudar primeiro, quando revisar, quanto tempo reservar para exercícios e quando começar os simulados completos.
E tem ainda uma outra regra, que parece óbvia, mas ela precisa ser reforçada: estude para a prova que você realmente vai fazer.
Não caia no erro de acreditar que você pode se preparar bem para duas provas diferentes só porque ambas compartilham alguns conceitos em comum, como acontece na C-Pro I e na CGA.
Prepare-se para a certificação que combina com sua carreira
No fim, a antiga dúvida entre CEA e CGA ficou até mais fácil de resolver com a nova trilha.
Se você quer seguir pelo lado técnico da distribuição, a CPA e a C-Pro I formam o caminho atual. Se quer assumir a gestão profissional de recursos de terceiros, olhe para a CFG e a CGA.
E, quando decidir para qual lado vai, a TopInvest tem preparatórios específicos para cada etapa:
- Curso preparatório CPA TopInvest, para conquistar a base obrigatória antes da C-Pro I;
- Curso preparatório C-Pro I TopInvest, para seguir pela especialização técnica em investimentos;
- Curso preparatório CFG TopInvest, para começar a trilha de gestão;
- Curso preparatório CGA TopInvest, para quem quer se preparar para a certificação que habilita a atuação na gestão das classes abrangidas pela CGA.
Todos esses cursos combinam apostilas atualizadas, questões comentadas, simulados aderentes às provas e suporte dos professores, tudo isso construído a partir de um método exclusivo, feito para você aprender de verdade o conteúdo, mesmo quando tem uma rotina apertada.
Escolheu o caminho? Agora, bora buscar a aprovação!