O processo de contratação de crédito para empresas não é muito diferente daquele feito para pessoas físicas. Mas o que diferencia os empréstimos na pessoa física e na pessoa jurídica não é a contratação, mas sim a finalidade.

Afinal o consumidor seja ele pessoa física ou jurídica, identifica sua necessidade de crédito, procura uma instituição financeira, e comprova sua capacidade de honrar ou não a dívida que deseja contrair.

As diferenças entre nas formas de contratação dos empréstimos na pessoa física e na pessoa jurídica estão normalmente relacionadas aos juros e prazos de pagamento, além é claro do objetivo do empréstimo.

Crédito para Pessoas físicas

A oferta de empréstimos na pessoa física e na pessoa jurídica vem aumentando de forma absurda desde o início dos anos 2000 movido pela estabilidade econômica criada pelo plano real. Se você não lembra, vivemos por muito anos em um período de hiperinflação onde podíamos escolher comprar um liquidificador em janeiro ou um apartamento em dezembro. Recomendo a você a leitura do meu artigo sobre o valor do dinheiro e inflação.

Esta explosão de crédito também coincide com a criação do crédito consignado criado na virada do século. Nesta modalidade de crédito às pessoas físicas têm acesso a taxas melhores do que outras linhas de crédito como Cheque Especial e Crédito Rotativo do Cartão de Crédito.

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As linhas de crédito para pessoas físicas têm as maiores taxas de juros se compararmos os empréstimos na pessoa física e na pessoa jurídica. Por mais que o crédito consignado e o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) apresentem taxas de juros menos abusivas ainda estão longe de ser um bom negócio a não ser em uma emergência para escapar justamente de taxas de juros mais altas.

Empréstimos na pessoa física nunca são um bom negócio. Diferente de uma empresa que pega um empréstimo para realizar um investimento em máquinas e equipamentos para gerar mais lucro, a pessoa física que pega o dinheiro emprestado normalmente está endividado por cair nas armadilhas do consumo.

Lembre-se que a melhor forma de manter as contas em dia é através de um planejamento financeiro. Justamente para te ajudar e evitar que você precise de empréstimos eu escrevi um artigo falando sobre os principais erros ao criar um planejamento financeiro. Não cometendo estes erros você conseguirá manter suas contas em dia e nunca vai precisar de um empréstimo.

Crédito para pessoas jurídicas

Existem muitas diferenças entre os empréstimos na pessoa física e na pessoa jurídica. Posso começar lembrando que as opções de empréstimo disponível para as pessoas jurídicas que é infinitamente maior. Isso acontece porque há uma enorme quantidade de agentes financeiros que atuam com segmentos específicos e, por isso conseguem ofertar produtos mais direcionados.

Existe por exemplo linhas de crédito específicas para produtores rurais, empresas de tecnologia, microempreendedores individuais (MEI), etc. Graças a esta enorme gama de produtos e principalmente porque a empresa toma recursos emprestados para fazer mais dinheiro ao invés de satisfazer hábitos de consumo, normalmente as taxas de juros são mais acessíveis nas pessoas jurídicas.

Por exemplo, uma empresa ao pegar um empréstimo para comprar uma máquina, este novo equipamento vai aumentar o faturamento da empresa e seu lucro. Já na pessoa física se você fizer um empréstimo para financiar um carro não estará adquirindo um ativo (bens que geram mais receita) e sim um passivo (bens que geram despesas).

Se você ainda não está muito familiarizado com este conceito, recomendo a leitura do livro Pai Rico Pai Pobre de Robert Kiyosaki. Este livro é fantástico e um dos grandes clássicos das leituras de finanças pessoais. A compreensão correta do que é um ativo e um passivo pode mudar suas finanças e garantindo um futuro próspero.

Agora que você já sabe sobre as principais diferenças sobre empréstimos na pessoa física e na pessoa jurídica vou te falar um pouco mais sobre as ofertas de crédito disponíveis para as empresas.

Principais formas de empréstimo para pessoa jurídica

Capital de Giro

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O capital de giro é um valor voltado a manter o funcionamento da empresa, ou seja, para manter as operações diárias em funcionamento devido a empresa estar com dificuldade em encaixar o prazo dos pagamentos e recebimentos.

