É sempre importante pensar no futuro e criar reservas de capital. Afinal de contas não sabemos o que pode acontecer no futuro. Outro grande motivo pelo qual você precisa ter uma reserva financeira é que quando você parar de trabalhar não vai querer depender somente do INSS.

Bom, quando falamos em investimentos temos basicamente dois tipos. Os investimentos de renda fixa e de renda variável. Neste artigo em específico vamos nos ater aos principais investimentos de renda fixa.

Mas, se você é novo no mundo dos investimentos é importante saber a diferença entre renda fixa e renda variável.

Os investimentos em renda fixa são aqueles em que a rentabilidade ou as condições de rentabilidade (indexado a algum índice) são conhecidas no momento da aplicação.

Já nos investimentos de renda variável a rentabilidade não oferece nenhum tipo de previsibilidade e também não há nenhuma garantia de rendimento. Muitos investimentos de renda variável podem apresentar rentabilidades negativas causando prejuízos ao investidor, como é o caso do investimento em ações.

Esclarecidos estes pontos importantes vamos aos principais investimentos de renda fixa.

Investimentos de Renda Fixa
Investimentos de Renda Fixa

Caderneta de Poupança

É claro que não poderíamos falar dos principais investimentos de renda fixa sem começar pela caderneta de poupança. Este é um dos investimentos mais tradicionais, conservadores e populares do Brasil.

Tradicional, porque existe há mais de 140 anos. Conservador, pois seus rendimentos não são tão vultosos, mas não tem grandes riscos, e popular porque o aporte inicial  sequer existe, o que a torna acessível à população de baixa renda.

As aplicações em conta poupança são realizadas por meio dos bancos, mas não é necessário ser correntista para ter a poupança.

Para abrir uma conta poupança o procedimento é muito simples. Basta comparecer a uma agência bancária (portando CPF, documento de identidade e comprovantes de renda e residência) e solicitar a abertura.

As poupanças criadas até 2012 tinham uma remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a taxa da TR. Porém no ano de 2012 a poupança sofreu uma grande mudança com o objetivo de viabilizar a redução da taxa de juros da economia (SELIC).  A partir desta mudança então a nova remuneração consiste em 70% da taxa SELIC (hoje em 6,25% ao ano) mensalizada mais a TR.

CDB – Certificado de Depósito Bancário

Os certificados de depósito bancário tem a finalidade de obter recursos para os bancos. Neste tipo de aplicação é como se você estivesse financiando ou emprestando dinheiro para que a instituição financeira realize empréstimos para outras pessoas.

Do mesmo modo que o banco cobra juros quando empresta para alguém, na contrapartida o banco também efetua o pagamento de juros quando recebe por empréstimo um recurso de algum cliente. O segredo aqui é que os bancos oferecem a empréstimos a taxas altíssimas e pagam taxas não muito atrativas para seus investimentos. Existem três tipos de CDB, mas os mais comuns são os pré fixados e os pós fixados.

Nas opções de CDB pré fixado as taxas de remuneração são informadas no momento do contrato (aplicação), logo elas serão fixas até o final. Isso quer dizer que no momento da aplicação você já saberá a rentabilidade final.

Já quando falamos dos CDBs pós fixados a remuneração pode sofrer alterações de acordo com o indexador contratado, logo não se sabe a remuneração no momento da contratação. O valor final do investimento somente será informado no vencimento da aplicação. Os CDBs prós fixados em sua maioria são referenciados a um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

A terceira modalidade de CDB não é muito comum é uma espécie de título misto. São títulos que oferecem uma taxa de juros pré definida (assim como o pré fixado) mais a correção da inflação assim como funciona nos títulos do tesouro IPCA. Estes títulos não são muito comuns, geralmente só é possível encontrá-los nos sites de corretoras de valores e oferecidos por bancos menores.

Quando você for investir em um CDB, o ideal para escolher entre essas três modalidades é acompanhar a taxa SELIC que nos oferece duas hipóteses. Se o cenário apontar uma queda da taxa, o ideal é escolher os pré fixados, em contrapartida se o cenário for de subida da taxa SELIC o ideal são os pós fixados.

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Quanto ao resgate vai depender do acordo que você fizer com o Banco. Muitos CDBs tem liquidez diária, ou seja, você pode resgatá-los a qualquer momento. Porém quanto maior o tempo de carência maior tende a ser a rentabilidade do CDB.

LCI (Letras de credito Imobiliário)

As LCIs são títulos de crédito lastreados obviamente, em credito imobiliário e fazem parte da nossa lista dos principais investimentos de renda fixa.

Estes investimentos são garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária do imóvel e via de regra são remuneradas pelo CDI. Uma das maiores vantagens das LCIs é a isenção de imposto de renda para as pessoas físicas. A grande maioria dos LCIs tem duração média de 90 dias, mas vai depender sempre do contrato firmado com a instituição financeira.

