Hoje em dia está cada vez mais difícil acreditar que será possível se aposentar pelo INSS não é mesmo?

Com esse raciocínio muitas pessoas estão considerando optar por começar a contribuir com uma previdência privada.

Mas será que esta opção realmente é uma boa ideia? Para te ajudar eu criei este material com as principais armadilhas da previdência privada.

1) Muitas Taxas

Os produtos de previdência privada em geral tem uma grande armadilha. Existem muitas, mas muitas taxas. São tantas que eu escrevi outro material independente falando só sobre este assunto que você pode ver nas Taxas Cobradas na Previdência Privada

Para não perder o foco deste artigo, o importante é que você saiba que as maiores taxas são a de administração que varia entre 1% e 6% e a pior de todas, a Taxa de Carregamento.

Esta taxa afeta diretamente todos os seus aportes.

Por exemplo, se a taxa de carregamento for de 5% ao mês e o valor que você investe para sua previdência privada for de R$1.000,00 mensal, você estaria pagando R$50,00 para a seguradora e R$950,00 agregando de fato para a sua previdência.

Do mesmo modo, a taxa de saída que tira uma parte de seu patrimônio ao final, ou seja, quando você faz a retirada de seu investimento.

E não para por ai, se o fundo ao qual seu dinheiro é alocado rende bem existe ainda a taxa de performance. 

Esta taxa eé uma espécie de bônus para o administrador dos recursos onde se o fundo render mais que um determinado benchmark, como exemplo o CDI. Neste caso o administrador ainda ganha 20% deste bom desempenho.

2) O perigo da Conversão em Renda

Apesar de parecer que converter seus investimentos em renda é uma boa ideia (uma opção que a maioria utiliza) essa nem sempre é uma boa escolha porque existe algo chamado de tábua atuarial.

Sempre que você começar a contribuir para um plano de previdência a seguradora (sim, todos os planos de previdência são administrados por seguradoras e regulamentados pela SUSEP) vai estipular uma data de falecimento provável.

O problema é que essa tábua atuarial leva em consideração o perfil dos segurados e como até o momento o grande público está nos clientes bancários de alta renda a expectativa de vida é muito maior do que a estatística oficial.

Isso quer dizer que se você não está no topo da pirâmide de renda você pode sair prejudicado nesta opção.

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No momento em que você decidir resgatar seu plano de aposentadoria, a seguradora irá fazer um cálculo com base nesta data de falecimento para estipular a renda vitalícia (se esta for sua opção).

Se o cálculo de tábua atuarial mensurar que você irá viver até os 80 anos, a sua renda vitalícia será X. Agora, se a tabela atuarial estimar que você terá vida longa até os 100 anos a sua renda vitalícia será bem menor.

3) Previdência Privada não cobre tudo

Muito diferente do INSS os planos de VGBL e PGBL não possuem benefícios acessórios. Para ter garantias importantes como:

  • DIT (Diária por Incapacidade de Trabalho)
  • Doenças Graves
  • Doenças Terminais
  • Assistência Funeral Individual ou Familiar
  • Morte Acidental em Dobro
  • Antecipação Especial por Doença
  • Invalidez Permanente Total ou Parcial por Acidente
  • Despesas Médico-Hospitalares e Odontológicas

Será necessário contratar um seguro de vida em conjunto o que pode encarecer e bastante o seu plano de previdência.

4) Projeções Muito Otimistas

Essa é uma cilada daqueles que buscam atalhos. Se você está lendo este material até aqui já sabe que não existe “almoço grátis” muito menos no banco e essa é uma das maiores armadilhas da previdência privada.

Quando você estiver analisando a contratação de um destes planos e as projeções forem boas demais para ser verdade é porque provavelmente são.

Não é raro os vendedores fazerem estimativas de renda fantástica com rentabilidades de 1% ao mês sobre o valor investido.

Mas como você já leu em meu outro artigo conseguir a rentabilidade de 1% ao mês está bem longe da nossa realidade atual com a Taxa SELIC a 6,50% e deve continuar assim pelos próximos anos.

5) Portabilidade não faz milagres

Logo depois da projeção milagrosa vem a “garantia” de que se você não estiver satisfeito é possível migrar para um plano até mesmo de outra empresa. Mais uma vez, cuidado. Atente-se as letras minúsculas pois muitas vezes pode haver carência de 6 meses a um ano em que você não pode realizar a portabilidade.

Para finalizar agora que você já conhece armadilhas da previdência privada, antes de contratar qualquer plano de previdência recomendo consultar um profissional de confiança (bancário ou corretor de seguros).

Estes são os profissional mais qualificados para te apresentar as diferenças entre os produtos, vantagens fiscais do PGBL, tributação progressiva e regressiva e diversos outros pontos.