Essa modalidade de empréstimo serve para repor estoques, comprar mercadorias e custear as despesas administrativas e a necessidade de não atrasar as contas com os fornecedores. Existem duas formas para liberá-lo:

  • Associado a investimentos fixos: voltado para a compra de mercadorias ou insumos necessários à produção. Normalmente o crédito é concedido junto com o financiamento de um bem imobilizado como uma máquina.
  • De forma isolada: nesta modalidade não é exigida comprovação de destino que será dado para o valor contratado, em contrapartida as taxas de juros são mais elevadas.

Os empréstimos de capital de giro possuem taxas de juro prefixado. Está é uma modalidade de crédito de financiamento de curto prazo e sem carência. Uma vez que este tipo de empréstimo tem um risco maior às instituições financeiras costumam solicitar alguma espécie de garantia a ser fornecida pelos sócios da empresa.

Crédito para Investimento Fixo

Está modalidade de crédito está disponível para as atividades direcionadas à implantação, modernização e expansão da empresa. Alguns exemplos são a compra de máquinas, móveis, equipamentos, realização de obras para expansão e etc.

Este tipo de empréstimo serve para financiar exclusivamente os elementos que durarão um certo tempo e que são voltados para o crescimento do negócio. Para investimento fixo é mais comum encontrar linhas de crédito específicas como o cartão do BNDES ou mesmo os créditos como FINAME, FINEM, PRONAF, PRONAMP e outras linhas de crédito subsidiadas.

Antecipação de receita

Todas as empresas possuem contas a pagar e contas a receber. Nos valores que elas, as empresas têm a receber (os chamados recebíveis) podem ser ofertados como garantia nessa modalidade de empréstimo.

Veja quais são as principais modalidades de crédito quanto a antecipação de receita:

  • Desconto de cheques: os cheques pré-datados que a empresa possui são entregues ao banco. Desta forma o banco credita imediatamente na conta da empresa um valor menor que o valor do cheque para que a empresa tenha cobertura da necessidade de caixa imediata.
  • Descontos de promissórias e duplicatas: Funciona de uma forma muito semelhante ao desconto de cheques. Você emite os títulos bancários pelo banco (boletos) e esses títulos devem ser registrados. Então o banco já tem toda a informação, desta forma a instituição antecipa o recebimento para você e quando o cliente paga o boleto os valores são repassados ao banco.
  • Vendas de cartões de crédito: O desconto das vendas do cartão de crédito pelo banco é a modalidade mais barata das operações de desconto. Isso acontece porque o risco é menor para o banco. Da mesma forma que as modalidades anteriores, você como empresário recebe os valores de forma antecipada e suas vendas parceladas no cartão de crédito servem como garantia para o empréstimo do valor que a empresa precisa.

Uma dica importante é lembrar que a antecipação de receita é um empréstimo relativamente caro. Está opção só deve ser procurada após conseguir um crédito para capital de giro ou refinanciamento fixo para algum bem da empresa.

Conta garantida

A conta garantida é uma linha de crédito que está diretamente relacionada à conta corrente da empresa. Basta solicitar o empréstimo e o valor é concedido automaticamente. Nesta modalidade de crédito a garantia pode ser feita através de cheques pré datados, duplicatas ou notas promissórias.

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O grande problemas dessa modalidade é que possui juros maiores que as outras anteriores porque funciona como uma espécie de cheque especial.

Pessoa Física x Pessoa Jurídica

O mais importante deste artigo é que você compreenda que a principal diferença nos empréstimos na pessoa física e na pessoa jurídica não é referente a contração, taxa de juros ou mesmo garantias.

A grande diferença e a coisa mais importante que você precisa lembrar é que uma empresa procura crédito para continuar expandindo sua operação, ou seja, elevar seu faturamento e consequentemente o lucro da empresa.

É claro em toda regra existe uma exceção, mas em 99,99% dos casos às pessoas físicas tomam crédito para satisfazer desejos de consumo e adquirir passivos (bens que trazem obrigações e mais contas a pagar) como um carro novo. Além disso é importante lembrar que uma empresa saudável não tem dificuldades em ter uma margem de lucro de 15%.

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