Este tipo de aplicação se faz exclusivamente por meio de débito em conta-corrente, com crédito automático no vencimento ou na solicitação do resgate antecipado.

Os principais pontos positivos das LCIs são a isenção de imposto de renda para pessoa física, uma rentabilidade atrativas (ligeiramente superior ao CDI) e a segurança do investimento. Vantagens estas que tornam as LCIs uns dos principais investimentos de renda fixa.

Atenção, a emissão de LCIs é exclusiva de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central com carteira de crédito imobiliário.

LCA (Letra de crédito do Agronegócio)

Este é um investimento de renda fixa cujos recursos são destinados ao fomento do agronegócio. Assim como as LCIs as LCAs são títulos de credito nominativo que possuem livre negociação.

As LCAs podem ser entendidas como um empréstimo que o investidor faz a uma instituição financeira publica ou privada que fomenta o agronegócio e para que isso ocorra recebe uma remuneração. A grande maioria dos títulos de LCA tem sua remuneração atrelada a um percentual do CDI, uma taxa prefixada ou mesmo uma taxa prefixada mais inflação.

Debêntures

Do mesmo modo que existem títulos de dívida pública as empresas também podem emitir títulos de dívida privada para os interessados. Essas empresas aplicam os recursos em grandes projetos, os quais trarão mais resultados para as companhias no médio e no longo prazo.

Quando se compra uma debênture, você se torna credor de uma empresa e receberá juros pelo valor emprestado. É a mesma coisa que uma instituição financeira faz com seus clientes quando solicitam um empréstimo. Mas lembre-se, você não é sócio dessa empresa e sim credor dela. Para você ter uma idéia é possível que já tenha investido em debêntures sem saber. Isso acontece porque muitos fundos de investimento em renda fixa aplicam neste tipo de títulos.

Para o investidor individual principalmente as debêntures incentivadas são muito atrativas porque são isentas de imposto de renda pelo governo federal para realização de projetos de infraestrutura. Graças a esta isenção de imposto de renda as debêntures fazem parte dos principais investimentos de renda fixa.

Tesouro Direto

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Os títulos públicos são o investimento mais comentado da atualidade e são o foco desta série especial de artigos. Estes títulos tem uma função semelhante a das debêntures, com a diferença que servem para captar recursos para o financiamento de atividades públicas federais.

Os títulos públicos federais são o investimento mais seguro que existe no Brasil porque contam com a garantia do Tesouro Nacional (que pode imprimir dinheiro). É claro que você deve saber que os maiores investidores no tesouro direto são os próprios bancos e um calote poderia criar um colapso generalizado na economia e outro investimento estaria seguro. Somente recursos fora do país.

A remuneração dos títulos públicos também ocorre nas modalidades pré fixada ou pós fixada. Veja abaixo as principais formas de remuneração do Tesouro Direto:

  • Pré Fixado;
  • Pré Fixado com Juros Semestrais;
  • Pós Fixado;
  • Pós Fixado com Juros Semestrais;
  • Misto (inflação mais taxa de juros);
  • Misto (inflação mais taxa de juros) com Juros Semestrais;

Mais adiante trataremos de forma mais detalhada a respeito de cada um dos títulos. Você deve estar lembrado que para investir é necessária a contratação de uma corretora de valores (veja como escolher) credenciada para realizar a formalização da compra e venda dos títulos.

CRI – Crédito de Recebíveis Imobiliários

Os CRIs são títulos lastreados em créditos imobiliários garantidos por imóveis e que apresentam promessa de pagamento em dinheiro e por isso estão entre principais investimentos de renda fixa. Os CRIs podem ser utilizados para venda de lotes urbanos, imóveis residenciais ou comerciais.

Ao adquirir um CRI o investidor está comprando o fluxo de recebimento de crédito concedido para o cumprimento do empreendimento imobiliário. Quando você adquire este tipo de investimento, o rendimento vai se basear no fluxo de recebíveis que neste caso são os créditos decorrentes de operação de compra e venda a prazo ou mesmo o financiamento e locação de imóveis (residenciais comerciais ou industriais).

Assim como os fundos imobiliários os CRIs também podem ser adquiridos pelos pequenos investidores.

Entre as vantagens desse investimento também se destacam a ausência de tributação sobre os rendimentos e o seu baixo risco que se dá por conta da avaliação concedida pelas agências internacionais de risco.

CRA – Certificados de Recebíveis do Agronegócio

Os CRAs ou Certificados de Recebíveis do Agronegócio são títulos de livre negociação que podem ser emitido por instituições financeiras, empresas de securitização de direitos creditórios e pessoas jurídicas do agronegócio.

As CRAs tem como lastro uma variedade de recebíveis tais como Notas promissórias e Certificados de depósitos
CRIs.

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios – FIDC

Os FIDCs são fundos de investimento que aplicam no mínimo 50% em direitos creditórios.

Direitos creditórios são direitos derivados dos créditos que uma empresa tem a receber, como por exemplo aluguéis, cheques, parcelas do cartão de crédito ou mesmo boletos bancários.

Em outras palavras, direitos creditórios são dívidas convertidas em títulos os quais podem ser vendidos para terceiros por meio de um processo chamado securitização.

Uma boa forma de entender isso é a compra a prazo. Digamos que você comprou um sofá para pagar daqui a um mês. A loja que lhe vendeu este sofá, fica com o direito de receber esse dinheiro no prazo estabelecido. Porém, para adiantar o recebimento ela pode transformar a sua dívida em um título negociável através da cessão de direitos creditórios.

Neste caso um investidor compra o direito creditório pagando a loja antecipadamente, ou seja, quando você efetuar o pagamento o dinheiro ao invés de ir a loja vai para o investidor e não para a loja que lhe vendeu o sofá.

Para que isso seja interessante ao investidor, a loja desiste de uma porcentagem do valor e este valor será o lucro do investidor. Este processo de transformar dívida em direito a crédito se chama securitização. Logo, podemos concluir que o FIDC é um fundo de investimento que aplica em títulos de crédito criados a partir de contas a receber de uma empresa.

Assim como outros Fundos de Investimento, os fundos de direitos creditórios são compostos e administrados por uma instituição financeira que vende cotas em troca da captação de recursos para realizar suas aplicações financeiras.

A diferença é que os FIDCs possuem alguns detalhes diferentes e uma estrutura um pouco mais complexa.

Veja as principais características dos FIDCs:

  • Pode possuir prazo indeterminado ou determinado;
  • É um fundo de investimento de Renda fixa;
  • Pode ser constituído como fundo aberto (resgatável) ou fechado (não resgatável);
  • O investimento inicial mínimo é de R$ 25.000,00
  • Não possui garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC);
  • Possui dois tipos de cotas: subordina e sênior;
  • É restrito a investidores qualificados ou profissionais;
  • Normalmente possui alta rentabilidade comparado a outros investimentos de renda fixa, mas oferece mais riscos;
  • Aplica em títulos privados de crédito derivados das contas a receber de uma empresa;

Letras Financeiras

As letras financeiras estão entre os principais investimentos de renda fixa de longo prazo (a partir de dois anos, não podendo ser retirado antes disso).

O rendimento das letras financeiras costuma ser pós fixado e atrelado ao CDI com a vantagem de que a tributação de imposto de renda é de 15% dos seus ganhos na hora do resgate.

Como o valor não pode ser resgatado antes do prazo é importante fazer um planejamento financeiro pessoal adequado que leve em consideração o longo fluxo de caixa das letras financeiras. As letras financeiras são bem semelhantes aos CDBs porque apesar da maioria dos títulos serem pós-fixados e indexados ao CDI também existem títulos pré fixados e mistos.

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Quanto ao risco devemos lembrar que as letras financeiras não possuem a proteção do FGC, isso quer dizer que se a instituição financeira quebrar não há para quem recorrer. De nada adianta buscar rentabilidades absurdas de instituições pouco confiáveis, é preciso ir atrás do histórico de crédito da instituição financeira.

Veja algumas características de aplicações nas letras financeiras:

  • Rentabilidade superior a média na renda fixa
  • Facilidade de aplicação
  • Diversificação de investimentos
  • Projeção confiável quanto ao retorno na hora do investimento
  • Menor alíquota de imposto de renda

E é claro, as desvantagens:

  • Investimento mínimo de 150 mil
  • Tem incidência de Imposto de Renda
  • Prazo longo (no mínimo dois anos)
  • Impossibilidade de resgate antes do vencimento
  • Não há proteção do FGC

Revisando…

Neste artigo nós vimos os principais investimentos de renda fixa disponíveis no mercado financeiro. Lembre-se que estes investimentos são aqueles em que a rentabilidade são conhecidas no momento da aplicação. Os investimentos que vimos foram:

  • Caderneta de Poupança
  • CDB – Certificados de Depósito Bancário
  • LCI – Letras de Crédito Imobiliário
  • LCA – Letras de Crédito do Agronegócio
  • Debêntures
  • Tesouro Direto
  • CRI – Crédito de Recebíveis Imobiliários
  • CRA – Crédito de Recebíveis do Agronegócio
  • FIDC – Fundos de Investimento em Direitos Creditórios
  • LF – Letras Financeiras

Espero que você não tenha ficado com nenhuma dúvida sobre os principais investimentos de renda fixa. De qualquer forma, fico a disposição para qualquer esclarecimento nos comentários abaixo.

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